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Sindicato de Jornalistas Palestinos lança campanha pela liberdade de 21 detidos em cárceres

22.07.2016
 
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Sindicato de Jornalistas Palestinos lança campanha pela liberdade de 21 detidos em cárceres israelenses

Foto reproduzida nas redes sociais durante a ofensiva de 2014 contra a Faixa de Gaza. O jornalista era Khaled Hamed, de 25 anos de idade.

O Sindicato de Jornalistas Palestinos lançou uma campanha pela liberdade de 21 jornalistas detidos em cárceres israelenses nesta segunda-feira (18/07). No mesmo dia, Adib Al-Atrash, jornalista de Hebron detido há um mês, recebeu a sentença do tribunal militar israelense de Ofer, na Cisjordânia, para mais três meses de detenção. Não foram feitas acusações formais. Al-Atrash esteve detido em um centro de interrogatórios, de acordo com The Palestinian Information Center.

Na Palestina ocupada e em Israel há ordens militares e uma lei remanescentes da colonização britânica garantindo "poderes de emergência", inclusive para a detenção de "suspeitos" administrativamente.

A "detenção administrativa" pode durar até seis meses, mas o período pode ser renovado, sem que haja acusação formal ou que o/a detido/a tenha contato com um advogado de defesa. De acordo com a Associação de Apoio aos Prisioneiros e Direitos Humanos Addameer, hoje há 715 palestinos e palestinas em "detenção adminstrativa". No total, há sete mil prisioneiros palestinos em cárceres israelenses, dos quais 414 são menores de idade -- 106 deles são crianças menores de 16 anos.

O sindicato lançou uma campanha internacional pela liberdade dos 21 jornalistas. Sindicatos da França, do Reino Unido, da Itália, da Espanha e outros europeus e latino-americanos participam da campanha. A iniciativa envolve remeter cartas à União Europeia e à Federação Internacional de Jornalistas em apelo pela liberdade dos profissionais. As informações são do Centro Palestino de Informações (The Palestinian Information Center).

Além disso, as denúncias de perseguição aos jornalistas incluem a censura e a repressão por parte dos soldados israelenses, especialmente durante confrontos ou protestos. As condições precárias de segurança dos jornalistas ficou mais evidente devido à notícia das mortes de 15 correspondentes palestinos e internacionais durante a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, em julho e agosto de 2014, de acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas.

Khaled Hamad, de 25 anos de idade, por exemplo, foi morto quando um míssil atingiu a ambulância em que ele estava, enquanto filmava um documentário no bairro de Shujaiya, em Gaza, em 20 de julho de 2014. Aquele foi um dos dias mais fatais da ofensiva: um bombardeio israelense que atingiu um mercado de rua matou 72 pessoas, de acordo com a representação palestina na Organização das Nações Unidas (ONU).

Relatórios da ONU e organizações de defesa dos direitos humanos têm apontado para a intenção, por parte do Exército israelense, de atingir jornalistas, redações e estações de rádio e televisão. A proteção dos jornalistas, enquanto civis que não tomam parte nas hostilidades, é uma obrigação no Direito Internacional Humanitário que regula a condução dos conflitos armados.

Entretanto, grupos como o lobby israelense nos EUA, CAMERA (Committee for Accuracy in Middle East Reporting in America, ou Comitê por Exatidão na Cobertura do Oriente Médio na América), têm se dedicado a desconstruir as denúncias levantando acusações contra os jornalistas, para desqualificá-los enquanto sujeitos protegidos pelo Direito Internacional Humanitário. O CAMERA acusou alguns de serem combatentes, em reação às notícias sobre as mortes dos jornalistas na ofensiva de 2014. A precariedade e a perseguição aos jornalistas na Palestina ocupada e em Israel é constante, porém -- inclusive para israelenses.

Em carta recente dirigida ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a Federação Internacional de Jornalistas exige a libertação de Omar Nazzal, membro da Secretaria-Geral do Sindicato de Jornalistas Palestinos. O número de jornalistas detidos tem aumentado exponencialmente. No início de maio de 2016, o diário israelense Haaretz noticiou que Israel detia 10 jornalistas palestinos -- seis deles sem acusação formal.

Por Moara Crivelente,  Cebrapaz

Fonte: Oriente Mídia

 

 


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