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Morre Ronald Biggs, o 'ladrão do século XX'

19.12.2013
 
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LONDRES/INGLATERRA - Depois de praticar o "assalto do século", na Inglaterra, ele fugiu para o Brasil em 1970 e morou no País durante 20 anos.  O britânico Ronald Biggs, conhecido como o "ladrão do século XX" pelo assalto ao trem pagador Glasgow-Londres em 1963, morreu na última quarta-feira (18/12) aos 84 anos, em Londres, na Inglaterra.

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

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Biggs, que estava com a saúde debilitada por causa de várias apoplexias, tinha sido visto pela última vez em público no último mês de maio quando esteve presente no funeral de seu companheiro de assalto ao trem pagador Bruce Reynolds, segundo informações da agência britânica.

 

Biggs, cuja história serviu de inspiração para vários filmes, foi o mentor do chamado "roubo do século XX", o assalto ao trem pagador Glasgow-Londres, no qual ele e vários cúmplices levaram 2,6 milhões de libras, a maior quantia roubada até então em um único assalto.

 

Os assaltantes foram detidos um ano depois e Biggs, após ser processado e condenado a 30 anos de prisão, foi levado para a penitenciária de Wandsworth, em Londres, mas conseguiu fugir 15 meses depois.

 

O lendário assaltante esteve foragido em vários países e acabou chegando ao Brasil, onde se estabeleceu no Rio de Janeiro até o ano de 2001, quando decidiu se entregar à Justiça britânica porque queria voltar ao Reino Unido para viver seus últimos anos.

 

Após ser preso no Reino Unido, foi libertado em 2009 por razões humanitárias, pois estava muito doente. No dia 8 de agosto o assalto ao trem pagador completou 50 anos.

 

Perfil de Biggs

 

Biggs ficou famoso por escapar da Justiça por 35 anos. Condenado a 30 anos de prisão por assalto a trem, britânico fugiu, morou em vários países e escapou de ser extraditado várias vezes.

 

Por mais de 35 anos, Ronald Biggs conseguiu driblar as tentativas de trazê-lo de volta ao Reino Unido para que cumprisse pena por sua participação no famoso assalto a um trem pagador em 1963.

 

Biggs se transformou no membro mais conhecido do grupo de assaltantes que, em 8 de agosto de 1963, roubou 2,6 milhões de libras (quase R$ 10 milhões) - mais de 40 milhões de libras (mais de R$ 151 milhões) em valores atualizados - do trem, que ia de Glasgow, na Escócia, para Londres.

 

Apesar da fama, Biggs nunca foi mais do que um criminoso de poucas façanhas. Mesmo no assalto ao trem pagador, o seu papel foi secundário.

 

Ronald Arthur Biggs nasceu em Stockwell, sul de Londres, no dia 8 de agosto de 1929. No final da adolescência, depois de passar grande parte da Segunda Guerra Mundial na Cornualha, começou a se envolver em pequenos crimes.

 

Em 1947, Biggs se apresentou como voluntário da Força Aérea Britânica, a RAF, mas acabou preso e dispensado com desonra depois de apenas dois anos, ao ser flagrado roubando uma farmácia.

 

Um mês depois de sair da prisão por este crime, ele foi preso de novo por roubar um carro e, aos 21 anos, participou de um assalto malsucedido a uma casa de apostas em Londres.

 

Aos 27 anos, ele se casou com Charmian Powell, de 17 anos. Foi nesta época, quando trabalhava como carpinteiro, que Biggs se aproximou de Bruce Reynolds, que tinha conhecido na prisão, para pedir um empréstimo.

Ao invés de emprestar o dinheiro, Reynolds o convidou para participar do assalto a um trem pagador.

 

'Eu estava casado e vivendo honestamente por três anos, e então veio este convite para participar no assalto ao trem. Pedi 24 horas para pensar. Acho que eu só precisava de 20 segundos', disse Biggs mais tarde.

 

Assalto e fuga

 

O grupo, formado por 17 pessoas, parou o trem em Buckinghamshire, no sul da Inglaterra, durante a noite, usando sinais falsos. A contribuição de Biggs foi recrutar um condutor de trens aposentado para levar o trem a um local onde os assaltantes colocariam o dinheiro em caminhões, para facilitar a fuga.

 

Mas, o condutor aposentado não conseguia dominar os controles do trem pagador e o condutor real, Jack Mills, foi obrigado a levar o trem até o ponto de encontro depois de ser golpeado na cabeça com uma barra de ferro. Mills nunca se recuperou totalmente e morreu de leucemia sete anos depois do assalto.

 

As digitais de Biggs foram encontradas em um frasco de ketchup no esconderijo do grupo.

 

Três semanas depois, ele foi preso com outros 11 membros do grupo.

Em abril de 1964, Biggs foi setenciado a 30 anos de prisão, mas, 14 meses depois, ele fugiu da prisão de Wandsworth com uma escada de cordas, feita por ele mesmo.

 

O assaltante então fugiu para Paris, onde gastou 40 mil libras das 143 mil a que tinha direito depois do assalto. O dinheiro foi para uma cirurgia plástica e para a compra de documentos falsos. Biggs foi então para a Austrália.

 

A mulher e os três filhos viveram com ele no país durante quatro anos. Quando a Interpol começou a interrogar as autoridades locais sobre a presença de Biggs, ele fugiu para o Brasil, em 1970, usando um passaporte falso.

 

Prisão e mais um filho

 

Em fevereiro de 1974, Jack Slipper, um agente da Scotland Yard que tinha passado anos perseguindo o assaltante em vários cantos do globo, anunciou que tinha conseguido prende-lo no Rio de Janeiro.

 

Mas Biggs conseguiu escapar da extradição quando se descobriu que sua namorada de 19 anos, uma stripper chamada Raimunda, estava grávida dele - e pelo fato de ele estar se divorciando da primeira esposa.

 

O filho de Biggs com Raimunda, Mike Biggs, foi integrante da Turma do Balão Mágico e atualmente vive na Inglaterra, onde mantinha contato com o pai.

 

Em 1981, um grupo de ex-soldados britânicos tentou capturá-lo novamente, sequestrando Biggs e levando-o para Barbados, onde ele foi entregue às autoridades.

 

Mas, novamente Biggs foi libertado graças a uma brecha na lei e voltou ao Brasil.

 

'Celebridade'

 

No Brasil, Biggs explorava seu status questionável de celebridade aparecendo em propagandas na televisão e escrevendo uma autobiografia.

 

Ele até chegou a participar de um filme com a banda Sex Pistols.

 

Os tabloides britânicos também viviam divulgando histórias de que Biggs estava voltando para a Grã-Bretanha.

 

Até que, em maio 2001, o "The Sun" finalmente levou Biggs de volta ao país. Já doente, ele foi preso ao chegar.

 

Na prisão de Belmarsh ele se casou com a namorada brasileira Raimunda Rothen, mãe de Mike. O filho já fazia campanha para a libertação de Biggs.

 

Em 2007, ele foi transferido da prisão de Belmarsh para a de Norwich, especialmente projetada para detentos idosos. Ele já tinha sofrido derrames e um ataque cardíaco que deixaram sequelas.

 

Em julho de 2009, apesar da intensa campanha de Mike, Biggs teve negado o seu pedido de liberdade condicional.

 

Segundo o Ministro britânico da Justiça na época, Jack Straw, Biggs não tinha demonstrado arrependimento pelos seus atos e 'flertou escandalosamente com a mídia' enquanto ainda era um fugitivo.

 

Mas, no dia 6 de agosto, Straw mudou de ideia e resolveu libertar Biggs, citando evidências médicas de que a saúde do britânico tinha piorado e de que ele não tinha chances de recuperação.

 

Apesar de tudo, Biggs nunca se arrependeu do assalto ao trem pagador - na verdade, pareceu sentir orgulho por sua participação no crime.

 

'Meu pobre e velho pai costumava me dizer 'sei que você vai se dar bem algum dia'. Sabe, acho que me dei bem de uma forma curiosa. Me tornei infame.' Com informações das Agências Internacionais de Notícias.

 

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU

 


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