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Corinto antiga e moderna

03.04.2010
 
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Corinto antiga e moderna

Adelto Gonçalves (*)

CORINTO – A 86 quilômetros de Atenas, a Corinto moderna tem pouco para mostrar: à frente de um porto acanhado, há uma praça enorme tomada em boa parte por um estacionamento de automóveis, uma tenda enorme para exposições ou outra atividade cultural. E mais nada. Com 30 mil habitantes, a cidade mostra um aglomerado urbano pouco atraente e um trânsito um tanto desorganizado, apesar de pouco intenso. Lembra um pouco as cidades do litoral de Portugal. É um lugar de passagem e não oferece grandes hotéis, pois, geralmente, o turista que se desloca até lá está hospedado em Atenas.

Nas proximidades da praça principal, a maior procura é por um restaurante de fast food, bem parecido com um McDonald´s, mas que, em vez de hambugueres, vende suvlakis, o churrasquinho grego de carne de carneiro assada em pão pita. Por ali, na mesma avenida de mão dupla, há também uma doçaria – ou pastelaria, como se diz em Portugal – que vende doces e pães gregos inesquecíveis.

Antes de chegar à cidade, a sete quilômetros do centro, não dá para deixar de ver o famoso Canal de Corinto, aberto entre 1881 e 1893 para colocar fim a um obstáculo que por séculos dificultou a navegação entre o Mar Egeu e o Jônico, evitando que os barcos dêem uma volta de 400 quilômetros, em torno do Peloponeso. Foi o imperador Nero quem, antes de colocar fogo em Roma, primeiro tentou acabar com o problema, mandando cavar um canal em tão pequeno trecho de terra. Não obteve êxito. Hoje, o Canal de Corinto, com mais de seis quilômetros de extensão e uma profundidade de 30 metros entre o nível da rua e a água, é atravessado por barcos turísticos puxados por rebocadores, todos os dias. Como tem apenas 21 metros de largura, é muito estreito para navios cargueiros.

Claro, o que vale numa viagem a Corinto é mesmo a Corinto Antiga, que rendeu ao apóstolo Paulo várias epístolas – nem todas reunidas na Bíblia. É um museu a céu aberto. Suas ruínas datam do período neolítico (5000 a 3000 a.C.) [1] . Os primeiros povoados instalaram-se num trecho elevado, a 575 metros de altura, a dois ou três quilômetros do mar. Explica-se: ali do alto seria mais fácil não só se defender de invasões como controlar as comunicações por terra e por mar entre Peloponeso e a Grécia continental. Mas há quem diga que naquela época o mar estava mais avançado naquele espaço de terra, como provariam algumas marcas antigas que se vêem em pedras na montanha que costeia o litoral próximo.

O assentamento neolítico durou aproximadamente dois mil anos, mas até agora foram descobertos poucos vestígios de casas e poucos utensílios domésticos dessa época. No começo do segundo milênio, a povoação foi destruída por causas desconhecidas. Depois de uma fase obscura, Corinto ressurgiu por volta do ano 1000 a.C., ocupando o mesmo lugar de povoados pré-históricos ao pé do monte Acrocorinto.

É a partir do século VIII a.C. que Corinto apresenta um florescimento notável como resultado de sua independência política e econômica que, até hoje, enche os gregos de orgulho, a tal ponto que tem sido usada como argumento na recente refrega política com a União Europeia, especialmente com a Alemanha, que se recusa a apoiar uma ajuda financeira a um país à beira da bancarrota. “Quando os alemães ainda viviam em cavernas, nós já fazíamos tudo isto”, costumava repetir, por estes dias, todo guia grego ao turista que se mostra maravilhado com as peças expostas no Museu de Corinto.

O auge de Corinto, porém, dá-se à época de Cípselo, que em 657 a.C., depois de tomar o poder da família Baquíades, passou a governar a cidade à frente de uma ditadura, e, sobretudo, na época posterior de seu filho, Periandro, seu sucessor. Por esse tempo, novos mercados foram construídos, em razão do aumento da produção local e daquela que chegava de barcos que singravam o mar Jônico, estabelecendo contatos especialmente com o Oriente Médio.

DECADÊNCIA

Veio depois a época de esplendor de Atenas, ou seja, a época das guerras persas, que significaram a decadência de Corinto. Houve muita rivalidade entre Corinto e Atenas, especialmente ao tempo da guerra de Peloponeso. Corinto saiu derrotada, recuperando-se só mais tarde ao tempo do domínio macedônico, quando, então, converteu-se pela segunda vez em centro comercial.

Vieram, porém, os romanos que saquearam e, praticamente, destruíram Corinto. Seus habitantes que sobreviveram foram vendidos como escravos e seus tesouros artísticos levados para Roma. Foi a partir de 44 a.C., ao tempo de Júlio César, que começou a se recuperar, depois de permanecer por mais de um século tal como hoje está, uma cidade deserta e arruinada. Tornou-se colônia romana, atraindo muitos estrangeiros, especialmente hebreus. Foi por essa época, 51 e 52 a.C., que o apóstolo Paulo a visitou.

Mais tarde, ao tempo do imperador Vespasiano, um terremoto destruiu boa parte da cidade. Até que o imperador Adriano a mandou reconstruir. Dessa época são um aqueduto que trazia água de um distante manancial e as termas públicas cujas ruínas ainda são visíveis à céu aberto. Em 375 d.C. um novo terremoto sacudiu Corinto tanto quanto as invasões dos godos do rei Alarico.

A cidade voltou a crescer, mas um novo terremoto em 521 d.C. interrompeu sua trajetória ascensional. Em tempos mais recentes, em 1210, Corinto foi ocupada por piratas e, de 1358 a 1395, ficou sob domínio dos mercadores florentinos. Em 1548, caiu nas mãos dos turcos que a dominaram até 1822, com exceção de um período breve em que esteve ocupada por venezianos, de 1687 a 1715.

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