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Jornalistas são libertados na Colômbia

27.05.2006
 
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Jornalistas são libertados na Colômbia

Jornalistas são libertados na Colômbia
No entanto, o exercício da profissão continua sendo um risco

Por Gustavo Barreto - gustavo@fazendomedia.com

Quatro jornalistas colombianos foram libertados no começo desta semana, na Colômbia, após terem sido presos enquanto cobriam protestos indígenas contra o tratado de livre comércio com os Estados Unidos, no Departamento de Cauca. As prisões ocorreram no dia 17 de maio e foram criticadas pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) , organização independente que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo. Outro jornalista, Pedro Antonio Cárdenas Cáceres, foi obrigado a abandonar sua casa depois de receber ameaças de morte.

Dois dias após as prisões, a polícia liberou Richard Calpa, diretor da rádio La Libertad, do município de Totoró; Marcelo Forero, jornalista do site de Bogotá El Turbión, e Carmen Eugenia León e Jesús López, que informavam para a rede de rádios indígenas Asociación de Cabildos Indígenas. Os jornalistas foram liberados sem acusações, informou a polícia local.

Um dos detidos, Richard Calpa disse ao CPJ que a polícia o agrediu e utilizou spray com gás antes de prendê-lo. Omar Vera, do El Turbión, informou que Forero também foi golpeado com bastões após identificar-se como jornalista. Segundo Vera, a polícia confiscou duas câmeras e o computador portátil, que ainda não foram devolvidos. A polícia também confiscou o gravador de Calpa.

A Diretora-executiva do CPJ, Ann Cooper, disse que os integrantes do Comitê estão aliviados pela libertação dos colegas, que segundo a entidade foram detidos simplesmente por fazerem seu trabalho. "No entanto, nos preocupamos com as acusações de brutalidade por parte da polícia contra os detidos. Instamos as autoridades colombianas a investigar com rigor o ocorrido, e a devolver imediatamente os equipamentos pertencentes aos jornalistas", concluiu.

Editor do La Verdad abandonou sua casa
O jornalista colombiano Pedro Antonio Cárdenas Cáceres se viu obrigado a abandonar sua casa depois de receber ameaças de morte, após a publicação de informes sobre corrupção governamental no departamento de Tolima. Cárdenas, que é diretor da publicação quinzenal La Verdad, em Honda, partiu sábado (13/5) com sua família para Bogotá, depois de encontrar uma coroa fúnebre de flores na entrada de sua casa nos dias 7 e 8 de maio, relatou o próprio jornalista ao Comitê. Segundo o jornalista, as ameaças se relacionam com dois artigos investigativos sobre corrupção no governo local publicados em La Verdade, nos dias 15 e 30 de abril.

Cárdenas já havia sido alvo de intimidações anteriormente. Em uma ocasião, teve que sair do país por mais de um ano, depois de ser seqüestrado por um grupo paramilitar. Regressou à Colômbia em agosto de 2004 e passou 16 meses em Bogotá antes de voltar para Honda, em janeiro. Cárdenas teve proteção policial desde seu regresso.

As ameaças começaram quase imediatamente, segundo informou Cárdenas, ainda que tenham se intensificado após a publicação de seus artigos em La Verdad. Cárdenas disse também que, em 30 de janeiro, um homem que se acredita ser membro das forças paramilitares advertiu sua esposa de que o jornalista não possuía permissão para trabalhar em Honda. Um mês depois, um indivíduo identificado como representante de um grupo paramilitar se aproximou de Cárdenas na rua e disse que ele não era bem-vindo em Tolima.

Em 25 de abril, segundo a denúncia do CPJ, dias depois da publicação do primeiro artigo, Cárdenas recebeu uma ligação em seu celular de um homem que afirmava ser um ex-membro das Autodefesas Unidas Camponesas de Magdalena Médio (Autodefensas Unidas Campesinas del Magdalena Medio). O indivíduo explicou que dois homens haviam sido contratados para seguir e assassinar o jornalista, embora não tenha especificado o motivo. Segundo Cárdenas, as ameaças e atos de intimidação estão relacionados com seu trabalho jornalístico. Ele disse que denunciou as ameaças à polícia local e nacional, assim como à Promotoria Geral de Bogotá.

Entidade pressionou presidente
O presidente Álvaro Uribe se reuniu com uma delegação do CPJ no último dia 15 de março e expressou seu apoio aos jornalistas regionais que cumprem seu trabalho informativo sob ameaças de violência. Uribe enfatizou que qualquer funcionário que interfira no trabalho da imprensa "está cometendo um crime contra a democracia, e isso é gravíssimo".

"Condenamos estes atos de intimidação contra Cárdenas", assinalou Ann Cooper. "Instamos o Presidente Uribe a assegurar pessoalmente que as autoridades colombianas realizem uma investigação rápida e que forneçam para Cárdenas a proteção adequada que permita a ele continuar seu trabalho sem temor de represálias".

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