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17 cadáveres reais na mostra em Lisboa

03.05.2007
 
17 cadáveres reais na mostra em Lisboa

Foi inaugurada na semana passada em Lisboa uma exposição – “O Corpo Humano como Nunca o Viu”,  onde se pode ver 17 cadáveres e 270 órgãos humanos reais conservados segundo a técnica de polimerização. A exposição pretende mostrar o corpo humano numa perspectiva nunca antes vista. 

Os corpos e órgãos foram preservados utilizando uma técnica que consiste na desidratação dos tecidos, utilizando silicone.

O director do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, Jorge Costa Santos, disse ao manifestar alguma dúvida sobre a exposição que funciona como «um apelo um pouco mórbido».

«[Visitar a exposição tem por base] uma motivação que não é científica, porque não acresce conhecimento. Haverá a satisfação de um apelo visual», analisou o médico, referindo que o público irá entender a mostra «mais como uma manifestação de arte» com base em material cadavérico e «não se irá sentir identificado».

«Pode-se dizer que eticamente é abusivo o uso do modelo e técnicas».

  Mas o  presidente da Comissão Cientifica da exposição , Francisco Castro e Sousa, lembrou que a organização do evento «não é benemérita», mas ajuda o público a ter «da forma mais real possível» a noção da complexidade do organismo e um comportamento pró-activo em relação à saúde.

Nas nove salas que albergam a exposição é possível conhecer melhor a anatomia humana, nomeadamente os sistemas nervoso, respiratório, reprodutor e digestivo. Para além disto, é possível ver a diferença entre um pulmão saudável e o de um fumador.

Os cadáveres foram cedidos pelo estado chinês e devem regressar à China quando a exposição terminar. Trata-se de cidadãos chineses cujos corpos não foram reclamados.

 Mas há dúvidas sobre origem dos cadáveres. Um farmacêutico do estado norte-americano de Massachusetts (Costa Leste), Aaron Ginsburg, criou um site dedicado ao itinerário da exposição e garante que os corpos foram alugados durante cinco anos por 25 milhões de dólares ao governo chinês.

Esta situação de não propriedade dos corpos deverá levar ao arquivamento de uma queixa judicial contra a Prime Exhibitions, (organizadora da exposição) Ginsburg coloca ainda a hipótese de os corpos usados serem de prisioneiros, pobres, pessoas sem direitos e solitários.

«É um assunto de direitos humanos», argumenta o farmacêutico, contrariando os defensores do pendor educacional da exposição: «Um argumento na mesma linha seria dizer que um acidente de automóvel promove a segurança rodoviária».

O presidente do conselho médico e científico internacional da exposição, Roy Glover, tem insistido que apenas são usados corpos de pessoas que morreram de forma natural.

A mostra está aberta ao público a partir de Sábado, no Palácio dos Condes do Restelo, ao Príncipe Real e vai ficar em Lisboa até Outubro.

 Com Lusa 
 


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