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Fuzilamento dos católicos extremistas provoca distúrbios na Indonésia

22.09.2006
 
Fuzilamento dos católicos extremistas provoca distúrbios na Indonésia

Fabianus Tibo, Dominggus da Silva e Marinus Riwu, condenados à morte por liderar a milícia cristã que matou cerca de 200 muçulmanos em 2000, foram fuzilados hoje nos arredores da cidade de Palu, na região central da ilha de Célebes, Indonésia. A sentença de morte tinha sido adiada no mês passado, na sequência de um apelo do Papa, mas o polêmico discurso do Papa na Alemanha na semana passada provocou manifestações de grupos islâmicos em Jacarta, que reivindicavam a imediata execução dos condenados.

Horas após a execução, centenas de manifestantes lançaram pedras e incendiaram carros e postos da Polícia em vários povoados da região, informou o chefe da Polícia de Poso (centro de Célebes), Rudi Sufahriadi. Pelo menos três pessoas ficaram feridas.

Sufahriadi disse que os distúrbios já tinham sido controlados pelos cerca de 4 mil policiais e militares, posicionados na região como parte da operação de segurança.

Segundo a agência oficial de notícias "Antara", cerca de mil simpatizantes bloquearam as ruas da cidade de Atambua, na província de Nusa Tenggara Oriental, e lançaram pedras contra a Promotoria.

A Indonésia é o país muçulmano mais populoso do mundo, com cerca de 220 milhões de habitantes, dos quais 90% são muçulmanos . Os três executados eram da ilha de Flores, que faz parte desta província de maioria cristã.

Fabianus Tibo, de 61 anos, Dominggus da Silva, de 39, e Marinus Riwu, de 49, foram condenados à pena de morte em 2001.

Os juízes acusaram os dois primeiros de liderar a milícia cristã que matou cerca de 200 muçulmanos, entre eles 70 estudantes de um internato islâmico, em maio de 2002. O terceiro foi condenado por ter instruído a milícia no uso das armas.

Organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional denunciaram que o julgamento não cumpriu os padrões internacionais de imparcialidade.

O caso levantou dúvidas sobre o papel da religião no julgamento de acusados da violência sectária que deixou mais de mil mortos na província de Poso entre 2000 e 2001.

Poucos muçulmanos foram condenados pelos confrontos inter-religiosos, todos eles a penas de 15 anos de prisão ou menos. 

Além do fuzilamento dos acusados de Poso, estão pendentes também as execuções dos três condenados à morte pelos atentados de Bali de outubro de 2002, nos quais 202 pessoas morreram, a maioria turistas estrangeiros.

Este fuzilamento, adiado desde agosto, poderia acontecer após o Ramadã, o mês muçulmano do jejum que começa no próximo domingo.

 Com AFP


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