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Ciência

Fukushima: Carta aberta ao primeiro ministro do Japão

13.03.2014
 
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Carta aberta a governantes e diplomatas do Japão e do Brasil


Hoje, três anos depois do colapso de Fukushima, que abalou o Mundo e vem colocando em risco o futuro da humanidade, a Articulação Antinuclear Brasileira e a Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares se associa as milhares de pessoas que, no Japão e em vários países, manifestam repúdio à energia nuclear e exigem providencias para barrar o vazamento de radioatividade nas avariadas usinas Daiichi.

11 de março de 2014, três anos da tragédia de Fukushima.

Lembramos que em 13 de setembro do ano passado, o acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia, capital de Goiás, no Brasil, completava 26 anos. A maior tragédia atômica em área urbana vitimou milhares de pessoas. No mesmo dia, 114 organizações japonesas, 107 organizações brasileiras, 32 Prêmios Nobel Alternativo e outras entidades dirigiram à autoridades diplomáticas e governamentais, japonesas e brasileiras, uma Declaração condenando um acordo nuclear Brasil/Japão e defendendo um tratado de cooperação para o uso de energias renováveis entre os dois países.


O silêncio das autoridades referidas acima, frente a essa iniciativa, não abalou nossa convicção de que o diálogo é o melhor caminho para a consolidação da paz no mundo! Por isto mesmo, no terceiro ano da tragédia de Fukushima, dirigimos esta carta pública às mesmas autoridades, alertando, mais uma vez, para os prejuízos que o Japão vem causando à humanidade. Muitas pessoas se mataram por medo da radiação. Várias morreram durante a evacuação de mais de 160 mil pessoas que foram obrigadas a abandonar suas casas.  


Desde que a imprensa noticiou, em outubro passado, que o  Primeiro Ministro do Japão Shinzo Abe, reconhecendo a gravidade da situação, pediu ajuda tecnológica qualificada ao mundo todo para solucionar os impactos do acidente de Fukushima, aumenta por toda parte o temor pelo futuro do planeta, pois sabemos, todos, que usinas nucleares são mortais e a radiação atômica não respeita fronteiras. Apesar do apoio dos EUA e dos bilhões de dólares já gastos na "descontaminação", o fracasso para evitar o vazamento de radioatividade evidencia as dificuldades da tecnologia nuclear japonesa. Material radioativo continua fluindo das usinas para águas subterrâneas, desembocando no Oceano Pacífico. Mas o governo continua exportando esta perigosa tecnologia para países, como Índia, Turquia e Vietnã, ampliando o raio de ameaça para outros povos.


É preocupante que o governo esteja apoiando leis de sigilo que criminalizam autores de noticias sobre supostos "segredos" nucleares. Toda a mídia do Japão e até o New York Times se opõem a esta repressiva legislação, que poderá transformar em crime informação sobre a insegurança da tecnologia nuclear, vazamentos radioativos e perigos em usinas nucleares japonesas.
 
Dados oficiais, publicados no final de fevereiro, registram 1.656 mortes por estresse ou doença ligada à catástrofe atômica. Mas a justiça arquivou processo contra o governo japonês e os dirigentes da operadora da central nuclear Tokyo Electric Power, feita, em 2012, por cerca de 15 mil pessoas que tiveram casas e fazendas afetadas pela radiação.  Nas ruas, os japoneses  protestaram, exigindo punição para os responsáveis pelos danos causados por Fukushima.


Reafirmamos nossa solidariedade às vitimas da tecnologia atômica, em todo o mundo, e nosso apoio às exigências dos japoneses que anseiam pela imediata indenização de todos os trabalhadores e das populações afetadas pelo acidente de Fukushima; pela evacuação imediata das crianças e comunidades da região; pela revogação da lei que ameaça a liberdade e o direito à informação; pelo fechamento das usinas nucleares e pela não exportação desta tecnologia para outras partes do Planeta!


Brasil, 11 de Março de 2014
Articulação Antinuclear Brasileira
Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares
 


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