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Iraque: Quem está a ganhar?

28.06.2007
 
Iraque: Quem está a ganhar?

Iraque: Quem está a ganhar?

Há pouco mais que 4 anos, o regime de George Bush lançou um ataque selvático e ilegal contra o estado soberano de Iraque. Afirmando que o Saddam Hussein tinha “enganado o mundo”, o regime de Bush empenhou-se numa campanha de “choque e pavor” para ganhar “os corações e mentes” do povo iraquiano, baseado em documentos forjados e mentiras, dizendo que o Iraque tinha ADM. Centenas de milhares de mortes, e duzentos biliões de USD depois, o mesmo regime agora arma grupos da resistência com que travava batalhas há menos que 6 meses. Quem está a ganhar esta guerra?

Os resultados tangíveis deste, o maior desastre da política externa de Washington desde a Guerra do Vietname, ou os muitos exemplos de terrorismo de estado nas tentativas falhadas de assassinar Fidel Castro, são desastrosos: a desestabilização de um Estado, causando centenas de milhares de mortes, escolher como alvos infra-estruturas civis, distribuir contratos bilionários de reconstrução aos interesses que gravitam a volta da Casa Branca, sem concurso, o assassino e tortura de pessoas detidas ilegalmente, o estupro de mulheres e uso de armas contra civis – crimes de guerra.

A desculpa fraca que o Iraque estava ligado ao 11 de Setembro nunca pegou, por não ser verdade: Saddam Hussein mantinha a Al Qaeda fora do Iraque, enquanto George Bush viu jorrar os efectivos deste movimento pelas fronteiras dentro. Mesmo em termos de mandatos de execução, Bush leva o melhor: assinou 152, contra os 148 de Saddam Hussein.

Como previsto, a consequência é desastrosa. Retirar o equilíbrio de poder deu lugar a um regime em Bagdade controlado por islamistas políticos, que pisam os direitos de mulher, ganhos sob a governação de Saddam Hussein (longe de ser um extremista no mundo árabe e não menos democrático do que a maioria dos governos na região). A consequência é que as mulheres iraquianas hoje em dia nem podem sair de casa sem o véu, a população teme ir ao mercado para comprar pão, a corrupção entre oficiais do governo abunda, os trabalhadores que tentam fazer greve levam tiros, o lixo amonta nas ruas e a autoridade do Governo está limitada à Zona Verde em Bagdade.

O Estado entrou em colapso, descendo num caos de raças, religiões, facções, tribos, clãs e famílias em guerra e pactos de sangue, os midia internacionais agora falam em guerra civil e os militares norte-americanos reclamam que por cada acção que fazem, a resistência tem 3 reacções.

A ocorrência de assassínios e ultrajes numa base diária é testemunha de uma ausência de policiamento ou controlo e nos quatro meses desde o lançamento das “operações massivas de segurança” do regime de Bush, as baixas norte-americanas sobem todos os meses, os últimos dois sendo os piores desde o início da guerra (230 mortes em Abril e Maio).

A resistência é reforçada por aqueles que dariam a vida pela hipótese de enfrentar os norte-americanos, vindo dos quatro cantos do mundo islâmico; altera as tácticas de 15 em 15 dias, tem um grande número de carros-bomba em reserva e centenas de Aparelhos Explosivos Improvisados (AEI) que podem rebentar a casca de qualquer veículo americano. Enquanto os tropas de Washington anunciam a vitória, é verdade que as baixas estão cada vez maiores e a resistência está a ser reforçada diariamente.

O país, outrora coeso, está fragmentado em três secções baseado em raça/religião (sob Saddam Hussein a religião era uma questão particular e nunca causa de conflito e muitas famílias eram mistas, enquanto os Curdos gozavam de um grau substancial de autonomia): o Exército Islâmico (Sunita), o Exército Mahdi (Xiita) e o Estado Islâmico do Iraque (Al-Qaeda).

Washingon conseguiu desperdiçar 200 biliões de USD do dinheiro dos seus contribuintes neste desastre, gastou desde Janeiro cerca de 5 biliões de USD num grupo de consultores que deliberam em maneiras de ultrapassar os AEI, e planeia gastar mais 4 biliões até ao final do ano. Nove biliões de USD para perguntar: onde vamos? E agora, pessoal?

Por isso podemos perguntar, depois de termos avisado Washington sobre as consequências desta aventura: quem está a ganhar esta guerra?

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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