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Viagem final da imperatriz russa Maria Fiodorovna

24.09.2006
 
Viagem final da imperatriz russa Maria Fiodorovna

“ A imperatriz Dagmar inicia agora sua viagem final ao país que amou tanto” disse ontem Pavel Kulikovsky, um dos descendentes da imperatriz russa em relação de seu resepultamento.

 Os restos de Maria Fiodorovna Romanova, nascida princesa Dagmar , mãe de Nicolau II, último czar da Rússia, abandanaramno sábado a Dinamarca, seu país natal, para iniciar uma viagem a bordo do navio da Marinha dinamarquesa "Esben Snare", que terminará na próxima quinta-feira, em São Petersburgo. 

Ali, no jazigo dos Romanov - a dinastia que governou a Rússia até a revolução bolchevique, em 1917 -, a imperatriz descansará novamente junto a seu esposo, o czar Alejandro III, e voltará ao país aonde chegou há 140 anos e no qual viveu mais de meio século.

Milhares de dinamarqueses lotaram hoje o porto de Copenhague para dar seu último adeus à czarina - nascida princesa Dagmar da Dinamarca (1847-1928) - na presença da família real dinamarquesa e de representantes dos Governos dinamarquês e russo, assim como da Igreja ortodoxa e de descendentes da dinastia Romanov.

A delegação do Governo russo foi encabeçada pelo ministro da Cultura , Alexander Sokolov, e o vice-ministro dos Negócios Extrangeiros , Vladimir Titov.

Os restos mortais da czarina foram levados em um carro da catedral para Copenhague, por onde desfilou transportado por uma carruagem.
A mudança conclui um processo iniciado há oito anos, quando Nikolai Romanov, chefe da Casa Real russa, fez os primeiros contatos com a rainha Margarida II da Dinamarca, depois que os restos de Nicolau II, sua esposa e seus filhos, foram sepultados no jazigo dos Romanov.


Filha de Christian IX e Luisa de Dinamarca, Dagmar se converteu à religião ortodoxa com o nome de Maria Fiodorovna para se casar com Alejandro III, com quem teve seis filhos, dentre os quais Nicolau II, executado em 1918 pelos bolcheviques junto com sua esposa, suas quatro filhas e o herdeiro do trono, em Yakaterimburgo.
Após o início da Revolução, a Czarina foi com sua pequena corte para a Criméia, onde viveu em perigo constante durante dois anos, em meio ao assédio do Exército vermelho.


Em abril de 1919, um navio da Marinha inglesa conseguiu tirar a imperatriz da Criméia, junto com suas duas filhas, genros e netos.
Após uma breve estadia na Inglaterra, a imperatriz voltou a seu país de origem, onde passou seus últimos anos sem que nunca chegasse a aceitar a morte de seu filho Nicolau II, proibindo inclusive a realização de qualquer funeral.

 
Hoje, 87 anos após sua morte e seguindo o desejo expresso em seu testamento, Maria Fiodorovna iniciou a viagem final ao som dos acordes de uma canção de Hans Christian Andersen, para se reunir a seu filho, seu esposo e os outros Romanov em sua pátria de adoção.

Com BBC, Interfax 


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