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Natal na Rússia

05.01.2009
 
Natal na Rússia

Rússia celebra o Natal Ortodoxo dia 7 de Janeiro. Apresentamos um breve sumário apontando as tradições mais comuns, passando pelos símbolos do Natal Ortodoxo, as comidas e o significado desta data.

São Nicolau é o Padroeiro da Rússia, dos marinheiros e das crianças, a figura benevolente que traz prendas em 6 de Dezembro, 25 de Dezembro o no dia 6 de Janeiro, dependendo do país e da religião/cultura. Na Rússia a véspera de Natal celebra-se dia 6 e os seguintes 12 dias são Dias Santos, para celebrar o nascimento de Cristo, segundo o calendário Juliano.

São Nicolau existia em carne e osso. Nasceu em 217 DC, em Mira, Ásia Menor, cidade da qual se tornou Bispo, no século IV DC. Ficou ligado à dádiva de prendas devido a dois mitos: que ele salvou três filhas dum homem pobre da prostituição, dando a cada uma delas um saco de ouro; em outro, salvou três oficiais da marinha da morte, aparecendo depois nos seus sonhos – daí o nome do doce que se come em Portugal nesta época (sonhos).

Originalmente, davam-se as prendas no dia 6 de Dezembro mas foi alterado quando no século IV DC, o Papa Júlio I (337-352) fixou o dia 25 de Dezembro como o dia do nascimento de Jesus, porque foi um dia que coincidia com a festa romana de Saturnália, e as festas pagãos dos germânicos e celtas do Solstício do Inverno (21 de Dezembro). Foi no século XIII que começou o hábito de construir presépios para celebrar o nascimento de Cristo.

A Igreja Ortodoxa depois mudou este festival para o Dia de Epifania (dia da adoração, 6 de Janeiro), quando os Reis magos trouxeram presentes ao menino Jesus no estábulo porque segundo o calendário Juliano, o Natal está desfasado do calendário Gregoriano por duas semanas. É neste dia que se celebra o Natal na Rússia mas quem traz as prendas é Ded Moroz (Avó Geada), e Snegoroushka (a Menina de Neve). Ded Moroz é talvez o original Pai Natal, com sua barba branca e longa e suas roupas compridas.

Na Rússia, a véspera do Natal é celebrado com vários pratos típicos, com toda a família junta, e em algumas casas, lugares postos para os familiares que já morreram. A refeição (A Ceia Santa) é grande, pois termina um período de jejum. Porém, não é costume comer carne. A festa começa quando a primeira estrela aparece no Céu. Na mesa, um pano branco, representando o pano que cobriu o menino Jesus. Algumas pessoas colocam palha a volta da mesa, simbolizando simplicidade e uma vela é acesa na mesa (Luz de Cristo). A árvore (yolka) é decorada antes da refeição

Tradicionalmente, o Pai da família reza a Oração do Nosso Senhor e diz “Cristo nasceu!” Os familiares presentes dizem “Glorificam-no!” e a mãe faz o sinal da cruz com mel em todos presentes, dizendo “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que tenham doçura e muitas coisas boas na vida durante o ano que vem”.

O grupo depois partilha o pão, que colocam no mel (doçura) e depois em bocados de alho (amargura), na vida.

A comida varia de região a região, mas entre os mais tradicionais são os seguintes 12 pratos, simbolizando os 12 apóstolos:

Kutya, um pudim de grãos (trigo, etc), passas, mel, e sementes de papoila. Os grãos simbolizam esperança, o mel – felicidade e as sementes – paz. A Kutya é comida do mesmo prato, simbolizando a unidade;

Pagach, um pão grande, colocado ao lado da vela;

Sopa de Zaprashka, (cebola picada e farinha), com cogumelos;

Alho picado ou ralado;

Mel;

Bacalhau assado ou peixe;

Frutos secos ou frescos;

Nozes;

Feijoada;

Ervilhas ou lentilhas;

Batatas pequenas cozidas;

Bobal’ki (pequenos biscoitos com sementes ou couve)

Bebidas

Depois da Ceia Santa, abrem-se as prendas, a família assiste a Missa na Igreja e volta a casa tarde. Tradicionalmente, pessoas caminhavam nas aldeias depois da Ceia ou no dia seguinte, cantando Kolyadki, canções a Jesus (o nome provém da Deusa Kolyada, que trazia dias mais compridos).

Como se vê, os russos, como qualquer outro povo, é um povo feliz, gosta de sorrir, de rir, de celebrar e de estar junto da família, gosta de paz, gosta de felicidade e gosta de desejar o Bem e a sorte para todas as pessoas não só no seio da família, mas também no resto do mundo – um mundo que poderia fazer um pouco mais para os entender como são e não como são pintados.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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