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Sahara Ocidental recebe apoio incondicional de Moçambique em vista de Estado

23.02.2017
 
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Sahara Ocidental recebe apoio incondicional de Moçambique em vista de Estado

Brahim Gali, presidente da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) chegou no dia  ao aeroporto de Maputo, Moçambique onde iniciou uma visita de Estado de dois dias, com encontros com o presidente Filipe Jacinto Nyusi e as instituições moçambicanas. Fazem parte da comitiva presidencial  Mohamed Salem Uld Salek,               Ministro dos Negócios Estrangeiros, Bulahi Sid , Ministro da Cooperação; Brahim Ahmed Mahmud,     Ministro de Estado da Segurança e Documentação;  Fatma El Mehdi, Secretária-Geral da União Nacional das Mulheres Saharauis e Kerbach Mohamed Molud, Conselheiro na Presidência.

O presidente da RASD está a realizar um conjunto de viagens de Estado no continente Africano, tendo já visitado África do Sul, Zâmbia e Argélia, esta visita insere-se neste conjunto de contactos do novo presidente .

Moçambique é um aliado  da Frente Polisario e da República Saharaui Democrática desde a sua criação, e foi o sexto país a reconhecer o jovem Estado Saharaui a 13 de Março de 1976. De 1977 até 1982 a Frente Polisário tinha uma delegação em Maputo e já em 1982 foi inaugurada a Embaixada da RASD.

Esta visita de Estado reveste-se assim de grande importância numa quadro político novo em que a atuação da UA e de África para a resolução da descolonização da última colónia de África é essencial.

A entrada na União Africana de Marrocos, é indício de uma nova linha de atuação do reino que face ao problemas resultantes da crise mundial e sobretudo europeia busca novos aliados e mercados, no entanto esta entrada significou também o reconhecimento implícito da RASD e supostamente o respeito pelo documento fundador da UA que é claro no que respeita a integridade territorial e respeito pelas fronteiras, o que significa que Marrocos teria que se retirar do Sahara Ocidental rapidamente.

Moçambique foi um dos países que colocou fortes reservas e se opôs à entrada de Marrocos sem haver primeiro a solução do conflito, a descolonização e independência do Estado Saharaui de acordo com as resoluções das Nações Unidas

".. a ocupação por si só é o primeiro direito humano a ser violado!"

declaração de Oldemiro Baloi, Ministro do Negócios Estrangeiros e de sobre a situação dos Direitos Humanos no Sahara Ocidental. Numa conferência de imprensa após a conversação entre os dois chefes de Estados, os ministros de Negócios Estrangeiros de Moçambique e da RASD apresentaram um resumo do teor do encontro. O membro do governo reafirmou a solidariedade com o povo saharaui e o compromisso de Moçambique na defesa do direito à soberania dos seus irmãos da RASD. A independência é a única solução, segundo Baloi. A assinatura de um protocolo de consultas políticas é o ponta pé de saída para uma nova etapa de cooperação e aprofundamento das relações bilaterais entre os dois Estados.

Em relação à entrada na UA, Baloi, explicou  o processo de admissão de Marrocos ao qual Moçambique e um grupo de outros países, sobretudo da SADEC, se opôs, uma vez que o reino alauita não respeita o principio básico de respeitos pela fronteiras herdadas do colonialismo.

Mohamed Salem Uld Salek, Ministro dos Negócios Estrangeiros da RASD, agradeceu ao governo Moçambicano e à Frelimo, pela sua posição firme de apoio à causa da independência. Relativamente à admissão de Marrocos na União Africana disse que se tinha que partir de um principio de boa fé e esperar que o reino Alauita, respeitasse os princípios que subscreveu e que são a base da União Africana, no entanto se isso não se verificar a situação será de ruptura nesta região. Elencou as múltiplas violações dos direitos humanos nos Territórios ocupados, as violações, os sequestros, as torturas e detenções arbitrárias. Também Uld Salek afirma que a só a independência porá um fim ao sofrimento do povo saharaui.

Numa visita que incluiu encontros e conversações com o Presidente Nyusi, membros do governo de Moçambique, presidência e líderes dos grupos parlamentares da Assembleia da República, a Frelimo e a organização Marcha de Mulheres, o Presidente da RASD, Brahim Gali e a delegação que o acompanhou recebeu a reafirmação do apoio incondicional de todos os representantes moçambicanos à luta pela independência e soberania do Sahara Ocidental.

Na Assembleia da República Brahim Gali foi recebido pela presidente da AR e os líderes de bancada de todos os partidos com assento parlamentar, neste encontro o presidente da RASD e restante delegação recebeu novamente uma declaração de solidariedade com o povo saharaui e o seu direito à autodeterminação por parte de todos os partidos presentes.

O presidente da RASD é também Secretário Geral da Frente Polisario que mantem relações desde o inicio dos anos 70, com a Frelimo onde Gali foi recebido pela direção do movimento de libertação moçambicano.

Representantes da Marcha das Mulheres reuniram com Brahim Gali e Fatma Mehdi, secretária geral da UNMS (União das Mulheres Saharauis), esta organização apoia o povo saharaui a nível internacional através de iniciativas periódicas e denúncia da situação das mulheres saharauis. O Presidente expôs as dificuldades da vida das Mulheres saharauis, e das violações de direitos humanos a que estão expostas nos territórios ocupados. A nossa desgraça é termos muita riqueza no nosso país, mas esperamos que quando alcançarmos a independência poder ajudar muitos países com essa riqueza, disse Gali.

No encerramento oficial da visita na qual participaram entre outros Joaquim Chissano e Gembuza, ex-presidentes de Moçambique e membros do Governo e representantes do corpo diplomático, o Presidente Nyusi reafirmou a solidariedade do seu povo e governo com o povo Saharaui e a RASD. Brahim Gali agradeceu dizendo que estava como se fosse na sua casa, uma casa de lutadores pela independência e que à semelhança dos irmãos moçambicanos o povo saharaui irá conseguir alcançar a sua liberdade uma vez que não está disposto a desistir da sua luta até à vitória.

A importância dos países do SADEC - Comunidade dos Países da África Austral, no apoio à RASD e na defesa dos princípios da União Africana foi realçado mais que uma vez nos vários discursos e encontros pelo presidente e outros membros da delegação. São os países que nos inspiram e cujas lutas e sucessos pela descolonização são as nossas referencias, afirmou Gali.

Moçambique demonstrou claramente durante esta visita que não irá desistir de apoiar o direito do povo saharaui à autodeterminação de acordo com os princípios da União Africana e que não irá tolerar que este conflito siga sem solução.

Isabel Lourenço

Maputo, Moçambique

 


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