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Adolfo Garcé: Politólogo uruguaio analis segundo turno

27.11.2009
 
Pages: 12
Adolfo Garcé: Politólogo uruguaio analis segundo turno

ADOLFO GARCÉ – O politólogo uruguaio analisa o Segundo Turno nas eleições uruguaias domingo 29 de Novembro.

O famoso politólogo uruguaio Adolfo «Fito» Garcé, quarentão novinho mas com cabelo e cavanhaque cinzentos é um dos consultores permanentes das redes da tevê e das rádios-emissoras uruguaias assim que as eleições vão se aproximando. Ele dá seu palpite do Segundo Turno que vai acontece domingo 29 de Novembro: José «Pepe» Mujica ou o advogado Luis Alberto Lacalle na poltrona presidencial uruguaia á partir de 1° de Março de 2010?

PRAVDA : Quantos anos neste negócio das pesquisas e de jeito específico na política? Sua idade? Começou do lado de...?

GARCÉ : No início acabei dando o primeiro mergulho no mercado das pesquisas de 2000 até 2006. Nessa faixa fui consultor permanente do Grupo Radar ( www.gruporadar.com.uy ) , uma empresa nova e vital. Completei 44 anos tendo me formado como Licenciado em Ciência Política em 1996. Mais logo acabei obtendo o Mestrado.

P : Porque os sociólogos e pesquisadores NUNCA arriscam um resultado mesmo tendo amplas vantagens de um candidato para o outro? Tomar decisão mesmo dando no alvo pode matar o futuro profissional?

GARCÉ : As empresas de opinião do Uruguai, possuem um prestígio saudável. Uma dessas razões que garantem o tal prestígio estrutura-se acima de não chutar com certezas pois é bom lembrarmos que a técnica não é perfeita e os erros existem.

P : Além de politólogo é cidadão e vota em alguém. Como se faz para manter essa independência e não interditar uma rua política em favor de um candidato?

GARCÉ : De jeito específico, acho que a gente consegue ter independência na hora que da para perceber que na pior hipótese, não torna-se tão importante assim que o vitorioso seja um partido ou o outro. Aquilo que é importante mesmo é ter a possibilidade de votar com extrema liberdade. Aliás, admito que outros colegas não concordem comigo e prefiram ter um compromisso partidário significativo.

P : Qual é a consultora que trabalha de braços dados contigo?

GARCÉ : Não trabalho com consultora nenhuma. Posso recomendar várias ótimas.

P : A Constanza Moreira foi eleita como Senadora do partido no Governo, Frente Amplio acompanhando o Mujica. Como acha que pode ser o retorno dela neste ambiente assim que tiver acabado o período 2010-2015? Da para mergulhar de novo? Os concorrentes podem acreditar nessa gestão?

GARCÉ : Acho positivo que todos aqueles intelectuais que sejam apaixonados pela ação política façam parte dos partidos e consigam atingir cargos como representantes políticos. A meu ver, é muito bom para os partidos. Mas é bom salientar que também é bom para os intelectuais pois desse jeito tem a chance de conhecer até as raízes o funcionamento real da política. Assim que sua tarefa como parlamentar acabar, vai ser muito bem-vinda em nosso Instituto de Ciência Política.

P : Como se monta uma amostragem para que os resultados das pesquisas sejam tão perfeitos? Da para imaginar essa perfeição em um país do tamanho do Brasil?

GARCÉ : Pode ter certeza que montar uma amostragem representativa do universo de estudo não é negócio simples. Na grande maioria das oportunidades, as empresas pesquisadoras pedem ajuda aos expertos no segmento das estadísticas e demografia. Não conheço o caso do Brasil mas acho que não teria que ser muito simples não.

P : O sistema de trabalho no Uruguai pode ser aplicado em uma cidade do Brasil? Precisa-se ser locatário para ter sucesso no resultado final das pesquisas?

GARCÉ : Acho que é bem melhor desenvolver capacidades de investigação na própria região alvo do que acudir ás consultoras ou empresas de fora a divisa. Mesmo assim, é verdade que os regulamentos quanto tem a ver com a tarefa podem ser «exportados» de um país para o outro.

P : Numa das manchetes do siteTerra – Brasil dia 12 de Novembro, confirma que caso Lacalle conseguisse a Presidência uruguaia, o Uruguai poderia sair do Mercosul? É mesmo assim sendo que ele foi fundador do bloco econômico-administrativo?

GARCÉ: Não existe no Uruguai aquele grande entusiasmo com o MERCOSUL como aconteceu faz 15 anos. Experiências como aquela que sofreu o Brasil em 1999 além da crise financeira argentina de 2001, fez tremer a confiança de uma parte da população e do sistema político quanto tem a ver com o benefício de continuar sendo parte do MERCOSUL. Acho que o Lacalle é um exemplo da gema desta evolução.

P : Com o Mujica na Presidência vamos ter um Chavez da vida dirigindo o carro?

GARCÉ : De jeito nenhum. Mujica tem confirmado que seu estilo de Presidência vai ter mais concordâncias com o do Lula que o do Chávez. Tem que levar em consideração que o Mujica não vai governar sozinho. Ele vai ter o privilégio da Presidência. Também não vai conseguir fazer evoluir o governo ficando afastado do seu próprio partido, o Frente Amplio. É bom remarcar que o Frente Amplio é um partido da esquerda uruguaia no qual tem convívio porções diferentes dessa esquerda, algumas bem mais da esquerda do que as outras.

P : Com as vantagens que as pesquisas dão para o Mujica , qual é a chance (percentagem) que o ele seja presidente? Impossível não existe na política mas Lacalle ainda concorre pela poltrona?

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