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Ciência

MS divulga retrato do comportamento sexual do brasileiro

22.06.2009
 
Pages: 12
MS divulga retrato do comportamento sexual do brasileiro

O Ministério da Saúde acaba de concluir a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.


“Uma coisa nova, que surge, é a Internet como espaço de encontro, o que vai exigir do governo novas estratégias, novas abordagens para lidar com essa realidade”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na apresentação do estudo, que contou com a participação do secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e da diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério, Mariângela Simão. “Em sites de relacionamento, orkut, blogs e outros espaços na rede mundial de computadores o Ministério vai ter de entrar e levar informações, discutir, entrar em debates. Qual é a informação central?

Não pode haver relacionamento sem uso de preservativo. O preservativo é a maneira mais segura de se prevenir a infecção com o vírus HIV”.


Temporão salientou que, a cada ano, há 33 mil novos casos de HIV no Brasil. “Um estudo recente mostra que, a cada dois casos diagnosticados que iniciaram o tratamento, existem cinco outros que não foram ainda diagnosticados”, observou, alertando sobre as mudanças de comportamento visualizadas a partir da pesquisa.
As principais diferenças de comportamento estão entre homens e mulheres. Entre eles, 13,2% tiveram mais de cinco parceiros casuais no ano anterior à pesquisa; entre elas, esse índice é três vezes menor (4,1%). 10% deles tiveram, pelo menos, um parceiro do mesmo sexo na vida, enquanto só 5,2% delas já fizeram sexo com outras mulheres. A vida sexual deles também começa mais cedo – 36,9% deles tiveram relações sexuais antes dos 15 anos; entre elas esse índice cai para menos da metade, 17%. A pesquisa traz ainda recortes por escolaridade e região. Nesses dois casos, não há diferenças estatísticas relevantes.


“Temos de redobrar a disseminação de informação, a educação, a disponibilização gratuita de preservativos. O Ministério está comprando um bilhão de camisinhas, neste momento, para ampliar o acesso”, pontuou o ministro, sobre a prevenção ao HIV. “A pesquisa já levanta o alerta de que principalmente os mais jovens estão usando, e as pessoas de mais idade estão usando menos. Evidentemente, toda essa informação apurada a partir da pesquisa é um material fundamental para o Ministério poder rever suas políticas e suas estratégias no enfrentamento da doença”.


Temporão defendeu, ainda, que não se banalize a doença. “Isso é um risco sempre presente. À medida em que você avança e conquista um patamar diferenciado no tratamento, com o uso do coquetel – o que melhora profundamente não só a sobrevida como a qualidade de vida –, há sempre um risco de banalização, de se pensar que essa doença é tratável e que basta tomar o remédio e está tudo bem”, disse o ministro. “Isso não é verdade. Nós sabemos que é muito melhor viver sem a doença do que com a doença”.


Indicadores de comportamento sexual da população
sexualmente ativa entre 15 e 64 anos, por sexo (em%)

Indicador

Homens

Mulheres

Total

Relações sexuais nos últimos 12 meses

81

73,7

77,3

Relações sexuais antes dos 15 anos

36,9

17

26,8

Mais de 10 parceiros na vida

40,1

10,9

25,3

Mais de 5 parceiros casuais no último ano

13,2

4,1

8,8

Relação sexual com pessoa do mesmo sexo, na vida

10

5,2

7,6

Pelo menos um parceiro fixo nos últimos 12 meses

84,2

89

86,5

Pelo menos um parceiro casual nos últimos 12 meses

36,8

18,5

27,9

Pelo menos um parceiro que conheceu pela internet nos últimos 12 meses

10,3

4,1

7,3

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008

SEXO PROTEGIDO – A pesquisa constatou ainda que quase metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses). As principais diferenças estão entre homens e mulheres e por faixa etária. Homens usam mais preservativos que as mulheres em todas as situações. Os jovens são os que mais fazem sexo protegido em relação aos mais velhos (veja texto anexo). A análise dos dados com recorte de região e de escolaridade não mostra diferenças significativas.

Uso do preservativo na população sexualmente ativa entre 15 e 64 anos, por sexo (em%)

Uso do preservativo

Homens

Mulheres

Total

Na primeira relação sexual (15 a 24 anos)

63,8

57,6

60,9

Na última relação sexual dos últimos 12 meses

40,2

29,7

35,1

Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses

65,1

45,5

58,8

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos

21,5

17,3

19,4

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais

51,0

34,6

45,7

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008.


Uso do preservativo na população sexualmente ativa
entre 15 e 64 anos, segundo faixa etária, em 2008 (em%)

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