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Automedicação cresce no inverno

24.06.2016
 
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Estimativa da OMS mostra que o inverno triplica  as doenças respiratórias como gripe, resfriado, rinite, sinusite e bronquite. Isso somado à falta de informação,  à comercialização de remédios  sem receita e à precariedade dos serviços públicos de saúde faz com que a automedicação seja praticada por 3 em cada 4 brasileiros.

 

Combinações perigosas de colírios com outros remédios crescem 20% no frio. Conheça os riscos.

 

Estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostra que o inverno triplica  as doenças respiratórias como gripe, resfriado, rinite, sinusite e bronquite. Isso somado à falta de informação,  à comercialização de remédios  sem receita e à precariedade dos serviços públicos de saúde faz com que a automedicação seja praticada por 3 em cada 4 brasileiros. É o que mostra  um estudo realizado pelo ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade).

Levantamento realizado pelo oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier nos prontuários do hospital, mostra que a combinação perigosa de colírios com outros medicamentos cresce 20%  nesta época do ano. 

Catarata e glaucoma

O médico afirma que um dos maiores perigos é o uso por mais de seis meses  de corticóide para combater inflamações persistentes nas vias respiratórias. O medicamento, explica, pode causar glaucoma, catarata, hipertensão arterial e ganho de peso. Quando usado na forma de colírio tem efeitos colaterais mais rápidos. A dica para reduzir um pouco o estrago é beber bastante água, mas nunca usar este tipo de remédio sem acompanhamento médico.

Uma combinação arriscada é o uso de descongestionante nasal com colírio antiglaucomatoso. "O alívio é imediato, mas o descongestionante corta o efeito do colírio", adverte. Por isso, o mais indicado é o uso de soro fisiológico para desentupir o nariz. Os riscos não param por aí. Isso porque, explica, descongestionantes  têm ação vasoconstritora. Significa que estreitam todos os vasos do corpo. Depois do quinto dia de uso predispõem à hipertensão arterial, doença cardíaca, bem como  ao glaucoma em quem tem predisposição. Todas estas doenças podem passar despercebidas sem acompanhamento médico.

O oftalmologista afirma que outro remédio perigoso para quem tem glaucoma é  o

inibidor de apetite. O risco está relacionado à dilatação da pupila que reduz o  espaço da  câmara anterior dos olhos, podendo  causar aumento a pressão intraocular, fator de risco do glaucoma, maior causa de cegueira definitiva relacionada a danos  no nervo óptico.

Quem faz tratamento de  bronquite ou asma com bronco-dilatador deve  avisar o oftalmologista. "A interação do medicamento com colírio betabloqueador pode causar falta de ar", adverte.

Olho seco

Queiroz Neto ressalta que não é só a queda da temperatura que aumenta a síndrome do olho seco no inverno. O uso de analgésico e antitérmico para combater gripe ou resfriado, de anti-histamínico para alergia e até da pílula anticoncepcional cortam o efeito do lubrificante ocular. Nestes casos recomenda incluir na dieta salmão, sardinha, semente de linhaça e nozes que melhoram a qualidade da lágrima por serem ricos em ômega 3.

Outras combinações

O especialista diz que os colírios vasoconstritores vistos pela maior parte da população com uma "aguinha refrescante" por deixarem os olhos branquinho,s cortam o efeito dos medicamentos para hipertensão arterial e dos medicamentos a base de amiodarona indicados para distúrbios do ritmo cardíaco. Estes grupos devem usar lágrima artificial caso sintam  desconforto ocular no inverno.

Para quem suspeita que está com conjuntivite, comum no inverno,  a dica do médico é fazer uma compressa fria em caso de secreção aquoso e de compressa quente quando a secreção for amarelada. Caso não desapareça o desconforto em dois dias, consulte um oftalmologista.

Eutrópia Turazzi

LDC Comunicação

 


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