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Como eles se tornaram multimilionários

22.05.2007
 
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Seguindo as privatizações de Yeltsin, todos os oligarcas, com raras excepções, chegaram rapidamente ao topo ou perto dele, literalmente, assassinando ou intimidando qualquer oponente dentro do antigo aparelho soviético e os competidores dos gangs predadores rivais.

A medida "política" chave que facilitou o saque e as aquisições iniciais pelos futuros multimilionários foi a vasta e imediata onda de privatizações de quase todas as empresas públicas pela equipa Gaidar/Chubais. Este "tratamento de choque" foi encorajado pela equipa de conselheiros económicos de Harvard e especialmente pelo presidente dos EUA, Bill Clinton, de modo a tornar irreversível a transformação capitalista. A privatização levou a guerras entre os bandos capitalistas e à desarticulação da economia russa. O resultado disso foi o declínio de 80% do nível de vida russo, uma desvalorização generalizada do rublo, e a venda dos recursos petrolíferos o do gás e outros recursos estratégicos, a preços de saldo, para a classe ascendente de multimilionários e para as corporações multinacionais norte-americanas e europeias do petróleo e do gás. Mais de cem mil milhões de dólares por ano foram lavados pela máfia de oligarcas nos principais bancos de Nova York, Londres, Suíça, ou Israel, e noutros lugares, fundos que seriam mais tarde reciclados na compra de bens imobiliários dispendiosos nos EUA, na Inglaterra, em Espanha e em França, assim como em investimentos em equipas de futebol britânicas, em bancos israelenses e empreendimentos conjuntos (joint ventures) mineiros.

Os vencedores das guerras de gangs durante o reinado de Yeltsin continuaram a expandir as operações a uma variedade de novos sectores económicos, investimentos na expansão de empresas sectoriais (facilities) – especialmente no imobiliário e nas industrias extractivas e de consumo – e no estrangeiro. Com o presidente Putin, deu-se a consolidação dos oligarcas- gangsters evoluindo sucessivamente de multimilionários a multimilionários, a multi-multimilionários e por aí afora. De jovens rufias arrogantes e caloteiros locais, tornaram-se sócios "respeitáveis" das corporações multinacionais americanas e europeias, segundo as agencias de relações públicas europeias. Os novos oligarcas russos " chegaram à cena financeira mundial", de acordo com a imprensa económica.

Como destacava recentemente o presidente Putin, os novos multimilionários fracassaram no investimento, na inovação e na criação de empresas competitivas apesar de usufruírem de óptimas condições. Excluindo a exportação de matérias-primas, que beneficiam actualmente de elevados preços internacionais, poucas unidades fabris na posse dos oligarcas estão a ganhar divisas estrangeiras, dado que poucas delas são competitivas nos mercados internacionais. A razão reside no facto de os oligarcas terem "diversificado" a sua actividade para a especulação no mercado de acções (Suleiman Kerimov 14,4 mil milhões de dólares), (Mikhail Prokhorov 13,5 mil milhões de dólares), na banca (Fridman 12,6 mil milhões de dólares) e na aquisição de minas e unidades de processamento de minérios.

Os órgãos de informação ocidentais centraram a sua atenção na luta entre uma mão-cheia de oligarcas da era de Yeltsin e o presidente Vladimir Putin, e no aumento da riqueza de vários multimilionários da era de Putin. No entanto as evidências biográficas demonstram que não existe ruptura entre o aumento de multimilionários durante a era Yeltsin e a sua consolidação e expansão agora com Putin. O declínio dos assassinatos mútuos e a mudança para uma competição regulada pelo estado é tanto um produto da consolidação das grandes fortunas como das "novas regras do jogo" impostas pelo presidente Putin. Em meados do século XIX, Honoré de Balzac, ao analisar a ascensão da respeitável burguesia de França, assinalou as suas duvidosas origens: "Por detrás de uma grande fortuna está um grande crime". As fraudes que deram origem à ascensão por décadas da burguesia francesa do século XIX empalidecem se as compararmos com a pilhagem e a sangria de largas dimensões que estão na origem dos multimilionários da Rússia do século XXI.

Se o sangue e as armas foram os instrumentos para a ascensão dos oligarcas multimilionários russos, noutras regiões do mundo, ou melhor ainda, o consenso de Washington orquestrado pelos EUA, pelo FMI e pelo Banco Mundial, foi a força motriz por detrás da ascensão dos multimilionários da América Latina. Os dois países com maior concentração de riqueza e o maior número de multimilionários na América Latina, são o México e o Brasil (77%), que por sua vez, são também os dois países que privatizaram os monopólios públicos mais lucrativos, os maiores e os mais eficientes. Do total de 157,2 mil milhões de dólares nas mãos de 38 multimilionários latino-americanos, 30 são brasileiros ou mexicanos, e detêm no seu conjunto 120,3 mil milhões de dólares. A riqueza dessas 38 famílias ou indivíduos excede a de 250 milhões de latino-americanos, isto é, 0,000001% da população possui mais riqueza do que 50% da população mais humilde. No caso do México, a riqueza de 0,000001% da população excede o conjunto dos salários de 40 milhões de mexicanos.

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