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A Intelligentsia e sua missão revolucionária

09.10.2008
 
A Intelligentsia e sua missão revolucionária

Uma verdade dura, brutal, é que há muito pouco para admirar, pouco a falar, nessa crescente classe de neoproletariado marcada por insipidez e mediocridade, feiura física obesa, monotonia e preguiça mental e cultivada ignorância e seu culto anti-histórico da não-memória, uma classe à espera, quase obsessivamente, de ser entretida.

Por exemplo: ficou o povo estadunidense indignado diante da mera cogitação da vulgaridade teatral da ridícula candidatura de uma caipira racista instigadora de guerras como Sarah Palin para Vice-Presidente e possível Presidente dos Estados Unidos, fazendo lembrar a idéia maluca do Imperador romano Calígula de nomear seu cavalo favorito, Incitatus — ou Galopador — como Cônsul do Império? Alguém ficou indignado?

Como estadunidense, sinto-me ofendido com a idéia. Ter-se-ão os estadunidenses transformado nas pessoas da antiga Roma decadente? Pessoas que para distração recorriam ao sangue e areia das arenas dos coliseus por todo o império. Onde encontraríamos um modelo de ideal político e cultural que pudesse apelar para tal tipo tripudiante especialmente treinado para desdenhar de qualquer pessoa ou qualquer coisa diferente dele e de seus "valores" e do "estilo estadunidense de vida"?

Tendo em mente a realidade de que são precisamente esses escabrosos, desinteressados, proletariado-classe média estadunidenses que terão que promover a mudança radical, a intelligentsia estadunidense, do mesmo modo que na Rússia pré-revolucionária, realmente tem motivo para indagar-se: O que deve ser feito?

Nos Estados Unidos, a reação oficial à "ameaça comunista" corrompeu gerações de estadunidenses e foi a justificativa para o advento da amoralidade oficial num Estados Unidos virgens que ainda se consideravam prístinos. Na Guerra Fria, qualquer subterfúgio era lícito. Na Guerra Fria, a mentira era boa. Quatro décadas da grande mentira do anticomunismo bastaram para gerar uma nova moralidade nos Estados Unidos. Uma moralidade do mal que infiltrou-se na sociedade. Que não tem nada a ver com idéias ou ideologia, só com poder. É um modo de ver o mundo, perseguido e confirmado por uma grande parcela dos intelectuais do país. Um modo frio, amoral e imoral ao mesmo tempo. Esse poder maligno é um espírito estadunidense, um espírito malévolo que talvez sempre tenha espreitado os Estados Unidos. Pois, como sabemos hoje, os Estados Unidos nunca foram inocentes. Na melhor das hipóteses, apenas ingênuos. O mal espreitava nas Montanhas de Cimo Azul de minha infância de menino. O mal ainda espreita nos Estados Unidos fundamentalistas.

No entanto, ao mesmo tempo a nação estadunidense tem sido ludibriada, quer ser ludibriada, pela grande mentira da "ameaça comunista." A subsequente criação do terrorismo e do medo foi o curso natural das coisas.

Autor da publicação: Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme

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