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Ciência

Isolamento social aumenta síndrome na visão

07.05.2020
 
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Isolamento social aumenta síndrome na visão

Aumento das atividades online pioram stress visual.  A longo prazo luz azul das telas pode causar graves doenças nos olhos. Entenda.

 

 

O trabalho home office, reuniões, treinamentos, aulas e eventos online imposto pelo isolamento na pandemia de coronavírus está aumentando o desconforto visual e deixa a visão embaçada  em todas as faixas etárias. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier a boa notícia é que não se trata de aumento do grau dos óculos ou lente de contato como muitos acreditam ao buscar por consulta. Na maioria dos casos é stress visual ou CVS (Computer Vision Syndrome), uma síndrome  decorrente de muitas horas com os olhos fixos nas telas digitais. 

 

Três levantamentos feitos pelo médico no hospital mostram que o stress visual nos dispositivos eletrônicos  atinge 30% das crianças, 75% dos jovens e adultos com até 40 anos de idade e 90% dos que já passaram dos 40. Os principais sintomas são sensação de areia nos olhos, visão embaçada e dor de cabeça.

 

Como identificar

Queiroz Neto afirma que independentemente da idade o primeiro sintoma é sensação de areia nos olhos e visão embaçada que faz quem usa óculos para corrigir miopia, hipermetropia ou astigmatismo acreditar que o vício refrativo aumentou.  "A visão embaça porque na frente dos dispositivos movimentamos pouco o globo ocular e piscamos 4 vezes menos - entre 5 a 6 vezes/minuto, contra 20/minuto normalmente. Isso resseca a lágrima e causa sensação de areia nos olhos", explica.

Outro fator importante são as 16,7 milhões de cores geradas pelas telas dos equipamentos. A grade variação de luminosidade sobrecarrega o esfíncter iriano, musculatura que regula a entrada de luz até a retina, onde são formadas as imagens.

Entre crianças até 8 anos de idade, quando os olhos completam seu desenvolvimento, o excesso de esforço visual para perto devido ao uso de dispositivos eletrônicos por mais de 2 horas  consecutivas, somado a esta variação na luminosidade dos equipamentos  e à falta de exposição ao sol que controla a progressão da miopia por ativar a produção de dopamina são fatores que aumentam o risco de alta miopia, uma importante causa de perda da visão causada por descolamento da retina, glaucoma e edema retiniano.

 

Iluminação

O oftalmologista complementa que a iluminação adequada também influi no stress visual e na produtividade, independente do dispositivo utilizado   e da idade. Isso porque, enxergamos através da luz que penetra em nossos olhos. Entretanto, as alterações anatômicas do globo ocular a partir dos 40 anos tornam a iluminação ainda mais importante, salienta.

 

Queiroz Neto explica que nesta faixa etária nosso cristalino perde o poder de acomodação que é a capacidade de focar a todas distâncias, reduzindo a visão de perto. É a presbiopia que faz com que 100% das pessoas necessitem usar óculos de leitura em algum momento depois dos 40. A perda da flexibilidade do cristalino e dos músculos ciliares que sustentam esta lente interna do olho, exige maior adaptação às mudanças de luminosidade. Por isso a prevalência da síndrome da visão no computador atinge 90% da população nesta faixa etária. Queiroz Neto destaca que a partir dos 50 anos o cristalino começa amarelar. É o processo da catarata que faz precisarmos três vezes mais iluminação aos 60 anos do que uma pessoa de 20 anos para enxergarmos com a mesma nitidez.

 

Riscos da navegação noturna

Queiroz Neto ressalta que todo nosso metabolismo é controlado por hormônios que são produzidos conforme nossa exposição aos comprimentos de luz emitido durante o dia e a noite, conhecido como ciclo circadiano. A tela do celular, tablet ou computador emite luz azul que é predominante durante o dia. Por isso, quando usamos estes dispositivos à noite enganamos nosso organismo que é dia. Resultado: temos insônia devido à da produção de hormônios que nos mantém em estado de alerta e deixamos de produzir melatonina, hormônio indutor do sono. O médico explica que estas alterações hormonais levam ao envelhecimento precoce que também antecipa a formação da catarata e expõe a retina a lesões que podem levar à perda permanente da visão. Por isso as principais dicas do médico são: evitar o uso de qualquer equipamento durante a noite, usar filtro de luz azul nos equipamentos e óculos com lentes que filtrem a luz azul para reduzir o risco de catarata e degeneração macular.

 

Eutrópia Turazzi

LDC Comunicação

 


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