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Comemorando a 185ª Batalha de Pichincha

31.05.2007
 
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Comemorando a 185ª Batalha de Pichincha

 Rafael Correa, presidente do Equador, condecora Manuela Sáenz, uma das maiores heroínas da História, com motivo do 185º aniversário da Batalha de Pichincha, que deu a independencia a Quito da Espanha. É uma maravilhosa homenagem a Manuela Sáenz e a todas as mulheres, resgatando o momento atual que o país vive.
Rafael Correa, presidente do Equador, condecora Manuela Sáenz, uma das maiores heroínas da História

Manuela Sáenz: Valentia e paixão na luta pela libertação das Américas

"Manuela Sáenz, se ontem foste a luz morena do Pichincha, hoje és, e para sempre, Generala da República do Equador", afirmou o presidente do Equador, Rafael Correa, em discurso que publicamos na íntegra...


Desde os primeiros dias do governo da Revolução Cidadã iniciamos uma espécie de balanço e reparação do que o Neoliberalismo havia produzido com sua ignominiosa prepotência, selvageria e insensibilidade.


Em 15 de janeiro dissemos: que ninguém tenha dúvida, nosso governo será bolivariano e alfarista (referência a Eloy Alfaro, líder da revolução liberal no Equador). Hoje, 24 de maio, ao comemorar 185 anos da Batalha de Pichincha, começamos a ajustar contas com a História.


O nome de Manuela Sáenz foi escondido, vilipendiado, esquecido por décadas e décadas. As cartas íntimas, diários e documentos foram ocultados por mais de 130 anos. Para muitos, não cabia enaltecer a figura de quem lhes parecia mais concubina e adúltera que a expressão mais pura da revolução, da coragem, da independência e do amor.
Essa Manuelita Sáenz Aizpuru, que padeceu a pecha social de ser filha ilegítima, entregue, de acordo com as convenções da época, ao Monastério de Santa Catalina, órfã de mãe, ganhou o carinho de sua madrasta e o amor de seu pai, Simon Sáenz. Os registros de sua infância a mostram brincando no jardim, com olhos vivos e curiosos, solta e bela em seu espírito insubordinado, como antecipando o que seria a prática de sua vida: a curiosidade, a valentia e a paixão.


ORDEM DE CAVALEIRA DO SOL


Após seu casamento, Manuela reside em Lima e nessa cidade se inicia sua cruzada libertária. Influi para que o batalhão espanhol Numancia rompa as amarras com os conquistadores e forme parte das fileiras patrióticas. Sua atividade conspirativa lhe valeu o reconhecimento do General José de San Martín, que a condecorou com a Ordem de Cavaleira do Sol.


Fez amizade com Rosita Campuzano, de Guaiaquil, companheira de amor e ideais de San Martín. De volta a Quito, e com os acontecimentos da Batalha de Pichincha, Manuela se incorpora à luta ao se apresentar para colaborar com o exército independentista. Participa no auxílio aos feridos e, após a capitulação espanhola, faz amizade com o Marechal Sucre. Conhece Bolívar em 16 de junho de 1822, e se inicia um dos mais belos romances de nossa história.
Em setembro de 1823, Bolívar se encontra em Lima e ao interar-se de um motim em Quito, escreve a Manuela expressando sua preocupação e admiração por dissolver "... com a intrepidez que te caracteriza, esse motim que emperrava a ordem legal estabelecida pela República..."; assim mesmo pede que venha imediatamente a Lima para assumir a Secretaria da Campanha Libertadora e de seu arquivo pessoal, e ordena ao Coronel O´Leary realizar os arranjos necessários para a chegada de Manuela e sua incorporação ao Estado Maior Geral com o posto de soldado de cavalaria.


Em 9 de junho de 1824, Bolívar, do Quartel Geral de Huaraz, convida Manuela a marcharem juntos para Junín. A resposta de Manuela, dada em 16 de junho, revela sua maneira orgulhosa e altiva: "... meu amado, as condições adversas que se apresentam no caminho da campanha que você pensa realizar, não intimidam minha condição de mulher, pelo contrário, eu as desafio. Que pensa você de mim? Você sempre me disse que tenho mais calças que qualquer de seus oficiais. Ou não?..."


Tantas coisas fez Manuela pela libertação. Organizou, junto a Bolívar, o que ela chamou "um verdadeiro comissariado de guerra". Coletava sucata, confiscava sinos, extraía pregos de estanho dos bancos, tudo para a fabricação de armamentos. Organizou a construção de oficinas para fiar lã para os uniformes da tropa. Bem, podemos dizer que nosso programa Fiando o Desenvolvimento, tem sua patrona e madrinha na figura de Manuela.


Apesar dos conselhos de Bolívar, e das sugestões a Sucre para que se encarregasse pessoalmente do cuidado com Manuela nos dias da Batalha de Ayacucho, ela contradisse a ordem de se resguardar, e a carta de Sucre a Bolívar evidencia o heroísmo de nossa Manuela. Sucre Escreve: "... incorporando-se desde o primeiro momento à divisão de Cavalaria e logo à de Vencedores; organizando e proporcionando o apetrechamento das tropas, atendendo os soldados feridos, enfrentando-se a tiros sob o fogo inimigo, resgatando os feridos... ; Dona Manuela merece uma homenagem em particular por sua conduta, pelo que rogo a Sua Excelência que lhe outorgue o grau de Coronel do Exército Colombiano".

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