Pravda.ru

Mundo

O fustigo do cavalo morto, ou a vingança de Putin

25.08.2008
 
Pages: 12

Essa Europa real de Alemanha, França e Itália não é a Europa com que os Estados Unidos imperialistas neoconservadores sonharam. Muito certamente os Estados Unidos da Nova Ordem Mundial não contavam com uma Rússia ressurrecta capaz de reconquistar territórios perdidos do Império Russo e de um novo relacionamento com a Europa. Ademais, nem mesmo em seu pior pesadelo os Estados Unidos sonharam com trocar sua aliança com a Europa real por uma fieira de satélites sem poder no Báltico, ou georgianos românticos inconsequentes.

As reações oficiais de Bruxelas são reações da OTAN, isto é, da OTAN dominada pelos Estados Unidos. E mesmo as palavras da OTAN são inesperadamente brandas - "firmeza" e exigências de retirada dos russos. A Rússia responde de modo petulante que sua missão de paz na Geórgia poderá durar mais alguns dias. Enquanto isso em Roma, sem pressa, Berlusconi também planeja uma visita a Moscou, no início de setembro. A Geórgia não interferirá no período de férias.

Saakashvili é conhecido por ser mais estadunidense do que os estadunidenses, sua nação é armada e suportada pelos Estados Unidos. Armada e suportada, porém, para quê? Só por seu petróleo e tubulações de gás, de valor duvidoso e duvidoso futuro? De modo algum.

A triste verdade a respeito da Geórgia é que o líder dela superestimou o suporte estadunidense a sua estúpida tentativa de retomar o território disputado da Ossétia do Sul povoado por cidadãos russos. De certo modo, esse foi também um caso de o rabo abanar o cachorro. Como se os Estados Unidos, já atolados por iraquianos e afegãs, fosse seriamente à guerra com a Rússia por causa da Geórgia! Isso me faz lembrar um pouco o levante húngaro instigado pelos estadunidenses em 1956, à época esmagado pelos tanques soviéticos.

A Rússia, hoje, está confiante. Ela não teme, ao contrário da época das revoluções multicoloridas na Ucrânia e na Geórgia e do avanço da OTAN rumo a suas fronteiras. A ajuda humanitária dos Estados Unidos à Geórgia ou conversas de exclusão da Rússia do G8 não perturbam Putin. Ele agora sabe que pode contar com a Europa real. A Rússia não está a fim de ceder a exigências e ameaças estadunidenses. OTAN-Estados Unidos acusam a Rússia de invadir países pequenos, a Rússia acusa a OTAN de apoiar o regime criminoso da Geórgia. Enquanto a OTAN e a Rússia ambas asseveram que suas relações nunca mais serão as mesmas, os tanques russos passeiam à vontade pela região do Cáucaso. A Europa recebeu alto e bom som a mensagem de Putin para o mundo. Os russos estão efetivamente de volta.

A pergunta é, será que o público estadunidense, bebendo sofregamente do manancial do New York Times e Washington Post, CNN e Fox News, percebeu a situação tipo armadilha para a qual seus líderes arrogantes, irrealistas, só preocupados consigo próprios, narcisistas, o empurraram? Pois está claro como o dia que uma enorme conta está chegando à data de vencimento e, no final, quem terá de pagá-la será o povo estadunidense.

Por Gaither Stewart

Gaither Stewart, Editor Colaborador Sênior do jornal/tantmieux Cyrano, é um romancista e jornalista que mora na Itália. Estudioso de longa data da cultura russa, devota interesse especial a desdobramentos atinentes à Rússia , também depois do fim do comunismo. Seus ensaios e despachos são amplamente lidos em locais da Internet.

Tradução: Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme zqjxkv@gmail.comywkzxj@gmail.com

Pages: 12

Loading. Please wait...

Fotos popular