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Federação Russa

Governo russo anuncia medidas contra sanção imperial dos EUA

12.08.2014
 
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O presidente Putin anunciou a suspensão da importação de carne e produtos agrícolas dos EUA, UE e outros países que aderiram à guerra econômica de Washington. Lista plena sai em breve

Em sua primeira contramedida às sanções contra a Rússia, o governo Putin anunciou na quarta-feira (6) a suspensão por um ano da importação de carne e produtos agrícolas dos EUA, União Europeia e outros países que aderiram à guerra econômica de Washington. A lista ainda está sendo preparada, mas o decreto já está assinado. De acordo com o "Guardian", a Rússia é o segundo maior mercado da Europa para alimentos e bebidas.

Após promoverem um golpe de estado na Ucrânia com uso de nazistas, derrubando um presidente eleito a menos de um ano das próximas eleições, e empurrarem a Junta que impuseram para reprimir a população de origem russa, os EUA e seus vassalos europeus começaram uma guerra econômica contra Moscou, após a reunificação da Crimeia - em referendo - com a Rússia e o levante antifascista no leste. Aproveitando-se da derrubada do Boeing da Malasia Airlines, e antes de qualquer investigação, acusaram de novo a Rússia e escalaram as sanções para atingir setores chaves, como energia e tecnologia, e dificultar o acesso ao sistema financeiro ocidental.

Na véspera, Putin havia dito em reunião com líderes regionais que "o uso político de pressão econômica era inaceitável e contraria todas as normas e regulações internacionais", acrescentando ter dado ordens para estimular a produção industrial doméstica. O chanceler Sergei Lavrov já havia declarado que as sanções acabariam por fortalecer a capacidade de produção da Rússia e a confiança nas próprias forças. O que reforça a necessidade da Rússia de reindustrialização - em parte dizimada após a dissolução da União Soviética e fim do socialismo - e de menor dependência da exportação de petróleo, gás e matérias primas.

O governo russo também assinalou que tomará medidas para deslocar as importações agrícolas agora suspensas para outros fornecedores, como o Brasil e o Equador. Putin assinalou que o governo será "cauteloso", porque pretende fortalecer a produção nacional "sem prejudicar os consumidores".

Também na terça-feira (5) o jornal "Vedomosti" registrou que a Rússia estava estudando limitar, ou mesmo bloquear completamente os vôos de empresas européia para a Ásia através da Sibéria - que é a rota mais econômica -, em resposta às sanções da União Européia à subsidiária da Aeroflot, Dobrolot, que teve seus vôos suspensos na segunda-feira (4) por ter passado a operar na Crimeia. Embora a notícia não tenha sido confirmada, causou baixa de 3% nas ações das empresas aéreas européias no dia seguinte, após divulgação que a mudança de rota custaria US$ 1 bilhão em um ano.

Como o presidente Putin tem advertido, as sanções vão funcionar como boomerang, atingindo quem as lançou. A Associação das Câmaras Alemães de Comércio e Indústria (DIHK, na sigla em alemão) advertiu que as exportações para a Rússia devem despencar 17% este ano. Em março, já tinham caído 7,2% (ano sobre ano); menos 16,9% em abril; e menos 17,5% em maio. 300 mil empregos no país dependem das exportações para a Rússia.

LONDRES: BAQUE NA CITY

Londres, o centro financeiro preferido dos oligarcas russos, também já está sentido o baque decorrente das sanções. A Bloomberg reportou que as compras de empresas envolvendo companhias russas desabou 39% para US$ 16,6 bilhões no primeiro semestre. Já o gasto de turistas russos em lojas de Londres entre janeiro e maio caiu 22% em relação a igual período do ano passado, segundo a empresa especializada Global Blue. Quanto aos EUA, de acordo com o site "zerohedge", as sanções já provocaram uma queda de 34% nas exportações para a Rússia.

Analistas têm apontado que as sanções possivelmente irão ajudar Putin em um dos seus objetivos centrais, a repatriação dos bilhões que foram levados pelos oligarcas para paraísos fiscais e agora estão sob ameaça das sanções decretadas por Washington. Putin havia chamado os paraísos fiscais de "epidemia da economia mundial", acrescentando que "temos que pensar sobre como trazer de volta esse dinheiro".

A Rússia também tem acelerado os trâmites para mudar o comércio com os parceiros econômicos do dólar para as próprias moedas de cada parte e, como membro dos Brics, participa da instituição de um banco de investimento e um fundo de reservas do grupo. Como um dos maiores produtores mundiais de petróleo e gás, ao passar a comercializá-los em outras moedas que não o dólar, a Rússia golpeia um dos principais esteios do dólar como moeda de reserva mundial. Até aqui, a comercialização de petróleo e gás vinha sendo feito exclusivamente em dólar. 

ANTONIO PIMENTA - Jornal Hora do Povo                                                    

 


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