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Como eles se tornaram multimilionários

22.05.2007
 
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Como eles se tornaram multimilionários

Como eles se tornaram multimilionários

Conheça a classe dominante global - Enquanto o número de multimilionários do mundo crescia de 793 em 2006 para 946 este ano, grandes levantamentos de massa tornavam-se acontecimentos comuns na China e na Índia. Na Índia, que tem o maior número de multimilionários da Ásia (36), com uma riqueza total de US$ 191 mil milhões, o primeiro-ministro Singh declarava que a maior ameaça à "segurança indiana" eram as guerrilhas dirigidas por maoístas e os movimentos de massas nas partes mais pobres do país.

por James Petras

"Por trás de uma grande fortuna está um grande crime".

Honoré de Balzac

Enquanto o número de multimilionários do mundo crescia de 793 em 2006 para 946 este ano, grandes levantamentos de massa tornavam-se acontecimentos comuns na China e na Índia. Na Índia, que tem o maior número de multimilionários da Ásia (36), com uma riqueza total de US$ 191 mil milhões, o primeiro-ministro Singh declarava que a maior ameaça à "segurança indiana" eram as guerrilhas dirigidas por maoístas e os movimentos de massas nas partes mais pobres do país. Na China, com 20 multimilionários com uma riqueza líquida total de US$ 29,4 mil milhões, os novos dominadores, confrontados com quase cem mil distúrbios e protestos confirmados, aumentaram cem vezes o número de polícias armadas anti-disturbios e incrementaram os gastos com os pobres rurais em US$ 10 mil milhões na esperança de diminuir as monstruosas desigualdades de classe e impedir uma sublevação de massas.

A riqueza total desta classe dominante global aumentou 35% ao ano atingindo actualmente US$ 3,5 milhões de milhões (trillions), ao passo que o nível de rendimento dos 55% mais baixos dos 6 mil milhões de habitantes que constituem a população mundial diminuiu ou estagnou. Dito de outro modo, uma centena de milionésimo da população mundial (1/100.000.000) possui mais do que os três mil milhões de pessoas do escalão inferior. Mais da metade dos actuais multimilionários (523) procedem de apenas três países: os EUA (415), a Alemanha (55) e a Rússia (53). Este aumento de 35% da riqueza provém mais da especulação que se tem registado nos mercados de capitais, no imobiliário e no comércio de matérias-primas do que de inovações técnicas, de investimentos em industrias criadoras de emprego ou de serviços sociais.

Entre o grupo de multimilionários mais recentes, mais jovens e que cresceram mais rapidamente, destaca-se a oligarquia russa pelos seus começos mais predatórios. Mais de dois terços (67%) dos actuais oligarcas russos multimilionários iniciaram a sua concentração de riqueza quando ainda não tinham trinta anos de idade. Durante a infame década dos anos noventa, sob o quase ditatorial governo de Boris Yeltsin e dos seus conselheiros económicos dirigidos pelos EUA, Anatoly Chubais e Yegor Gaidar, toda a economia russa foi posta à venda por um "preço político" muito abaixo do seu valor real. As transferências de propriedade, sem excepção, foram conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriação dos recursos do estado, e das actividades ilícitas de manipulação de acções e aquisições de empresas. Os futuros multimilionários saquearam o estado russo um valor de mais de um milhão de milhões (trillion) de dólares em fábricas, transportes, petróleo, gás, aço, carvão e outros recursos pertencentes ao estado.

Contrariamente ao que afirmam publicistas europeus e norte-americanos, tanto de esquerda como de direita, poucos são os ex-dirigentes comunistas de topo que se encontram actualmente entre os actuais multimilionários da oligarquia russa. Em segundo lugar, e em oposição às afirmações dos mestres manipuladores sobre a "ineficiência comunista", as minas, as fabricas e as empresas de energia desenvolvidas pela antiga União Soviética, eram rentáveis e competitivas. Isso está actualmente comprovado pela enorme riqueza privada que foi acumulada em menos de uma década por homens de negócio- gangsters.

Praticamente nenhuma das fontes iniciais de riqueza dos multimilionários está relacionada com a construção, a inovação ou o desenvolvimento de novas empresas eficientes. A riqueza não foi transferida para altos comissários do partido comunista (transferências laterais), mas foram apropriadas pelas máfias privadas armadas dirigidas por universitários recém graduados que rapidamente capitalizaram com a corrupção, intimidação ou assassínio de funcionários responsáveis do estado, e beneficiaram das insensatas contratações de Boris Yeltsin de consultores ocidentais do "mercado livre".

A revista Forbes publica anualmente uma lista dos indivíduos e das famílias mais ricas do mundo. O mais interessante nas famosas notas bibliográficas da revista Forbes sobre os oligarcas russos é a constante referencia à sua fonte de riqueza como tendo sido conseguida "graças ao seu esforço pessoal" (self-made), como se roubar a propriedade do estado, criada e defendida por mais de setenta anos com o sangue e o suor do povo russo, fosse o conhecimento e a habilidade para o negócio de uns quantos bandidos de vinte e poucos anos de idade. Dos oito primeiros oligarcas multimilionários da Rússia, todos começaram por assaltar os seus rivais, criando "bancos de papel" e tomando o controlo da produção de alumínio, petróleo, gás, níquel e aço, e a da exportação de bauxita, ferro e outros minérios. Todos os sectores da antiga economia comunista foram pilhados pelos multimilionários: Construção, telecomunicações, indústria química, imobiliário, agricultura, vodca, alimentação, terra, comunicação social, automóveis, linhas aéreas, etc.

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