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Presidente de Israel foi interrogado pela Polícia Nacional

23.08.2006
 
Presidente de Israel foi interrogado pela Polícia Nacional

Uma equipa especial de quatro investigadores da Polícia Nacional interrogou o presidente israelita Moshe Katzav na sua residência oficial, em Jerusalém, defronte da qual se concentraram dezenas de jornalistas. O presidente está acusado de assédio sexual a duas funcionárias de sua residência e de favorecer conhecidos na concessão de indultos.

"Posso confirmar que os investigadores se encontram com o Presidente", afirmou o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, adiantando que o interrogatório deveria prolongar-se por cerca de duas horas.

O escândalo, que enche as primeiras páginas dos jornais israelitas, assumiu tamanha importância que a maioria dos comentadores políticos consideram que a única saída de Moshe Katzav será a demissão, estando já a circular nomes de possíveis sucessores, entre os quais o de Shimon Peres, "numero dois" do Governo.

Os investigadores estiveram terça-feira no gabinete de Katzav, onde apreenderam o seu computador pessoal e outros documentos.

O Presidente é suspeito de ter abusado da autoridade e forçado duas funcionárias da Presidência a manter relações sexuais com ele, ameaçando-as de despedimento caso recusassem.

A investigação policial começou com a apresentação de uma queixa de Katzav contra uma das funcionárias que, segundo o Presidente israelita, estava a chantageá-lo. Essa funcionária afirmou, ao ser interrogada na sequência da acusação de chantagem, que o Presidente a obrigou a manter relações íntimas sob ameaça de despedimento.

A polícia vai também investigar suspeitas de que o Presidente terá favorecido conhecidos, concedendo indultos a prisioneiros.

O diário Maariv refere que um dos mais conhecidos chefes do crime, Zeev Rosenstein, terá sido alertado por membros do gabinete de Katzav da iminência da sua detenção. Zeev Rosenstein foi extraditado para os Estados Unidos, sob a acusação de tráfico de droga.

Dependendo do resultado do inquérito, o conselheiro jurídico do Governo, Menahem Mazuz, que ocupa o cargo de procurador-geral, deverá decidir se será formulada uma acusação contra Katzav, que não beneficia de qualquer imunidade na qualidade de Presidente.

No caso de serem comprovadas as acusações contra Katzav, e se o Chefe de Estado não se demitir, o Parlamento (Knesset) poderá destitui-lo.

O assunto coincide com uma vaga de críticas da opinião pública que acusa o Governo de ter cometido uma série de erros e negligências. Estas críticas são agravadas pela circunstância de vários responsáveis estarem actualmente a ser investigados pela justiça.

O ministro da Justiça, Haim Ramon, acusado de ter beijado uma jovem militar, contra sua vontade, viu-se forçado a apresentar a demissão, no domingo. O deputado Tzahi Hanegbi, presidente da comissão parlamentar para os Negócios Estrangeiros e Defesa, deverá responder perante a justiça por acusações de corrupção, fraude, abuso de confiança e perjúrio, que teria cometido durante o seu mandato na chefia do Ministério do Ambiente, entre 1999 e 2003.
De acordo com a comunicação social, o primeiro-ministro Ehud Olmert terá, por sua vez, beneficiado de um abatimento de meio milhão de dólares (cerca de 400.000 euros) na compra de um apartamento, em Jerusalém, em troca de benefícios a favor de um empresário.

O Chefe de Estado-Maior do Exército, general Dan Haloutz, está também sob o olhar da justiça por ter vendido uma carteira de acções horas antes da guerra contra o Hezbollah, a 12 de Julho, antes da queda da bolsa de Telavive.

Moshe Katzav, 61 anos, do partido Likud (oposição de direita) tornou-se em 2000 no primeiro político de direita a desempenhar as funções de Presidente do Estado hebraico. Nascido no Irão, chegou a Israel pouco depois da sua criação, em 1948. Desempenhou vários cargos ministeriais, nomeadamente dos Transportes e do Turismo.

O seu antecessor, Ezer Weizman, que faleceu em Abril de 2005, foi obrigado a demitir-se em 2000, três anos antes de expirar o seu segundo mandato, devido a um escândalo de corrupção.

Com Lusa


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