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FARC mantém proposta de intercâmbio humanitário

28.08.2008
 
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FARC mantém proposta de intercâmbio humanitário

Comunicado das FARC-EP: Mantemos a proposta de intercâmbio humanitário

A detenção do senador Carlos Garcia Orjuela, presidente do uribista partido da U, como conseqüência de seus inocultáveis nexos com Eduardo Restrepo "O Sócio", narcotraficante promotor, financiador e chefe das bandas paramilitares que massacraram centenas de colombianos durante os últimos dez anos, acrescenta outro notável do Estádio Maior do uribismo à longa lista de criminais presos pela chamada narco-política, benévola denominação de aquilo que é Terrorismo narco-paramilitar, em favor da ultra direitista gestão do atual governo.

Seguramente, o parlamentar Garcia Orjuela, como seus colegas Mario Uribe, Mauricio Pimiento, Jorge Caballero, Ricardo El Cure, Alfonso Campo, Miguel de la Espriella, Reginaldo Montes, Jorge Merlano, Alfredo Cuello, Rubén Darío Quintero, Álvaro Araújo e, demais congressistas paramilitares que realizam uma intensa atividade política desde o cárcere, mantendo seus cotas burocráticas dentro da estrutura doEstado, estão se esforçando por que seja aprovada a reforma da Justiça proposta por Álvaro Uribe, em sua estratégia de impor um modelo de Estado unanimista e totalitário, que arrase qualquer dissenso, seja revolucionário ou meramente democrático, como sucede atualmente com a Corte Suprema de Justiça.

A verdade é que na base do conflito colombiano existe uma relação funcional entre governos, chefes políticos, donos do grande capital, latifundiários, hierarquia da Igreja, Força Pública e paramilitares, atualmente estimulados com dinheiros do narcotráfico, relação que cavalga sobre a prática impune do Terrorismo do Estado, no marco de uma estratégia neoliberal, que enriquece cada vez mais os ricos a costa do empobrecimento do povo colombiano.

Com a ajuda e sob a proteção imperial da Casa Branca, se pretende perpetuar na Colômbia o atual regime ditatorial, mantido por uma Força Pública que viola sistematicamente os Direitos Humanos e, que tem sido transformada no mais poderoso partido político oficial ultra direitista e principal suporte do regime, com quase o dez por cento do orçamento nacional à sua disposição, ademais de negócios e investimentos multimilionários à vontade, a maior maquinaria burocrática do país para pagar favores e manter o clientelismo, um aparato de propaganda que tem centenas de emissoras de freqüência modulada por todo o território nacional e, um mecanismo de dois milhões de civis informantes, denominados "rede de apoiadores" que recebem dinheiro (recompensas) dos incontroláveis fundos secretos do Estado, partido político ante cujos chefes se rendem diariamente os mais poderosos meios de comunicação.

Porta-vozes oficiais e propagandistas oficiosos do governo anunciam o ingresso do país ao período do pós-conflito como si os abismos sociais antes que fechar-se não se houvessem aumentado, ou como se o Terror do Estado fosse algo do passado e não estivesse aumentando, ainda hoje, o número de sindicalistas mortos, e de camponeses assassinados pelos esquadrões da morte, que logo disfarçam de guerrilheiros, como se houvessem cessado os bombardeios em áreas povoadas, ou os deslocamentos forçados, como se a caçaria de bruxas montada desde a Casa de Nariño, contra seus opositores não estivesse aumentando, como se os paramilitares chamados Águias Pretas, não fossem "o mesmo cachorro com distinta coleira", de similares e incluso mais estreitos laços com políticos e com o Alto Comando militar, que os atores do Ralito.

Como se a chamada "Yidis política" não fosse demonstração plena do alto e crescente nível de corrupção dos costumes políticos na Colômbia nos mais importantes escritórios da Administração, o Poder Público e da mesma Presidência.

Como se a ingerência ianque nos assuntos internos do país não se tivesse multiplicado até a indignidade, em detrimento de nossa soberania.

Como se as terras despojadas aos camponeses nos últimos 40 anos, as melhores e mais produtivas, não estivessem sendo concentradas nas mãos de umas poucas famílias, como uma sinistra repetição do acontecido na década dos anos cinqüenta. Como se a estratégia narco-paramilitar não se mantivesse enquistada na cúpula do Estado Colombiano.

O febril triunfalismo midiático desatado pelo governo logo da fuga de 15 prisioneiros de guerra o passado dois de julho, carece de conotações a largo prazo. Foi, simplesmente, um golpe de mão dirigido por serviços de inteligência de Israel e executado a partir da traição de dois mandos guerrilheiros, episodio nada excepcional em qualquer confrontação militar, que não afeta a estratégia nem a conceição, nem muito menos as causas do conflito, como não têm afetado a estratégia outros golpes de mão, e outras fugas realizadas no passado na Colômbia e em outras partes do mundo, por exércitos oficiais ou forças insurgentes.

Respeitamos profundamente o sentimento majoritário das pessoas que marcharam o passado 20 de julho pela paz e a liberdade, sem permitir o manuseio do governo nem a manipulação re-elecionista, de aquele que quer se perpetuar no poder como ditador. Nessa luta pela conivência democrática andamos desde há 44 anos, todos os integrantes das FARC, enfrentando o terror do Estado e das chamadas "instituições", verdadeira essência da violência contra o povo, da corrupção político-administrativa e do ajoelhamento servil diante de Washington.

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