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Narco-guerra dos EUA contra a Venezuela

30.05.2015
 
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Nos últimos tempos vem se mostrando um aumento da intensidade das operações da CIA e DEA [Drug Enforcement Administration - Direção da Luta contra Narcóticos - EUA *], com a intenção de poder apresentar a Venezuela como uma forma de narco-governo. Essas operações incluem relações com agentes dos cartéis de drogas e orgãos de comunicação de massas. O motivo de toda essa atividade é o comprometer o governo de Nicolás Maduro permitindo consequentemente uma ação de carácter repressivo e punitivo contra a Venezuela.

Por Nil Nikandrov

Tradução Anna Malm* - Correspondente de Pátria Latina na Europa

O canal de lingua espanhola "Telemundo" tem sua sede em Miami. Nesse canal foi recentemente terminada a novela "O Senhor dos Céus" (El Senõr de los Cielos). Entre os personagens figura um certo General Diosdado Carenio Arias, num papél executado pelo ator venezuelano Franklin Virguez, o qual mora também em Miami. Nos reclames e vídeos do "Telemundo" mostram-se, de forma concentrada, todos os ataques e atitudes hostís aos quais sujeitam o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello. O político venezuelano é apresentado como um encarniçado traficante de drogas, disposto a qualquer crime por um lucro. No uniforme de general, com um charuto cubano entre os dentes, ele leva um monólogo falando de sua carreira no negócio do tráfico de drogas, e das infinitas perspectivas oferecidas pela política. - [Nota da tradução: Diosdado Cabello Rondón é um político, militar, e engenheiro venezuelano, legitimamente valdo como presidente da Assembleia Nacional da Venezuela].

As fontes primárias dos reclames e vídeos testemunham uma presença da CIA em trabalho. Nelas escutam-se críticas ao rearmamento das forças armadas venezuelanas. Entre essas então a crítica quanto ao uso de satélites para controle do território do país. Na opinião da CIA a Venezuela arma-se para garantir impunidade nas operações de drogas e narcóticos. [Não se sabe aqui se rir ou chorar]. Diosdado Cabello analisou a campanha difamatória, caluniosa, e insultuosa contra ele e a direção das forças armadas, assim também como contra os orgãos de segurança da Venezuela. Tem-se ainda o ataque vindo da mídia americana, ataque esse que vem numa escala de uma magnitude incrível. Esses ataques são feitos pelos canais de televisão da CBS, NBC, ABC, FOX e CNN, assim também como pelos jornais The Wall Street Journal, USA Today, The Washington Post, The New York Times e o Los Angeles Times. Todos eles quase que diariamente agarram-se ao subjecto temático, mentiroso e difamatório de uma grande corrupção na direção político-militar venezuelana.

Essa barulhada toda acompanha-se da difusão da informação de que nos EUA Cabello e seus círculos podem esperar por uma investigação do caso. Para adquirir material comprometedor usam-se de desertores do exército, dos orgãos de segurança e serviços secretos. Também se aproveitam de ex-funcionários públicos venezuelanos que de alguma maneira anteriormente tiveram relações com cartéis internacionais de drogas e narcóticos, e que se decidiram a dar queixas e acusações à justiça dos Estados Unidos a fins de favores ou um perdão de seus próprios crimes.

A tentativa da CIA e da DEA para provocar a retirada de Diosdado do poder explica-se muito facilmente. Ele, assim como o presidente Nicolás Maduro, carrega as esperanças de seus partidários. Ele também era próximo de Hugo Chavez e representa como o mesmo uma sólida, robusta e segura imagem - [um potencial líder carismático].

Como regra geral nessas operações fabrica-se o material que as autoridades americanas apresentam depois como se o "fornecimento de narcótica" da Venezuela representasse uma grave ameaça para a segurança dos EUA, e outros países ocidentais. Entretanto, os peritos no assunto narcotráfico sabem que são sómente alguns pequenos povoados da Venezuela que são usados para o trânsito de alucinógenos. Alguns dias atrás em águas costeiras da Colômbia descobriram-se os destroços de um avião Hawker 800. A agência Reuters tinha reportado que o avião com seu cargo de cocaina tinha levantado voo do território da Venezuela, e que esse estava dirigindo-se para um dos países da América Central de quando do acidente. Teria então sido por causas desconhecidas que esse tinha caido no Mar do Caribe, no litoral colombiano. Em questão de horas o Ministro da Defesa da Venezuela Vladimir Padrinho Lopes fez uma apresentação pública na qual ele apontou para elementos "tendenciosos e manipulativos" na apresentação dos acontecimentos pela Reuters.

O Ministro venezuelano disse que o avião Hawker 800 tinha sido descoberto pelo Sistema de Defesa Aérea do país logo após seu trespasse da fronteira. Em correspondência com a Lei do Controle Integral da Defesa do Espaço Aéreo (Ley de Control de Defesa Integral del Espacio Aéreo) organizou-se a perseguição do infrator com a finalidade de neutralizá-lo.

Nos últimos anos os pilotos da Força Aérea da Venezuela abateram/capturaram/derrubaram 90 aviões do narcotráfico, impedindo dessa maneira o encaminhamento de mais de 190 toneladas de cocaina, e outras substâncias alucionógenas. Além disso incapacitaram-se mais do que 500 pistas ilegais de aterrizagem. Isso tudo é muito bem compreendido tanto pelos chefes dos cartéis de drogas como pela administração da DEA. Tem-se também aqui entretanto que a tentativa de verificar o estado do "circuito integrado de defesa" da Venezuela não cessa também. [A "narco-guerra" contra a Venezuela continua. Essa também não cessa, independentemente dos fatos apurados.]

Aqui, numa outra vez, os infratores tentaram enganar os pilotos venezuelanos: aterrizaram num estado fronteiriço, Apure, para poder observar, e depois de novo levantaram voo. Os pilotos venezuelanos abriram fogo infligindo estragos e danificando uma das turbinas do avião do narcotráfico, o qual numa rasante voltou para o lado da fronteira colombiana.

Antes de qualquer outra coisa os cartéis da droga, tanto na Colômbia como no México, são para a Venezuela o maior problema a ser enfrentado. A atividade contra esse narcotráfico por parte da CIA e DEA mais parece um número de teatro vaudeville, como corrente em teatro de vedetes, entrelaçado com os interesses dos serviços secretos e dos cartéis de droga. Toneladas de cocaina, produzidas em laboratórios no território da Colômbia são redirecionados para a Venezuela transportados ao lugar de destino em pequenos aviões. Localizar esses, mesmo com modernos meios de controle não é tarefa fácil. Por dados dos serviços de segurança da Venezuela, nos Estados Unidos funcionam mercados ilegais desse tipo de aviões, os quais estão sendo roubados em diversos países latinoamericanos e do Caribe, para ultrapassar depois as fronteiras dos Estados Unidos, onde são repintados e ganham documentação nova. Muitas vezes aviões da CIA e DEA são submetidas a uma tal transformação cosmetológica, de lavagem, e clareamento.

O jornal mexicano "A Jornada" publicou a não muito tempo atrás o artigo "DEA: Escândalo e Dubla Moral" no qual afirmava-se que a "linha de demarcação" dos americanos que lutam contra o narcotráfico e os bandidos que eles dizem perseguir, mostrava-se como "muito fina". Escândalos com operadores da DEA que se divertem em companhia de narcotraficantes, chocam constantemente. Entretanto, até mesmo nas declarações oficiais declara-se que narco-barões são usados na qualidade de informantes em não menos que dezenas de quadros de funcionários da mesma. Há muitos casos em que é difícil dizer onde termina a DEA e onde começa o trabalho pelas mãos dos cartéis da droga. No mês passado, por causa da divulgação da corrupção dentro da DEA o seu diretor/a, Michele Leonhart foi obrigado/a a se demitir.

Torna-se cada vez mais conhecida a criminalidade da DEA - Há uma boa documentação agregada, assim como detalhes, do fornecimento de modernas formas de armas para narcocartéis do México, e da América Central. Nessas regiões, em 2014, foram apreendidas com os bandidos do narcotráfico mais do que 20 000 peças de armas de fogo "Made in USA". Nesse contexto tem-se que se sabe de inúmeros casos de lavagem de dinheiro por agentes da DEA.

Tem-se aqui depois que isso leva a inúmeras fundações financiando secretamente operações em "países hostís". Além da Venezuela tem-se ações contra o Equador, a Bolívia, a Nicaragua, Argentina, e sem grandes sombras de dúvidas, no Brasil. Os líderes desses países, por seu lado, tentaram distanciar-se das aventuras políticas de Bush-Filho e Obama na arena internacional. Como consequência disso contra eles estão sendo usadas sujas manobras tecnológicas, acusações de corrupção e de não legal enriquecimento, entre muitos outros tipos de operações manipulativas. Tudo isso muito bem empacado então, entrega-se depois às mãos de jornalistas e adversários.

Ainda uma outra operação da CIA no quadro do projeto "Governo da Venezuela e Narcotráfico" foi a edição do livro "Boomerang Chávez". O seu autor, Emili J. Blasco, foi apresentado como correspondente de um jornal de lingua espanhola, denominado ABC, em Washington. Sabe-se que os serviços secretos americanos recorrem-se dos serviços de Blasco para anunciar alvos da informação, ou seja, para lançar material que comprometesse pessoas "indesejáveis".

No livro acima mencionado, foram usadas conversas de Blasco com Leamsy Salazar, um militar venezuelano que mantinha relações com o presidente dos serviços de segurança. Salazar fazia parte do Grupo de Guarda de Hugo Chávez, Nicolás Maduro e Diosdado Cabello, mas deciciu-se por desertar. Primeiro foi a Espanha, depois foi levado aos Estados Unidos na qualidade de "testemunha particularmente protegida". Foi sugerido que ele seria uma testemunha chave no processo contra as "narco-operações" da liderança venezuelana.

Praticamente tudo que Salazar comentou com o jornalista Blasco caracterizava-se como propaganda difamatória difundida, ou a ser difundida por canais da CIA e DEA. Em particular tem-se que o ex-funcionário da guarda tinha dito que:- o "Comandante Chávez discutiu pessoalmente com os líderes da FARC, em 2006 ou 2007, assuntos relacionados a aquisição de narcótica em troca por armas e equipamentos militares, com a ajuda dos quais [os rebeldes] poderiam combater contra o governo colombiano". Depois de "revelações" semelhantes as de Salazar ninguém nunca poderia acreditar em mais nada. [- "entre aspas" foram aqui acrescentadas pela tradução]

Por dados dos serviços secretos venezuelanos Leamsy Salazar já no seu período como funcionário da guarda de Hugo Chávez tinha começado a ter relações com a CIA. O jornalista Juan Martorano não exclui nem mesmo a possibilidade de Salazar ter participado na organização da morte de Chávez.

PALAVRAS CHAVES: USA VENEZUELA CIA AMÉRICA LATINA DEA

REFERÊNCIAS E NOTAS:

Nil Nikandrov, Нарковойна США против Венесуэлы - (Narco-Guerra  dos EUA contra Venezuela) - http://www.fondsk.ru

Tradução direta do russo por Anna Malm* http://artigospoliticos.wordpress.com

Copyright - газета онлайн "фонд стратегической культуры" - www.fondsk.ru

 


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