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Conrado Paulino – Brazilian Jazz Concert

02.07.2007
 
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Conrado Paulino – Brazilian Jazz Concert

Como profissional da música o Conrado Paulino visita pela terceira vez a capital uruguaia sempre no início do mês de julho tentando esquentar o ambiente da Sala Zitarrosa que no eixo dos cinco graus C ás 21 horas (horário marcado para o show) recebe o destaque de hoje.

Num dos bairros mais requintados de Montevidéu como é Carrasco, Conrado apresentou-se em duas sessões no Teatro do Carrasco Lawn Tennis no 2005, trasladando-se logo para o Centro da cidade no 2006, indo tocar no Teatro La Colmena também em duas sessões.

Na versão 2007 que vai acontecer o 4 de julho enfeita-se a Sala Zitarrosa para que o Conrado continue cativando uruguaios amadores do violão e do estilo musical que ele toca.

Quanto ao histórico da Sala Zitarrosa, seu nome nasce como homenagem ao cantor Alfredo Zitarrosa herói da MPU que com voz rouca e única foi arrepiando a pele dos uruguaios e latinos pelos diferentes “bairros” do mundo, reunindo exilados como ele, que por causa das ditaduras militares que ocorreram nesses países iam se encontrar na maioria dos casos bem longe do epicentro do atual MERCOSUL, como fugitivos da “justiça”.

Talvez na estréia internacional, Zitarrosa sendo ainda muito novo cativou o Júri e pagantes do Festival de Cosquín na Província argentina de Córdoba tendo ganho amigos da música como a tucumana bem mais conhecida como a “Negra”, Mercedes Sosa.

Grande porção do seu exílio aconteceu no México junto a suas duas filhas e esposa.

Ele faleceu faz vinte anos mas na opinião de muitos continua sendo o número um da música popular uruguaia de todas as épocas, ainda hoje.

A Sala Zitarrosa tem sua história própria com diferentes nomeações do prédio no decorrer do século XX.

Na hora que os Shopping Center ainda não existiam na cidade (o primeiro foi construido no 1987) as grandes lojas e logomarcas montaram suas vitrines na Avenida 18 de Julio (julho) que foi o passeio chique dos montevideanos, porém imã nem só das lojas, sinão dos barzinhos e cinemas, além dos hotéis e teatros que também tinham com referência para se instalar, a 18.

Quanto tem a ver com cinemas, a Sala Zitarrosa foi um desses aconchegantes de Montevidéu e chamava-se Cine REX, com o “Bar del Rex” quase do lado, que foi sempre ponto dos fregueses do Cinema para tomar um cafezinho antes do filme começar ou, logo do filme acabar, dar início uma janta dessas gostosas que felizmente conseguimos saborear.

A famosa Praça Engenheiro Fabini (bem mais conhecida com Praça del Entrevero) continua aí na frente.

Saindo daquele Cinema e virando a cabeça para a direita encontrava-se a famosa loja London Paris que foi ícone montevideano, num prédio da esquina com a travessa Rio Negro apenas 80 metros daí.

Com uma “dor” terrível e gerando muita saudade para os mais idosos da época, o London Paris acabou sumindo, deixando sua vaga para mais um ícone das “novas gerações”, dos quarentões de hoje, a também famosa Sorveteria Papito, com um hino da publicidade super conhecido que ouvia-se nas rádio-emissoras e tevê uruguaia, que fez com que os sorvetes começaram ser gostosos nem só no verão.

E os sorvetes também escorregaram na gaveta das lembranças deixando seu espaço para um fulano Mc. “X” que provoca o sorriso das crianças, matando a história auténticamente “crioula”.

Assim que o progredir dos oitenta começava o convívio com a cidade, ia assassinando até o Cinema Rex que ganhou nomeação de Tobruk Discoteque deixando-o quase nú, sem poltronas nem nada, só decivéis á toa.e algunas colunas perfeitamente cilíndricas e grossas espalhadas naquele grande salão.

A música andou muito rápido decapotando aos poucos, ficou apenas o Bar del Rex que assim que o Cinema tinha morrido, começava a abrir suas portas só pelo orgulho do dono, pois nem fregueses tinha lá dentro.

Desde seu nascimento, a Sala Zitarrosa foi vizinha do Palácio Brasil, sede no sexto andar do ICUB que o próximo 22 de agosto completa 67 anos de vida….

Desta vez é só imaginar alguém saindo da Sala rumo á 18, e virando a cabeça do lado esquerdo, os faróis tricolores quase do lado, a rua Julio Herrera y Obes, segurando os postes e o ICUB da outra beira da rua.

Uma dessas salas nas quais dão-se aulas, vai ser o auditório para o Conrado, um lente do passado, ensinar seu estilo.

Há um violão autografado pelo Ministro Gil que foi presente dele para o ICUB lá dentro. Há lembranças dos passos do Vinícius de Morais que vai mergulhar seu espírito boêmio no interior do Conrado começando a operar as mãos para dar uma de gênio.

O que foi um “risco” no 2005, agora é uma dessas responsabilidades que qualquer um gostaria “carregar” acima das costas trazendo um “violão” daqueles para Montevidéu.

Uma mochila chamada Conrado, bem leve e importante que o Pablo Trochón vem trazer orgulhoso desde Sampa para a capital uruguaia a cada inverno pela qualidade desta celebridade da música moderna.que tem acompanhado colegas reconhecidos nos diferentes cenários do Brasil e fora da divisa.

O custo do ingresso desse Workshop planejado no ICUB ás 19:30 da terça 3 de julho é apenas simbólico, $ 100 (correspondentes a 4 dólares americanos), por enquanto, para o Show na Sala Zitarrosa, o preço de tabela é único, $ 130 (5 dólares).

Deste jeito assim, procura-se que ora o frio nem os preços sejam uma muralha na frente para dizer presente na Zitarrosa.

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