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Federação Russa

MRE da Rússia sobre apoio humanitário na Ucrânia

24.08.2014
 
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Ministério de Relações Exteriores da Rússia: declaração sobre entrega de ajuda humanitária no sul da Ucrânia - Os infindáveis adiamentos para o início da entrega de ajuda humanitária no sul da Ucrânia tornaram-se intoleráveis.

Os infindáveis adiamentos para o início da entrega de ajuda humanitária no sul da Ucrânia tornaram-se intoleráveis. 

22/8/2014

Um comboio de caminhões com várias centenas de toneladas de ajuda humanitária urgentemente necessária para a população naquelas regiões permaneceu estacionado, impedido de avançar, já faz agora uma semana, na fronteira russo-ucraniana. Ao longo desse período, os russos fizemos esforços sem precedentes, em todos os níveis, para atender às muitas formalidades que nos foram exigidas.

Atendemos todas as demandas concebíveis e inconcebíveis que nos foram apresentadas pelos ucranianos, e entregamos ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha [orig. International Committee of the Red Cross (ICRC)] listas completas dos itens de alimento, água potável, medicamentos e outros itens essenciais e dos geradores a diesel a serem entregues em Lugansk, onde são mulheres, crianças e idosos precisam urgentemente deles. Essas pessoas estão expostas aos horrores de ataques aéreos e de artilharia diários que já resultaram em número sempre crescente de mortos e feridos e destruíram toda a infraestrutura vital na área.

Repetidas vezes atendemos pedidos para deixar checar e rechecar nossa rota de embarque, para coordenar procedimentos para a entrega do material e assinamos todos os documentos exigidos com a Cruz Vermelha. Oferecemos todas as garantias essenciais de segurança, de nossa parte e as correspondentes às forças de autodefesa. Essas garantias aplicam-se ao comboio russo e a outras ajudas humanitárias que estão sendo enviadas para Lugansk pelas autoridades de Kiev.

Simultaneamente, contudo, Kiev vem adiando, já agora por vários dias, o seu consentimento formal que a Cruz Vermelha exige, e insiste em inventar pretextos sempre novos, ao mesmo tempo em que escala nos ataques contra Lugansk e Donetsk que envolvem artilharia militar e veículos blindados pesados, tomando por alvos áreas residenciais e outras instalações civis. Ao longo dos últimos dias, o lado ucraniano tem lançado mísseis balísticos, inclusive os mortais mísseis Tochka-U, cada vez mais frequentemente.

Dia 21 de agosto, a situação parecia ter sido resolvida, quando autoridades ucranianas finalmente informaram à Cruz Vermelha que liberariam o envio da ajuda humanitária para entrega imediata em Lugansk. O lado ucraniano confirmou oficialmente que estava autorizando, sem novas condições, que o comboio iniciasse viagem, em conversa telefônica entre os ministros de Relações Exteriores da Rússia e da Ucrânia. Dia 20 de agosto, foram iniciados os procedimentos de liberação e autorização de fronteira no posto de controle de Donetsk. Mas, dia 21 de agosto, o procedimento foi suspenso; funcionários disseram, como explicação, que havia bombardeio muito mais intensivo em Lugansk.

Em outras palavras: as autoridades ucranianas bombardeiam cada vez mais violentamente os pontos de destino da ajuda humanitária, e usam o bombardeio como pretexto para impedir a chegada de ajuda humanitária.

Tudo indica que Kiev decidiu completar a "limpeza" de Lugansk e Donetsk a tempo para as celebrações do Dia da Independência, dia 24 de agosto. É cada vez mais aparente que a atual liderança ucraniana está deliberadamente atrasando a entrega da ajuda humanitária, até que já não haja ninguém vivo a quem a ajuda possa ser entregue. Muito provavelmente, esperam alcançar esse resultado antes dos encontros marcados para o dia 26 de agosto em Minsk.

A Rússia não pode aceitar e declaradamente rejeita a manipulação flagrante, por forças externas, dos especialistas internacionais envolvidos na preparação dessa operação. Sucessão infindável de sinais e mensagens contraditórios e mutuamente excludentes que temos recebido é indicação segura de que estão em andamentos jogos por trás das cortinas, que visam a objetivos que nada têm a ver com os objetivos da ajuda humanitária. Os que controlam esses eventos e boicotam esforços para salvar vidas e mitigar os sofrimentos de seres humanos doentes e feridos abandonaram os princípios básicos da vida em sociedade.

Solicitamos ao Conselho de Segurança da ONU que declare imediatamente um armistício humanitário, mas essas propostas são invariavelmente bloqueadas por governos que muito falam sobre eles, mas não respeitam os valores humanos universais. A última vez que aconteceu foi dia 20 de agosto, quando os EUA e outros membros ocidentais do Conselho de Segurança recusaram-se a manifestar-se a favor de um cessar-fogo durante a entrega de ajuda humanitária em Lugansk, por comboios russos e ucranianos.

Voltamos a afirmar, mais uma vez: demos todas as garantias que nos foram pedidas para a passagem do comboio humanitário. A Cruz Vermelha reconheceu oficialmente aquelas garantias. As rotas da entrega são conhecidas e foram checadas por uma missão da Cruz Vermelha. Todos os documentos foram fornecidos. Os carregamentos estão prontos para serem vistoriados por guardas de fronteira e de alfândega ucranianos que esperam - já, agora, há uma semana - no posto de controle de Donetsk na Região de Rostov. As capitais que se têm mostrado tão terrivelmente preocupadas com a situação no sudeste da Ucrânia sabem muito bem disso tudo. Esse sem fim de pretextos e exigências artificiais tornou-se inadmissível.

Já não é possível tolerar o desrespeito à lei, a quantidade impressionante de mentiras e a incapacidade para construir e respeitar acordos. Todos os pretextos para adiar a entrega de ajuda humanitária na área de desastre já se esgotaram. Os russos decidimos agir.

Nosso comboio humanitário está em viagem na direção de Lugansk. Claro que estamos prontos a permitir que a Cruz Vermelha escolte o comboio e participe no trabalho de distribuir a ajuda. Esperamos também que representantes da Sociedade Cruz Vermelha Russa participe dessa missão.

Alertamos contra quaisquer tentativas para desvirtuar essa missão puramente humanitária, que exigiu muito tempo para ser preparada em condições de completa transparência e cooperação com o lado ucraniano e a Cruz Vermelha. Os que só se interessam por continuar a sacrificar vidas humanas às suas próprias ambições e objetivos geopolíticos e que estão agredindo violentamente as normas e princípios da lei humanitária internacional que assumam total responsabilidade pelas consequências de opor tais e tantas provocações contra o comboio de ajuda humanitária.  (Negritos acrescentados pelo Saker)

Mais uma vez, conclamamos a liderança ucraniana, e os EUA e a União Europeia, que têm aplicado forte influência sobre Kiev, que iniciem imediatamente negociações no sudeste da Ucrânia; e que passem imediatamente a respeitar os acordos formalizados dia 17 de abril de 2014 na Declaração de Genebra, por Rússia, Ucrânia, EUA e União Europeia, no sentido de pôr fim ao emprego de força, mitigar a situação humanitária e iniciar imediatamente um diálogo nacional que deve envolver todas as regiões da Ucrânia. ***** 

 


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