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Reino Unido entra no pesadelo de um espiral de violência

23.08.2007
 
Reino Unido entra no pesadelo de um espiral de violência

Em áreas onde o índice de crime era praticamente nulo, razão pelo qual não havia delegacia de polícia num raio de vários quilómetros, um número crescente das pessoas tem medo de deixar o lar de noite. As noites se transformam em cenas tipo- Armageddon, de actos de vandalismo gratuito, embriaguez e caos. Espaços públicos verdes, invadidos por elementos do Lado Escuro, estações de trem parecem pocilgas e cidadãos aterrorizados ficam encolhidos nos seus lares, totalmente indefesos e desprotegidos pelos serviços públicos que eles pagam para os proteger.

23 de Agosto – Atirador em série próximo de Londres

11.40 GMT, perto de uma estação ferroviária em Latchworth Garden City, Hertordshire, norte de Londres, várias pessoas foram feridas, e algumas hospitalizadas em condição séria, quando um pistoleiro abriu fogo indiscriminadamente.

Este incidente vem um dia depois que um rapaz de 11 anos, de nome Rhys Jones, foi morto a tiro quando jogava futebol num parque de estacionamento de um bar, em Liverpool, por outro jovem que andava de bicicleta, que aparentemente abriu fogo sem qualquer razão. Também na quarta-feira, um jovem foi levado ao hospital em Newcastle depois de ser apunhalado cinco vezes.

Até agora em 2007, 7 crianças foram mortas a tiro nos Reino Unido (5 em Londres, um em Manchester e um em Liverpool). Um tinha 11 anos de idade, outro 12, dois 15 anos, dois 16 e um 17. Um de 18 anos também foi morto a tiro em Londres.

Enquanto as cifras da polícia reivindicam que esse tipo de crime com armas de fogo, bem como outras ofensas, esteja a diminuir, em 2005/6, havia 49 homicídios relacionados com armas de fogo, enquanto em 2006/7, havia 61.

Crime de armas brancas

O Centro para Crime e Estudos de Justiça em Faculdade do King’s College, Londres, recentemente calculou que em 2004, até 57.900 jovens poderiam ter sido vítimas de crime de armas brancas. Até agora este ano, mais 12 jovens foram apunhalados à morte em Londres e a estatística revela que há quatro vezes mais ataques fatais com facas do que mortes provocados por tiroteios.

O Ministério do Interior britânico revelou num relatório recente, Crime na Inglaterra e Gales 2006-07, que o risco de um cidadão ser vítima de crime é 24% - quase um quarto da população. Enquanto fichas na polícia reivindicam que o índice de crime caiu por 2% entre 2005/6 e 2006/7, o número de crimes não relatados podia contar uma história muito diferente.

Estatística oficial vs. Percepção Pública

Sejam quais forem as vertentes apresentadas por funcionários de governo,

em áreas onde o índice de crime era praticamente nulo, razão pelo qual não havia delegacia de polícia num raio de vários quilómetros, um número crescente das pessoas tem medo de deixar o lar de noite. As noites se transformam em cenas tipo- Armageddon, de actos de vandalismo gratuito, embriaguez e caos. Espaços públicos verdes, invadidos por elementos do Lado Escuro, estações de trem parecem pocilgas e cidadãos aterrorizados ficam encolhidos nos seus lares, totalmente indefesos e desprotegidos pelos serviços públicos que eles pagam para os proteger.

Os “village greens”, relvado bem tratado onde todos os membros da família poderiam passear o cachorro em paz, rodeados por um belo ambiente, tornam-se campos de batalhas, e não só nas sextas-feira à noite; o campo de recreio, comum em qualquer aldeia inglesa, é agora ponto de encontro para negociantes de drogas e prostitutas adolescentes (Grã-Bretanha tem 5.000 crianças-prostitutas); parques de estacionamento são zonas proibidas, repletos de vidros quebrados e charcos de vômito; grupos de juventudes congregam nas portas das lojas nas aldeias e vilas interiores, empurrando e insultando pessoas idosas e desprotegidas. Os clubes de cricket – anteriormente os santuários de comportamento decente e civilizado - são invadidos por bandos de rufiões passados em bebida ou drogas ou ambos.

A economia de mercado que presta demasiada atenção ao balanço final, formando políticas que apenas racionalizam custos, abordando a prestação de serviços públicos como um exercício em contabilidade escrito por um guarda-livros e não um prestador de serviços, é responsável para a descida em espiral em padrões, nível e qualidade de vida.

Este modelo simplesmente não funciona. Serviços públicos devem ser fornecidos por um setor público com fundos públicos, com vista a fornecer um Serviço e não gerir um negócio. Só por uma abordagem honesta, nova e aberta, sem complexos, e sem esconder as cifras dos capitalistas-monetaristas que controlam o sistema, se pode entregar um Serviço Público eficaz. Se esta abordagem obriga reestruturar completamente o modelo econômico, um repensar do sistema social e uma derrota do clique de elitistas que mantém o status quo, então vamos a isso, porque o sistema atual simplesmente não funciona, a qualquer nível.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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