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Fidel Castro: Paz e Prosperidade

26.04.2008
 
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Fidel Castro: Paz e Prosperidade

REFLEXÕES DO COMPANHEIRO FIDEL

PAZ E PROSPERIDADE

O Papa Bento XVI destronou Brown, Primeiro-Ministro inglês, que substituiu Blair, a quem conheci e com quem falei alguns minutos há 10 anos durante um recesso da Segunda Conferência da OMC em Genebra, após o seu discurso, expressando-lhe a minha discrepância por causa duma falsa frase que ele expressou a respeito do estado social das crianças inglesas. Pela voz, os seus argumentos e o tom que usou na sua conferência de imprensa na qual esteve presente Bush, Brown pareceu-me tão auto-suficiente mesmo como o seu antecessor na direcção do Partido Trabalhista. A actividade do novo Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, ao coincidir com a visita do Papa, era igual à do chefe de governo duma república bananeira.

Bento XVI referiu-se especialmente ao dia 13 de Abril, quando há 65 anos no povo de Gardelegen foram incinerados mais de mil prisioneiros, convertendo-se no dia que recorda o martirológio sofrido pelo povo judeu na Alemanha nazista, uma tragédia humana que durou anos.

Foi recebido por Bush na Base Andrews da Força Aérea norte-americana, gesto inusual. Bento XVI, durante toda a sua actividade como Bispo alemão, foi conservador e alérgico às mudanças na política social e nas normas internas que regem a sua igreja. A grande imprensa dos Estados Unidos foi inicialmente implacável, a partir das indisciplinas contra as normas estabelecidas para os crentes, qualificando a Igreja Católica como religião decadente.

A sua visita coincidiu também com o 81º aniversário do seu nascimento. Bush, solícito e complacente, cantou-lhe “Las mañanitas” (Cántigas) no próprio dia 16.

O Papa foi sem dúvida inteligente. Contra-atacou desde o início da visita. Apesar dos 81 anos que completaria horas depois, desceu do avião deslizando apenas as suas mãos pelos corrimãos das inclinadas escadas, e nos últimos degraus nem fez isso. É baixinho, e a simples vistas, pesa a metade de Bush. Caminha ligeiro. Não deixou de sorrir um minuto, também não perdeu o brilho dos seus olhos, e dedicou-se logo a cumprir um programa que com 18 anos de idade qualquer visitante ficaria exausto. Os meios de televisão fizeram o que quiseram.

O Papa visitou universidades, um centro cultural católico construído especialmente para a ocasião; reuniu-se com representantes de centenas de escolas e universidades católicas desse enorme país. O chefe do império não se atreveria a exigir ao Estado do Vaticano “nova constituição e eleições livre” como ele as concebe para Cuba.

Como líder duma igreja em meio da guerra desencadeada pelos Estados Unidos contra os muçulmanos, a sua mensagem foi ecuménica e em favor da paz.

Reuniu-se com representantes de cultos cujas igrejas influem em biliões de pessoas. Os líderes da religião judaica receberam-no calorosamente. Logicamente, eles idealizaram o sistema capitalista dos Estados Unidos. Um dos rabinos de Miami asseverou que 90 por cento dos judeus de Cuba se deslocaram para essa cidade; teve que esclarecer que não aconteceu assim, porque os perseguíssemos o lhes tivessem dado visto nos Estados Unidos, mas sim porque optaram pelo direito de viajar utilizando uma via segura que abriu a Revolução e — mesmo como muito cubanos de outras origens étnicas — procuravam vantagens materiais que não puderam alcançar na Cuba colonizada.

Aqui permaneceu aberta e respeitada a sinagoga judaica, e os seus representantes reúnem-se, junto às outras igrejas, com os líderes do partido e do Governo Revolucionário, incluídos os seus níveis mais altos.

Nos Estados Unidos foi muito salientada a visita do Papa à sinagoga. Esta é a terceira vez que tem lugar uma visita papal a esses centros religiosos judaicos. A primeira foi a de João Paulo II a uma sinagoga da Polônia; depois, a de Bento XVI a uma na Alemanha; e esta, à de Nova Iorque, que é pela sua vez a primeira nesse país.

Particular importância tem demandar, em nome do direito a acreditar, o direito a viver. Na sua condição de líder religioso de uma igreja poderosa e fortemente enraizada em muitos povos do mundo, Bento XVI falou perante a Organização das Nações Unidas:

“ …o desejo da paz, a procura da justiça, o respeito à dignidade da pessoa, a cooperação e a assistência humanitária, expressam as justas aspirações do espírito humano.”

“…os objectivos do desenvolvimento, a redução das desigualdades locais e globais, a protecção do entorno, dos recursos e do clima, precisam que todos os responsáveis internacionais actuem conjuntamente e demonstrem uma disponibilidade para actuar de boa fé, respeitando a lei e promovendo a solidariedade com as regiões mais fracas do planeta.”

“O nosso pensamento está dirigido à maneira em que às vezes foram aplicados os resultados dos descobertas da pesquisa científica e tecnológica.”

“…estes direitos estão baseados na lei natural inscrita no coração do homem e presente nas diferentes culturas e civilizações.”

“…o ditado diz: não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti, de modo nenhum pode variar, apesar da diversidade das nações.”

“ A minha presença nesta Assembléia é uma mostra de estimação pelas Nações Unidas e é considerada como a expressão da esperança em que a Organização seja útil cada vez mais como sinal de unidade entre os Estados e como instrumento ao serviço de toda a família humana.”

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