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Sionismo, as armadilhas de origem

22.01.2009
 
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Mas o sionismo não recorreu à comunidade internacional, representada pela ONU, para formalizar a partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel? Sim, mas por mero oportunismo, valendo-se da “consciência culpada” dos gentios face ao Holocausto e explorando as tensões geopolíticas entre as antigas potências coloniais européias, Inglaterra (já detentora do “mandato palestino”) e França à frente, Estados Unidos e União Soviética, além da divisão entre os países árabes. E só o fez por constatar que o caminho da violência e do terrorismo não levaria à consecução de seus objetivos.


Portanto, por sua própria origem e seu cerne ideológico, o Estado de Israel se definiu como uma nação que despreza a opinião mundial, não reconhece a comunidade internacional e ignora quaisquer decisões colegiadas que não lhe pareçam convenientes.


É por isso que Israel jamais concordará com a criação de um Estado Palestino, que o obrigue a ceder parte de “sua” terra (como na canção-tema do filme Exodus, “Esta terra é minha / Deus deu esta terra para mim”). Certamente é esse o motivo pelo qual Israel nunca hesitou, e nunca hesitará, em promover “limpezas étnicas” e guerras de extermínio, pelas armas ou pelo boicote, assim como não hesita em atacar instalações e veículos da ONU e da Cruz Vermelha Internacional, “intruso” na “minha terra".


Um Estado que nunca acatou uma resolução da ONU, que viola sistematicamente o Direito Internacional, só pode ser convencido por uma política de contenção de força. Dado o poder de veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da Organização, essa é uma proposta impossível, mas o que é a história senão a concretização de impossibilidades? Um jogo vital que põe por terra as certezas positivistas.


Em 2004, numa decisão histórica, a Corte Internacional das Nações Unidas, em Haia, decidiu que a parte da barreira de 685 quilômetros que Israel estava começando a construir nos territórios palestinos violava a lei internacional. O então ministro das Finanças, Benjamin Netanyahu, foi categórico: ”O que vai acontecer agora é o seguinte: o assunto vai para a Assembléia-Geral da ONU. Eles podem decidir qualquer coisa. Podem dizer que a Terra é chata. Isto não fará com que a decisão seja legal, verdadeira e justa".


Como se vê, na melhor das hipóteses, o que Israel aceitará como “solução palestina” será um gueto, um território sem soberania, definido pelas alegadas necessidades de segurança e seus imperativos nacionais. Como alternativa à desocupação de Gaza, um Estado virtual? É isso o que propõe o colossal aparato político-midiático sionista? Sujeitar a humanidade a seu planisfério?


Ainda está longe o dia da coexistência de dois Estados na Palestina. Atualmente há uma geração, em Gaza e na Cisjordânia, que conhece apenas a vida no gueto. Jovens que aprenderam, com a última ofensiva israelense, que a existência dos filhos de Ismael só é possível sob o refúgio incerto de uma barricada.


Carlos Eduardo Alcântara Martins é economista.e pesquisador. Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15497

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