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Meninos de armas nas mãos

20.11.2008
 
Meninos de armas nas mãos

Esta semana, uma estudante foi morta a tiros por uma colega (ambas de 15 anos) e quatro adolescentes foram apanhados portando armas. Tudo isso aconteceu dentro de escolas públicas no Sul da Flórida e trouxeram de volta imagens de outras tragédias acontecidas em escolas e universidades americanas. Pais e professores, preocupados com a reincidência desses casos, procuram uma solução que impeça atos de violência em local onde os filhos vão para se preparar para a vida, não para a morte.


Ainda em campanha, Barack Obama disse que pretendia mudar a lei que facilita a compra de armas no país. Assim que foi eleito, os aficcionados correram até as lojas especializadas para se armarem ainda mais com pistolas e rifles de vários calibres, antes que o democrata possa mudar as regras depois de empossado.


Por que essa corrida armamentista? Para se sentirem mais seguros dentro de casa, mais poderosos diante dos amigos ou para ensinar "orgulhosamente"aos filhos, ainda pequenos, como manejar uma dessas engenhocas assassinas? Se você escolheu todas as opções acertou.


Semana passada um garotinho de apenas oito anos confessou que matou o pai e o amigo dele com um rifle no Arizona. O menino está sob custódia da justiça sendo avaliado psicologicamente, mas um padre católico da região disse que o pai vinha conversando com ele sobre o desejo de ensinar ao filho como atirar para que ele crescesse corajoso, sem ter medo de armas, protegendo-se quando necessário. Resultado, tanto ensinou, que o garoto acabou matando a tiros o próprio pai.


Essa paixão por armas dos americanos é antiga. E é até incentivada pela emenda número dois da constituição dos Estados Unidos, redigida há mais de duzentos anos, que dá direito ao cidadão de ter e portar armas sem nenhum empecilho.


Comprar uma arma é fácil. Basta preencher um formulário provando que não tem antecedentes criminais e que é legal no país. Cada estado tem normas diferentes, mas há um consenso de que para portar armas de grosso calibre como rifles de caça, por exemplo, o comprador deve ter acima de 18 anos e para as menores como pistolas automáticas, 21. Só que essas regras não são obedecidas na medida em que os próprios pais, como o do menino do Arizona, ensinam os filhos menores a manejar uma arma e ainda os levam ao campo para treinar tiro ao alvo, como se isso garantisse a segurança deles no futuro.


Esse não é um mal só dos Estados Unidos. No Brasil, as regras para a aquisição de uma arma são mais rígidas. Em compensação, no câmbio negro, compra-se o que quiser. Criminosos, e até policiais, compram e vendem armas de qualquer tipo, armando a população para um enfrentamento perigoso com assaltantes que, muitas vezes, matam e ainda levam o revólver da vítima. Sem contar o risco muito comum de acidentes causados por armas domésticas.


Em qualquer grande metrópole do mundo, o cidadão normal que respeita as leis e quer ter tranquilidade de andar nas ruas em segurança e saber que os filhos vão voltar vivos da escola estão ficando cada vez mais apavorados. Todo dia sabe-se de uma notícia da morte de alguém por nada. Mata-se a esmo, apenas pelo prazer de matar. A morte pode estar à espreita em qualquer lugar, no shopping na lanchonete ou até mesmo na escola. Basta encontrar pela frente um desses meninos, treinados às vezes pelo próprio pai para provocar uma tragédia.


No Brasil, nos EUA ou em qualquer lugar do mundo, o grito que não quer calar é um só: desarmamento já. Tomara que o novo presidente dos EUA cumpra a promessa de campanha e mude as regras do jogo, impedindo essa proliferação de armas no país.

Leila Cordeiro

http://www.guiasaojose.com.br/novo/coluna/index_novo.asp?id=1889


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