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Noam Chomsky: A nova guerra contra o terror

29.04.2007
 
Noam Chomsky: A nova guerra contra o terror

A nova guerra contra o terror


NOAM CHOMSKY

(...) Examinemos a história dos Estados Unidos. A última vez que o território nacional norte-americano esteve sob ataque, ou mesmo sob ameaça, foi quando os britânicos incendiaram Washington em 1814. Muitos mencionaram Pearl Harbor na ocasião, mas não é uma boa analogia. Os japoneses, não importa o que possamos pensar deles, bombardearam bases militares em duas colônias e não o território nacional dos Estados Unidos. Colônias que, por sinal, haviam sido tomadas de seus habitantes de maneira nada bonita. Desta vez, no entanto, o território nacional foi atacado em grande escala. É possível encontrar alguns outros exemplos menores, mas este foi um evento único.

Ao longo desses quase 200 anos, nós, os Estados Unidos, expulsamos ou exterminamos a população nativa – muitos milhões de pessoas –, conquistamos metade do México, provocamos depredações por toda a região, no Caribe e na América Central – às vezes mais longe ainda – e conquistamos o Havaí e as Filipinas (matando mais de 100 mil filipinos no processo). Desde a Segunda Guerra, o país estendeu seu alcance ao redor do mundo de maneiras que não preciso descrever. Mas sempre envolveram matar alguém. Sempre envolveram lutar em algum outro lugar. Sempre foram outros os massacrados. Nunca aqui. Nunca o território nacional. (...)

Noam Chomsky é lingüista, ativista político e pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA. É autor, entre outros, de 11 de Setembro (Bertrand Brasil, 2001). Em 1955, aos 27 anos, recebeu seu PhD em Lingüística da Universidade da Pennsylvania. Aos 32 anos tornou-se professor-titular do MIT. Revolucionou a lingüística nos anos 60 com sua teoria sobre a gramática generativa .

LEIA AQUI , na íntegra, a tradução de Carlos Afonso Malferrari da riquíssima palestra feita pelo autor em 18 de outubro de 2001 no Fórum de Tecnologia e Cultura do Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA, publicada pelo Instituto de Estudos Avançados da USP sob o título: A nova guerra contra o terror.


Quando uma criança, arma em punho, assalta uma dondoca no sinal, a madame tem um surto psicótico e fica onze meses no psicólogo. E cadê o psicólogo para este menino de onze anos que a assaltou?


Fastosenefastos criativos


Um sul coreano compra duas pistolas, como se compram dois saquinhos de cebolitos e sai atirando para todos os lados. Como cenário, uma universidade estadunidense. Como alvo, garotos brancos. O filme é mostrado em flash back. Entram cenas de outros casos semelhantes, outros atiradores, ainda nos esteites, em escolas e universidades; ou um solitário que atira covardemente em pessoas que circulam livres pelas ruas. Um é alvejado enquanto abastece o tanque do veículo, o outro colocando as compras dentro do porta-malas etc.


Tudo isso tem mesmo cara de espetáculo. Aliás, falta um elemento indispensável, a mídia. Repórteres são enviados ao local, coloca-se uma trilha ao fundo, sobe B.G. e temos os velhos filmes de ação tão ao gosto da sociedade do espetáculo.
No entanto, no Brasil, se atiram para todos os lados, mas aqui o crime não tem glamour, a não ser quando se trata de uma "moça de classe média, bonita, bem vestida, de boa educação…".

Clique aqui e leia o criativo blog do Lelê Teles.


CUBA condena a vergonhosa decisão de libertar o terrorista Luis Posada Carriles e aponta para o governo dos Estados Unidos como único responsável por este ato cruel e infame que tenta comprar o silêncio do terrorista sobre seus crimes a serviço da CIA, nomeadamente no período em que Bush pai foi seu diretor-geral.


Terrorismo a serviço da CIA


Com tal decisão, o governo norte-americano ignorou o clamor mundial, inclusive o proferido no território dos Estados Unidos contra a impunidade e a manipulação política deste ato.
Esta sentença é uma ofensa ao povo cubano e aos povos que perderam 73 de seus filhos no abominável atentado de 1976 a um avião civil da Cubana de Aviação, em frente das costas de Barbados.


Este veredicto é uma afronta ao próprio povo dos Estados Unidos e desmente categoricamente a suposta "guerra contra o terrorismo", declarada pelo governo do presidente George W. Bush.
Por que foi libertado, quando a juíza Kathleen Cardone, em seu veredito de 6 de abril que ordenou a libertação do terrorista, reconheceu que era acusado "de estar envolvido ou ligado a algumas das ações mais infames do século 20? Dentre tais ações, sobressaem a invasão à Baía dos Porcos, o escândalo Irã-Contras, a sabotagem ao vôo 455 da Cubana de Aviação, as bombas em instalações turísticas de Havana em 1997, e segundo teóricos do complô, participação no assassinato do presidente John F. Kennedy.


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