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Ciência

Cultura da fofoca não é inofensiva para pré-adolescentes

30.05.2007
 
Cultura da fofoca não é inofensiva para pré-adolescentes

Muito antes de chegarem à puberdade, as crianças de hoje estão totalmente imersas na lavagem de roupa suja das celebridades – seus transtornos alimentares, rodadas de bebidas e drogas e desentendimentos com a lei (e entre si). Os mínimos detalhes estão por toda parte: na web, na televisão a cabo, nas manchetes do noticiário e espalhados pelas capas de revistas.

Cada país tem seus celebridades más para citar nas mídia. Nos EUA a exposição a uma vasta quantidade de fofocas, sobretudo sobre as chamadas meninas más de Hollywood – Hilton, Spears e Lindsay Lohan, para citar as criticadas com mais freqüência – está conduzindo as influenciáveis meninas americanas de 8 a 12 anos às páginas dos tablóides. Mas a realidade é mais complexa, escreve New York Times.

Segundo Instituto de Educação dos Filhos no Centro de Estudos da Criança da New York University em entrevistas, os pré-adolescentes costumam se revelar extremamente críticos em relação aos excêntricos em excessiva exposição na mídia, transformando-os em fábulas de fundo moral apropriadas para a idade que deixariam seus pais orgulhosos e confortariam aqueles que temem que a próxima geração seja formada por garotas aprontando em festas sem vestir calcinha, mais famosas por dirigirem drogadas do que pela média na escola.

Hilton, disse Jamie Barton, 10, de Mobile, Alabama, "passa o tempo todo agindo como se as outras pessoas não significassem nada. É só eu, eu, eu". "Não a vejo como um modelo a ser seguido. Na verdade, não sei o que ela já fez de útil", completou Diamond Martin, 12, de Parlin, Nova Jersey. Esses pré-adolescentes não estão interessados em trilhar o caminho dos protagonistas de bebedeiras que vão parar nas manchetes das fofocas; e isso não causa surpresa aos especialistas em comportamento infantil. Isso não significa, porém, que a cultura da fofoca seja inofensiva.

"Pode haver um efeito retardado", declarou Richard Gallagher, diretor do Instituto de Educação dos Filhos no Centro de Estudos da Criança da New York University. "Quando as crianças sabem que determinado comportamento é possível e que ele não levará à ruína completa de sua vida, elas podem, à medida que ficam mais velhas, ter uma pré-disposição para repeti-lo". Não há a menor dúvida de que as crianças hoje são expostas a muito mais escândalos do que as de gerações anteriores. Como muitas meninas, Courtney Barton, 12, de Mobile, Alabama, contou que não fica procurando fofocas sobre celebridades, mas as encontra em toda parte: "Escuto as fofocas sobre todos eles no rádio, na internet e na TV".


Segundo o Centro de Pesquisas Pew de Público e Mídia, a morte de Anna Nicole Smith, em 8 de fevereiro, foi responsável por 9% da cobertura de imprensa na semana em que ela morreu (ela morreu no meio da semana). Nessa mesma semana, 8% da cobertura foi dedicada à campanha presidencial americana de 2008 e 3% ao Super Bowl. O Pew também identificou que nos dois dias após a morte de Smith, "cerca de um quarto dos noticiários de todos os setores (24%) foi dedicado a essa história, além de metade do noticiário de TV a cabo".

Michelle Dale, professora da segunda série no Brooklyn que trabalha com os mais jovens entre os pré-adolescentes, contou que ela "sempre se surpreende" com a quantidade de coisas que seus alunos sabem. "Os filmes que essa meninada da segunda série assiste", disse ela, "Eu digo, meu Deus'".


Nas entrevistas, as crianças demonstraram o conhecimento detalhado sobre a inclinação de Angelina Jolie pela adoção (embora nem tenham mencionado o casamento anterior da atriz com Billy Bob Thornton ou o frasco com o sangue dele que ela usava pendurado no pescoço). Sabiam sobre a fita de sexo de Hilton, a drástica perda de peso de Lohan e a saída de Spears de um clube sem calcinha. Saturados em meio a tanta fofoca, eles formaram opiniões bastante sólidas sobre o que é bom, ruim e apenas estranho.

Os pré-adolescentes muitas vezes analisam as coisas pelo enfoque moralista, sobretudo se recebem um apoio firme da família ou têm bons modelos, explicou Savin-Williams.
Mas ao chegar aos 12 ou 13 anos, não é difícil ver os valores individuais das crianças cederem à pressão dos amigos, como dizem alguns especialistas em crianças, e elas podem ser influenciadas por aquilo que encaram como legal, mas não como algo que saibam instintivamente que está certo. E é justamente isso que alguns adultos temem.

"Acho que ninguém duvida que as crianças estão recebendo cada vez mais informações cada vez mais cedo", declarou David Walsh, psicólogo e fundador do Instituto Nacional de Mídia e Família. "E existem pouquíssimos filtros disponíveis". O resultado, segundo ele, é a "adultificação da criança".

 Fonte G-1 


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