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Documentos sobre 35 anos de ditadura de general paraguaio

22.12.2007
 
Documentos sobre 35 anos de ditadura de general paraguaio

SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON

Parte importante do "Arquivo do Terror", os 320 mil documentos, fotos e registros recolhidos ao longo dos 35 anos da ditadura do general paraguaio Alfredo Stroessner, acabam de ser colocados à disposição dos usuários da internet. São 60 mil fichas de pessoas e 246 versões digitais dos papéis mais requisitados do conjunto, os últimos com enfoque na chamada "Operação Condor".


Esses textos trazem novos detalhes, segundo os organizadores do arquivo, da atuação dessa coordenação entre serviços de inteligência das ditaduras sul-americanas nos anos 70 e 80 para perseguir supostos opositores. Os documentos são em espanhol, a maioria, mas há alguns em português, como telegramas de adidos militares brasileiros em Assunção.


Há um documento que traria a primeira prova de que o desaparecimento de dois argentinos no Rio de Janeiro no começo de 1980 foi obra das forças de segurança da Argentina. São o ítalo-argentino Horacio Campiglia e sua irmã, Elcira, que desapareceram depois de levados a prisões em Buenos Aires.


"É o maior site em língua espanhola com registros militares e de polícia secreta sobre abusos que tiveram lugar durante o regime militar no Paraguai e em outros lugares do Cone Sul", diz o texto de apresentação, referindo-se ao bloco formado ainda por Brasil, Argentina, Bolívia, Chile e Uruguai. O site entrou no ar ontem.


A iniciativa é resultado de um acordo entre o Arquivo de Segurança Nacional, um dos centros de documentação histórica mais importantes e ativos dos EUA, o Centro de Documentação e Arquivo para a Defesa dos Direitos Humanos (CDyA, na sigla em espanhol) da Suprema Corte do Paraguai e a Universidade Católica de Assunção.


O projeto começou em 2002 e estava previsto para ser entregue nesse ano, quando se completam 15 anos da descoberta do "Arquivo do Terror". O site tem registros da ditadura de Alfredo Stroessner, que durou de 1954 a 1989, e de ações realizadas antes, já nas décadas de 30 e 40, no Paraguai.


"Esses documentos fornecem uma chave-mestra histórica para as câmaras de horrores dos regimes militares do Cone Sul", disse Carlos Osorio, diretor do projeto. Para ele, atrocidades do passado são relevantes para o debate sobre a conduta das operações antiterrorismo de hoje e do futuro.


O texto de apresentação sugere comparações entre o período e ações controversas do governo Bush. Os sites são

www.gwu.edu/0nsarchiv/NSAEBB/NSAEBB239d/index.htm (em inglês) e www.nsarchive.org/CDyA (em espanhol).


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