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Exército da União Europeia: mais um sinal de impotência

16.03.2015
 
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Exército da União Europeia: mais um sinal de impotência
10/3/2015, The Saker, The Vineyard of the Saker
http://thesaker.is/the-european-unions-military-yet-another-sign-of-impotence/

Vocês com certeza ouviram falar da tentativa europeia para dar alguma relevância ao 'continente': agora inventaram de criar um "Exército da União Europeia".[1] Em parte, é tentativa, pelos europeus, de mostrar que são importantíssimos e que sabem fazer alguma coisa sem serem mandados, que não são completamente lacaios dos EUA. Pode também ser reação às sandices do general Philip Breedlove, comandante do Supremo Comando Europeu e do Comando Aliado (dos EUA) na Europa [orig. U.S. European Command and the Supreme Allied Commander Europe (SACEUR)]  cujas declarações incendiáriasvaleram-lhe até resposta em várias páginas na revista Der Spiegel (circulam rumores de que os europeus querem demitir Breedlove).


Seja como for, a ideia de inventar-se algum tipo de exército europeu não é novidade - já existiram a Brigada Franco-Alemã e o Eurocorps. Tudo muito bem, mas só no papel. A realidade é que ninguém, na Europa, tem dinheiro para pagar por nenhum futuro exército da União Europeia. Mas, ainda pior, é que mesmo dentro da OTAN a contribuição europeia é praticamente nenhuma.

Para começar observem esse gráfico que mostra a contribuição de cada estado-membro da OTAN em 2013 (imagem em http://thesaker.is/wp-content/uploads/2015/03/Selection_081.jpg).

Claro que os EUA pagam a parte do leão, e se se acrescenta a parte do poodle britânico, a anglofatia cresce ainda mais. E não é tudo. Considerem-se os dois países seguintes (e praticamente os únicos) relevantes, Alemanha e França. Não apenas a contribuição financeira deles é muito pequena, como seus respectivos exércitos são total lástima. Rússia Insider acaba de publicar excelente análise das condições atuais do exército alemão, à qual gostaria de acrescentar outro artigo, intitulado "O Exército francês não tem um vintém e está com a moral abaixo de zero" - que chega a conclusões semelhantes sobre os franceses em armas.

E quanto ao resto da OTAN? - vocês podem perguntar.

São piada ainda mais patética que França e Alemanha. Os únicos militares que restaram são o exército turco, que jamais aceitará participar de 'exército europeu' e que, aliás, provavelmente nem seria convidado (porque os europeus ainda nem admitiram que "os muçulmanos" entrem na União Europeia, para começo de conversa!). O que resta são forças aéreas e marinhas semidecentes, mas sem reais capacidades combinadas de armas. Para concluir, a Europa inteira sempre dependeu dos EUA para inteligência, principalmente inteligência de guerra. Implica dizer que aquelas forças armadas e marinhas são, de fato, completamente dependentes do Tio Sam.

O que nos deixa com palhaços da Europa Central como Polônia e Lituânia. Para avaliar a real 'contribuição' deles, basta pensar no exército da Geórgia em 2008, que foi totalmente treinado e integralmente equipado pela mesma gente que está treinando e equipando os centro-europeus.

A verdade é que ninguém na Europa tem dinheiro para qualquer coisa além de ar engarrafado, e os militares europeus só servem para esse enfatuado sacudir dos sabres, não convincente, que exibiram a Noruega ou as 'forças navais' da OTAN no Mar Negro (no Mar Negro, qualquer navio é sempre alvo fácil para o exército russo). E, além de nada disso atemorizar ou 'conter' a Rússia, que, para começar a conversa, não tem qualquer intenção hostil, só contribuirá para piorar as relações, como já se viu na recente decisão dos russos de afastarem-se completamente do Tratado das Forças Armadas Convencionais na Europa [ing. CFE].

Essa mais recente iniciativa dos europeus, longe de sinalizar qualquer tipo de 'despertar' europeu, é só mais uma prova da espantosa carência de capacidade política para governar, dos 'líderes' que estão no poder em Bruxelas e nas capitais europeias. Muuuuuuuuuuuuito mais importante e significativo, como demonstração de poder e de dignidade, seria simplesmente dizer "não" a qualquer das ordens que Tio Sam dá àqueles eurocretinos.

Mas isso - é pena -, não acontecerá tão cedo.

[assina] The Saker

 


[1] Ver também "Racha na Aliança Atlântica. Mentiras e provocações da OTAN", 10/3/2015, Mike Whitney, Counterpunch (traduzido em Redecastorphoto) [NTs]

 


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