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Federação Russa

Programa pré-eleitoral de Medvedev

15.02.2008
 
Programa pré-eleitoral de Medvedev

Dmitri Medvedev, o candidato às presidenciais russas de 2 de março, revelou hoje seu programa pré-eleitoral. Medvedev prometeu para seu eventual mandato uma redução generalizada de impostos e fortes incentivos fiscais para os investimentos privados no setor social.
Caso Medvedev ganhe as eleições, Putin será seu premier.


"Melhor a liberdade que a falta de liberdade", disse ele durante o discurso, defendendo a independência dos poderes.

Os quatro objetivos de seu mandato, segundo ele, serão "instituições, infra-estrutura, inovação e investimentos". De acordo com Medvedev, a Rússia e os Estados Unidos estão destinados à cooperação, "qualquer que seja a posição" de quem conduza os governos.

"Certamente, como qualquer pessoa que é candidata presidencial, tenho minha idéia sobre os candidatos que participam das primárias norte-americanas", disse Medvedev, ao apresentar sua plataforma econômica, informou a agência de notícias Interfax.

"Mas penso outra coisa que é ainda mais importante: os Estados Unidos e a Rússia deverão cooperar qualquer que seja a predisposição ou a posição de seus líderes. É inevitável". O candidato também se pronunciou por um sistema judicial mais independente do poder.

"A maioria dos burocratas que estão nos conselhos de administração não deveriam estar ali", declarou, em alusão à participação de grandes grupos industriais públicos criados sob a presidência de Putin.

"Deveriam ser substituídos por dirigentes realmente independentes contratados pelo Estado para trabalhar por seu bem", acrescentou, em declarações divulgadas na rede de televisão Vesti-24.

"Uma parte importante das funções destes organismos públicos deverá recair em mãos do setor privado" e o governo precisará empregar mais esforços para proteger a propriedade privada, acrescentou.

Medvedev é primeiro-vice-primeiro-ministro e chefe do conselho de administração do gigante do gás Gazprom, a empresa acusada pelos países ocidentais de ser utilizada como arma econômica contra os vizinhos da extinta União Soviética.

Ex-professor de Direito, Medvedev é visto como alguém muito mais liberal que muitos dirigentes do Kremlin, embora considerado pouco progressista em matéria de democracia.

Putin, que o elegeu sucessor depois das legislativas de dezembro, anunciou que estaria disposto a ser primeiro-ministro se Medvedev ganhasse.

Medvedev, segundo as pesquisas da opinião pública, tem a segurança de ser eleito já no primeiro turno com mais de 60% dos votos, segundo as últimas pesquisas, faz suas várias idéias do presidente atual: desde a necessidade de reduzir a dependência da economia russa das matérias-primas, sua principal fonte de receita, até o desenvolvimento da classe média.

"Estes objetivos são ambiciosos mas, do meu ponto de vista, completamente realistas", disse, destacando que a corrupção é "a mais grave enfermidade que afeta nossa sociedade".

Medvedev também prometeu trabalhar pela estabilidade do rublo, uma questão prioritária para Putin, assim como instaurar o pagamento em rublos para as exportações de matérias-primas e transformar a Rússia num "dos mais importantes centros financeiros do mundo".

Putin garantiu o restabelecimento de uma certa estabilidade na Rússia, fortalecida por um sólido crecimento (7% em média anual), depois da tormenta pós-soviética dos anos 90.

Também se distinguiu por fortalecer o papel do Estado na economia, em particular no setor do petróleo e gás, em indústrias como a aeronáutica, e nas novas tecnologias.

O discurso de Medvedev foi bem recebido nos meios econômicos. "Penso que é liberal, inclinado para a economia de mercado mesmo com a longa experiência que possui nos grandes grupos do Estado como Gazprom", reagiu Katia Malofeieva, economista do banco Renaissance Capital de Moscou.


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