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Federação Russa

Algumas conexões com o golpe na Ucrânia

28.02.2014
 
Algumas conexões com o golpe na Ucrânia. 19889.jpeg

Uma coletânea de leituras interessantes sobre como aconteceu o putsch na Ucrânia e o plano de fundo.

Max Blumenthal está procurando o plano de fundo histórico dos grupos nazistas na Ucrânia e há relações entre os grupos de exilados ucranianos nos EUA. As conexões são mais profundas do que se supõe:

"Muitos membros sobreviventes da Organização de Nacionalistas Ucranianos (OUN-B[1]) fugiram para a Europa Ocidental e os EUA - em alguns casos com a ajuda da CIA - onde silenciosamente construíram alianças políticas com elementos de direita. 'Você precisa entender; somos organização clandestina. Consumimos anos nos infiltrando silenciosamente em posições de influência' - disse um deles ao jornalista Russ Bellant, que documentou o ressurgimento daquele grupo nos EUA, em seu livro Old Nazis, New Right, and the Republican Party [Velhos Nazistas, Nova Direita e o Partido Republicano].[2]

Em Washington, a OUN-B foi reconstituída sob a bandeira do Comitê do Congresso Ucraniano dos EUA [orig. Ukrainian Congress Committee of America (UCCA)], organização guarda-chuva que reúne "todas as frentes da OUN-B", segundo Bellant.

Em meados dos anos 1980s, o governo Reagan parecia uma colmeia de membros do UCCA, com o presidente do Comitê, Lev Dobriansky, nomeado embaixador nas Bahamas; e sua filha, Paula Dobriansky, nomeada membro do Conselho de Segurança Nacional. Reagan deu boas-vindas pessoalmente a Stetsko, líder Banderista que comandou o massacre de 7 mil judeus em Lviv, quando chegou à Casa Branca em 1983 ("EUA apoiando neonazistas na Ucrânia? Complicados laços dos EUA com manifestantes declaradamente nazistas e fascistas na Ucrânia" [3]).


Paula Dobriansky foi uma dos neoconservadores ativos no governo Bush:


Segundo sua biografia divulgada pelo Departamento de Estado, Dobriansky "lecionou e publicou artigos, capítulos de livros e colunas jornalísticas sobre tópicos relacionados à política externa, que vão de políticas de direitos humanos para cidadãos do Leste Europeu, além de políticas de defesa, diplomacia pública, estratégias para promoção da democracia, Rússia e Ucrânia.[4]


Quem comanda o setor "Leste da Europa" no Departamento de Estado hoje é a conhecida neoconservadora Victoria "Foda-se a União Europeia" Nuland. O golpe em Kiev foi projeto dos neoconservadores.

Há também esse comentário de markfromireland no Blog de Ian Welsh:[5]


"Para eliminar a Rússia como ameaça à dominação norte-americana é preciso encher a Ucrânia como uma colmeia e usá-la como posto avançado contra o ressurgimento da Rússia.

Por isso os norte-americanos pressionaram tão massivamente a Comissão Europeia e governos europeus para trazerem a Ucrânia para a esfera econômica dos EUA e do noroeste da Europa. Com a Ucrânia no campo 'ocidental', eles podem minar os esforços russos para atrair as Repúblicas do Báltico de volta para a órbita da Rússia. Sem a Ucrânia, torna-se muito mais difícil."


No artigo abaixo referido há denúncias de que setores dos neonazistas que atacaram os policiais em Kiev foram treinados em países da OTAN. Não verifiquei essas denúncias, mas parecem plausíveis:


Há grande número de centros de treinamento patrocinados pela OTAN para militantes ultranacionalistas ucranianos, reabertos no território dos estados do Báltico imediatamente depois de se terem unido à OTAN em 2004. Foto-reportagem detalhada de um grupo de ucranianos em treinamento para atividades subversivas num centro de treinamento da OTAN na Estônia em 2006, encontra-se em (...) (textos russos).

Abundantes recursos financeiros e humanos foram diretamente usados para dar treinamento a unidades paramilitares do movimento radical UNA-UNSO, do partido Svoboda e de outras organizações ultranacionalistas na Ucrânia. Desde 1990s esses bandidos participavam nas guerras da Chechênia e dos Bálcãs lutando ao lado de militantes wahhabistas (!) radicais e cometendo crimes contra soldados e civis russos e sérvios capturados. Um desses conhecidos militantes terroristas de origem ucraniana ativo na Chechênia, Olexander Muzychko (codinome Sasha Biliy, conhecido líder de gangue) comanda hoje uma brigada do "Setor Direita", os radicais que produziram o golpe de estado que está em andamento em Kiev" ("Ucrânia: fermenta um estado criminoso neonazista no centro da Europa - Análise"[6]).


Há relatos, também mencionados no artigo acima, de fontes russas, de que forças especiais israelenses também estão envolvidas com os neonazistas antissemitas na Ucrânia. Poderia soar implausível, se não se soubesse que arrastar o maior número de judeus para Israel é política de estado do 'estado judeu'.[7] Meio eficaz para isso é promover forças antissemitas, para aterrorizar judeus que ainda vivam em seus países natais - o que faz pleno sentido com outras políticas de Israel que também são essencialmente antissemitas, como se vê no contexto da coluna cujo excerto lê-se aqui, abaixo:


"Juro pela minha vida que não entendo judeus que vivam na França. Não entendo judeus que vivam na Polônia. Não entendo o judeu que viva no Afeganistão (nem o que viva na Eritreia), e não acredito que ainda haja 100 judeus no Egito, na Argélia, no Iraque ou em Botswana. Não entendo judeus que ainda vivam na Ucrânia e, para ser bem honesta, tampouco entendo que algum judeu ainda viva nos EUA. 

...

Mas, falando sério - se você é judeu e ainda vive na Ucrânia, por que não está fazendo as malas? Se você é judeu e vive na França, você realmente espera que as coisas melhorem? E se você é judeu e ainda vive nos EUA, você tem alguma esperança de que seus netos ainda sejam judeus?"[8]


Chinahand, codinome Peter Lee, explica como os EUA, ao ameaçar impor sanções contra um oligarca, conseguiram mudar a maioria no Parlamento ucraniano e fazê-la votar contra Yanukovich ("Parece que os EUA jogaram duro & sujo na Ucrânia... e contra a União Europeia[9]):


Assim, com olhos menos generosos, pode-se suspeitar de que os EUA estimularam as manifestações e incentivaram os grupos a romper a trégua, apostando em que (a) haveria violência e (b) os gatos gordos que ainda apoiavam Yanukovich, como Akhmetov, logo abandonariam o barco, porque os EUA já os haviam informado de que o dinheiro deles depositado no Ocidente seria congelado (sob sanções que os EUA imporiam imediatamente).

Se isso tiver acontecido bem assim, a União Europeia tem razões extras para sentir-se traída pelos EUA. Ao romper a trégua e o acordo de transição, Nuland demoliu Yanukovich e pôs na roda o preferido dos EUA, "Yats" - Arseniy Yatsenyuk. Mas ao custo de alienar definitivamente o segmento pró-Rússia da Ucrânia, segmento, deve-se lembrar, que realmente conseguira eleger Yanukovich em eleições livres e justa, há pouco tempo.


Não espero que a Rússia mova sequer uma palha na Ucrânia. Putin agora se porá numa poltrona confortável para assistir o "ocidente" engalfinhar-se, cada lado tentando empurrar para o outro o serviço de jogar dinheiro no poço sem fundo em que se tornará a Ucrânia. Nenhum político em Kiev que sonhe com ser algum dia reeleito se atreverá a assinar acordos com o FMI, que jogarão uma geração inteira do povo ucraniano na mais horrenda miséria.

A menos que comecem pogroms nazistas nas partes da Ucrânia ligadas à Rússia, Putin agora só terá de esperar que a maçã caia da árvore. ******

 


[1] Organization of Ukrainian Nationalists. Mais em http://en.wikipedia.org/wiki/Organization_of_Ukrainian_Nationalists [NTs].

[2] http://www.amazon.com/Old-Nazis-Right-Republican-Party/dp/0896084183

[3] Orig. "Is the U.S. Backing Neo-Nazis in Ucrânia? Exposing troubling ties in the U.S. to overt Nazi and fascist protesters in Ucrânia", em http://www.alternet.org/tea-party-and-right/us-backing-neo-nazis-ukraine?paging=off&current_page=1#bookmark

[4] http://www.rightweb.irc-online.org/profile/Dobriansky_Paula

[5] http://www.ianwelsh.net/scenarios-for-ukraines-future/#comment-57636

[6] http://www.eurasiareview.com/25022014-ukraine-neo-nazi-criminal-state-looming-centre-europe-analysis/

[7] http://www.israelhayom.com/site/newsletter_article.php?id=15593

[8] http://blogs.timesofisrael.com/what-are-you-waiting-for/

[9] "Looks Like US Played Hardball in the Ucrânia...and Against the EU" http://chinamatters.blogspot.de/2014/02/looks-like-us-played-hardball-in.html (em tradução) [NTs].

25/2/2014, Moon of Alabama - http://www.moonofalabama.org/

 


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