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Vitória do Hamás reduz a cacos a posição de Netanyahu-EUA

24.07.2014
 
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O Hamás acaba de alcançar grande vitória. As empresas norte-americanas de aviação Delta, USAir e United Airlines suspenderam por tempo indeterminado os voos de e para Israel. Isso, depois que um foguete lançado de Gaza explodir perto do aeroporto Ben Gurion em Telavive. 


Depois que o MH-17 foi derrubado na Ucrânia, a sensibilidade a possíveis problemas em voos aumentou dramaticamente. Nenhuma empresa quer ser a próxima a perder uma aeronave por causa de um ou mais mísseis errantes pelo céu.

Na prática, é como se o único aeroporto internacional de Israel estivesse fechado, o que aumenta ainda mais a pressão para que Israel aceite algumas das condições do Hamás para um cessar-fogo.

Ainda demorará algum tempo e o massacre, por hora, prosseguirá. Nem o Hamás[1] e a população de Gaza, nem o governo de Netanyahu[2] e o povo em Israel parecem, até aqui, interessados em fazer concessões. Dos dois lados o povo empurra os respectivos governos a continuar a briga.

E ainda não há real pressão internacional para um cessar-fogo. Kerry e seu clown-clone na ONU, Ban Ki Moon, estão na região tentando encontrar solução que favoreça Israel. Mas não há solução, sem que se aceitem as condições que o Hamás está impondo. Terão sorte se conseguirem algum ímpeto entre os árabes na direção de concessões, ou para pressionarem o Hamás. Os únicos que poderiam negociar em nome do Hamás e apoiando o Hamás são o Qatar e a Turquia. Mas Erdogan, que em breve já estará convertido em novo ditador turco, [3] já não conversa com Obama[4] e tem outros problemas. As galinhas já estão correndo de volta ao poleiro, agora que "contrabandistas" do Estado Islâmico já começaram a matar[5] soldados turcos na fronteira entre Turquia e Síria. O Qatar não é bem quisto pelos demais estados árabes do Golfo, e é especialmente detestado pelo Egito, pelo apoio que tem dado à Fraternidade Muçulmana.

Mas o Egito é o país vizinho, ao lado de Israel e EUA, que terá de fazer concessões ao Hamás. A abertura da passagem de Rafah na fronteira, indispensável para levantar o sítio contra Gaza, só poderá ser conseguida com plena aprovação pelo Egito. Kerry gostaria de ter conseguido isso, mas quando chegaram para a reunião com o ditador Sisi do Egito, o próprio Kerry e toda a comitiva que o acompanhava foram submetidos a detalhada revista pelos órgãos de segurança, antes de receberem autorização para entrar no palácio no Cairo. Foi um muito significativo tranco de chega-prá-lá; e mais trancos viriam durante as conversações.

Os EUA simplesmente já não estão em posição da qual possam efetivamente criar soluções políticas no Oriente Médio. Como Chas Freeman analisa,[6] o governo Obama conseguiu, ao longo dos anos, tornar o Oriente Médio ainda mais confuso e desesperado do que sempre foi e é. O vício que torna os EUA dependentes de Israel (e uma hipocrisia abissal) arruinou a própria posição dos EUA:


"Desde o início, Israel usou o "processo de paz" como fator de distração, enquanto ia criando 'fatos em campo', sob a forma de colônias ilegais. O expansionismo israelense e políticas a ele relacionadas acabaram por tornar a coexistência entre Israel e os palestinos - e, portanto, também com todos os demais vizinhos árabes de Israel - impossível.

Os EUA criaram o 'risco moral'[7] que levou Israel a pôr-se nessa atual posição, absolutamente insustentável. 40 anos de diplomacia norte-americana enviesada e tendenciosa, orientada exclusivamente para obter aceitação regional e internacional para Israel, geraram, como agora se vê, perversamente, o exato oposto do que queriam: só fizeram aumentar o isolamento e o opróbrio que desceram sobre o 'Estado Judeu'.

Agora, teremos de 'cobrir a retaguarda' de Israel na ONU, por causa dos maus tratos que Israel infligiu a uma população inteira de árabes que são mantidos cativos; os recentes atos de Israel completaram a sua própria deslegitimação e determinaram o seu próprio ostracismo.

Os EUA pagaremos pesado preço político por essa posição, globalmente, no Oriente Médio e muito provavelmente também na escalada de terrorismo contra norte-americanos no exterior e em casa. Talvez satisfaça algum senso de honra por aqui. Mas parece muito mais técnica de suicídio assistido, que estratégia para a sobrevivência de Israel e da própria posição dos EUA no Oriente Médio."


Com o aeroporto Ben Gurion fechado, Netanyahu terá de achar meio para pôr fim à guerra que ele iniciou - com apoio dos EUA - e sem motivo razoável. A posição de Netanyahu enfraquecerá cada vez mais dentro de Israel e, depois dele, gente ainda mais doida que ele chegará ao poder. Com isso, o poder político dos EUA será cada vez mais reduzido, e a região afinal, deixada entregue a ela mesma, talvez consiga encontrar um novo balanço que a própria região possa manter.*****

 


[1] http://972mag.com/why-do-palestinians-continue-to-support-hamas-despite-such-devastating-loses/94080/

[2] http://www.timesofisrael.com/hushed-determined-israel-in-a-war-for-our-home/

[3] http://english.ahram.org.eg/NewsContent/2/8/106814/World/Region/Turkey-arrests-over--senior-police-officers-in-new.aspx

[4] http://www.businessinsider.com/erdogan-i-no-longer-talk-to-obama-2014-7

[5] http://www.hurriyetdailynews.com/two-turkish-soldiers-killed-in-syria-border-clash-with-smugglers.aspx?pageID=238&nID=69440&NewsCatID=509

[6] http://chasfreeman.net/obamas-foreign-policy-and-the-future-of-the-middle-east/

[7] Orig. Moral hazard ["expressão cunhada por Kenneth Arrow, pode ser traduzida por "risco moral"]. Significa um excesso de confiança, pelos agentes econômicos, de que alguém os socorrerá, se alguma coisa der errado em suas operações. Num exemplo concreto: o Banco Central providenciará uma rede de proteção, se ocorrerem grandes perdas decorrentes de uma avaliação errônea dos riscos apresentados por determinado mercado (quase sempre o mercado financeiro)" (em http://rae.fgv.br/sites/rae.fgv.br/files/artigos/5067.pdf).  

22/7/2014, Moon of Alabama
http://www.moonofalabama.org/2014/07/hamas-win-leaves-netanyahoo-and-us-position-in-shambles.html

 


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