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À janela da poesia

01.02.2010
 
À janela da poesia

O jornalista Petrônio Souza Gonçalves finaliza seu terceiro livro, o segundo de poemas, com imagens poéticas inusitadas, como a que já se revela no título: “Um facho de sol como cachecol”

Atualmente coordenando as atividades culturais da Academia Mineira de Letras, como o projeto Bate-papo com o Autor, que ele idealizou e que vende livros subsidiados pela Academia ao preço simbólico de R$ 5,00, Petrônio está cada vez mais entregue ao mundo da letras e da divulgação da palavra escrita. Depois do livro de estréia, Memórias da Casa Velha, de contos, de 2004, e Adormecendo os Girassóis, de poemas, de 2007, Petrônio viaja, nesse novo trabalho, pela temática de um homem preso ao seu tempo e pelas paisagens que o cercam, como ele carinhosamente chama de ‘as coisas do porão’.

Um Facho de Sol como Cachecol tem a apresentação do acadêmico Antonio Olinto, falecido recentemente no Rio de Janeiro, com quem Petrônio conviveu nos últimos anos e o homenageia com um poema no livro.

Um Facho de Sol como Cachecol traz ainda a capa assinada pelo cartunista Paulo Caruso e prefácio assinado pelo cronista e dramaturgo Alcione Araújo, com o título Indizível Coreografia, em que Alcione diz: “Parece simples, mas é áspera a labuta do poeta com as palavras. Passam a vida a caçá-las, a dar-lhes banho, escová-las, maquiá-las ou, a amassá-las, enlameá-las, desdentá-las, para não serem mais o que eram, e surpreenderem o leitor na primeira leitura. Não são poucos os poetas que lamentam a luta inglória. Se o poeta fantasia e coreógrafa as palavras, recriando a linguagem para dizer o indizível, o que poderia dizer um forasteiro não poeta, que usa a palavra sem maquiagem e sonolenta em vez de saltitante, senão que corra às próximas páginas, e aprecie como Petrônio Souza Gonçalves fantasiou e coreografou nossas surradas palavras para dizer “Um facho de sol como cachecol”, de um jeito que jamais diríamos”. O a orelha do livro é assinada pelo jornalista e escritor Domingos Meirelles.

O livro começa com um poema dedicado ao jornalista Sebastião Nery, que o autor considera ser o maior jornalista brasileiro vivo, dentro da sua recorrente temática do tempo, em que se lê: “O tempo é mesmo um deus cruel.../ Crava em nossa memória/ A espada enferrujada das horas./ No rosto,/ O traço roto dos anos sem pincel./ Sem demora,/ Minuto a minuto,/ Nos devora./ Nos mastiga com a força do pensamento/ E nos cospe na sarjeta da eternidade”.

Outro tema recorrente no livro é o amor e as paixões, imensamente vividos pelo autor, com a definição de que “O amor é como um poema,/ Tem vida longa,/ Em frases pequenas”. Pode ser ler também uma seção de máximas, como a que “Para ser diferente/ não é preciso ser estridente!”.

Voltando às raízes mineiras, encerra a publicação um poema dedicado a Ouro Preto e à música mineira, que se destacam as imagens poéticas: “Há um dedilhado rebuscado/ Ofertado pelas notas do vento/ Tocando o telhado das noites dos quintais ancestrais de Minas Gerais.../ Há um tempo desajeitado,/ Curvo de sentimento,/ Dos paralelepípedos quebrados das ladeiras de Ouro Preto,/ Com seus ângulos manchados pela ferrugem do tempo/ E suas lágrimas;/ Notas de sofrimento/ Na pauta triste da clave sem lua.../ Há uma noite nos acordes de Minas/ Acordando o canto dos pássaros/ No passado/ Do primado/ Do ouro/ Com todas as suas quimeras.../ São música as madrugadas de Minas./ A noite caindo dentro da gente/ E afinando o soneto/ Que somente nós,/ Que não o escutamos fora,/ Podemos nos encantar,/ Nos encontrar.../ Oração do dia./ Infinita poesia...”.

Escritor e jornalista, Petrônio mantém uma coluna semanal sobre política e cultura em mais de 40 jornais Brasil afora. Em 2005 ganhou o Prêmio Nacional de Literatura "Vivaldi Moreira", da Academia Mineira de Letras, como segundo colocado. Parte de seus textos ilustram o seu blog: www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com. Para o presidente da Academia Mineira de Letras, Murilo Badaró, "Petrônio é um caso extraordinário de vocação intelectual e determinação política".

Com a previsão de lançamento para março de 2010, o livro de Petrônio já marca o cenário literário mineiro pelo uso de uma simplicidade harmoniosa, com a leveza entre temas e imagens, cenários e poesia.


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