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Ciência

A memória do humano no pensamento russo

15.05.2007
 
A memória do humano no pensamento russo

Obra pelo Professor Gilberto Safra, que explicita a razão pela qual se interessou pelo pensamento russo, sendo ele um psicanalista. Na sua clínica, para dar conta do tipo de adoecimento que traziam seus pacientes, Gilberto sente a necessidade de buscar novas formas de pensar que pudessem dar conta do que observava em seu trabalho.

Resumo
Nesta conferência o Prof. Gilberto explicita a razão pela qual se interessou pelo pensamento russo, sendo ele um psicanalista.

Na sua clínica, para dar conta do tipo de adoecimento que traziam seus pacientes, Gilberto sente a necessidade de buscar novas formas de pensar que pudessem dar conta do que observava em seu trabalho. Nas suas palavras:
“Sou psicanalista, trabalho em clínica e uma das características importantes da situação clinica é poder acompanhar as diversas formas de como a subjetividade humana vai se organizando ao longo do tempo. Depois de muitos anos de trabalho fui me dando conta que as pessoas me falavam de situações, de sofrimentos, de mal estares, e as referencias teóricas que eu tinha não davam conta do que eu observava no consultório.

Num determinado momento comecei a me interessar pelos russos, e fui me dando conta de que aquilo que acessava nesses estudos dos russos justamente me possibilitava compreender o mal estar que as pessoas me comunicavam. Cada um de nós tem uma biografia , uma história singular, mas a nossa dor, os nossos sofrimentos revelam o contemporâneo para além de nós mesmos.

Não há sofrimento humano que seja simplesmente pessoal, é sempre uma interação com o que acontece no mundo naquele momento histórico. O que foi surpreendente para mim é que um certo grupo de pensadores, principalmente no final do século XIX e inicio do século XX, falavam de problemáticas que meus pacientes no mundo atual me revelavam.

Surpreendente! Me mostravam que estes pensadores estavam atentos a questões que só muito mais tarde nós, no ocidente, tivemos a possibilidade de pensar. Vou discorrer sobre cada um destes pensadores nesta palestra. A partir de então, no meu trabalho clínico e nos meus escritos, estes pensadores estão presentes. No Ocidente se questiona se há uma filosofia na russa, um sistema filosófico russo.

Esta questão está colocada de forma inapropriada. O pensamento ocidental se ocupou fundamentalmente da questão do conhecimento, da epistemologia. Não foi esse o caminho da filosofia russa. O pensamento russo se ocupa muito mais da questão da ética, da condição humana. Para os russos o conhecimento é significativo se for articulado com o desvelar da ética e da condição humana. Ë uma perspectiva diferente do que a ocidental, frente ao conhecimento e ao ser. Portanto, o que importa aos russos é desvelar do ontológico e não a epistemologia, como no Ocidente."


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