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Iraque: Passados quatro anos...

19.03.2007
 
Iraque: Passados quatro anos...

Quatro anos depois do início do acto de chacina que custou entre 650.000 e um milhão de vidas civis, inocentes, Presidente George Bush roga a paciência de todos. Será por paciência que o povo dos EUA votou, será por isso que foram gastos 200 biliões de USD? Quais os resultados de quatro anos de ocupação, violação, rapto, tortura, assassínio?

Iraque, Primavera de 2007. As infra-estruturas continuam destruídas, depois de terem sido alvos de ataques por equipamento militar. O país continua em caos, continuam ataques pelos milícia, terroristas – afastados pelo Governo de Presidente Saddam Hussein, jorram pelas fronteiras dentro na época do regime de Bush.

George Bush ainda não encontrou as Armas de Destruição Massiva cujo paradeiro ele declarava há quatro anos que sabia muito bem. Foi empregue armamento de precisão contra civis, famílias foram chacinadas nas suas casas pelos pilotos norte-americanos, munições de fragmentação foram deitadas em áreas residenciais. Pessoas foram raptadas ilegalmente, foram estupradas, espancadas, torturadas, assassinadas. Foram cometidos crimes de guerra.

O Iraque é melhor hoje do que há quatro anos? As mulheres são livres de circular sem usarem o véu, sem serem violadas ou decapitadas? Não. As pessoas são livres a andar nas ruas? Não. Vamos ver como os civis iraquianos responderam a um inquérito realizado pela BBC. 53 por cento afirmam que o país está mal gerido. 39 por cento dizem que sua vida prossegue bem ou muito bem, 60 por cento descrevem-na como “bastante ou muito má”. 64% consideram que daqui a um ano, as coisas serão iguais ou piores.

62 por cento dos inquiridos dizem que o país está igual ou pior do que em 2003, antes da invasão. 79 por cento descrevem o sector de emprego como “bastante ou muito mau”. 88 por cento descrevem o fornecimento de energia eléctrica como mau. Água limpa: 69% (mau). Cuidados médicos: 69% (mau). Disponibilidade de necessidades: 62% (mau). Protecção contra crime: 60% (mau). Situação económica da família: 64% (mau). Disponibilidade de combustível: 88% (mau). Liberdade de circulação: 75% (mau).

Liberdade de viver sem perseguição: 77% (mau). Reconstrução desde 2003: 68% (insuficiente ou nulo). Confiança na ocupação EUA/Reino Unido: 82% contra. Continuação da força de ocupação: 78% contra. 71% dizem que a chegada de mais tropas dos EUA torna a situação pior, ou então fica igual. Presença de forças dos EUA: 79% dizem que torna a situação pior ou não faz qualquer diferença. Ataques sobre forças de ocupação: 51 % consideram-no aceitável.

Abordagem da Federação Russa: 87% neutros ou favorável. Abordagem dos EUA: 88% negativo ou neutro.

Em conclusão, os resultados reflectem fielmente o que qualquer observador vê numa base diária no Iraque, algo que temos estado a dizer nestas colunas há quatro longos anos, algo que dizíamos há quatro primaveras, antes da invasão.

Que este artigo, e a realidade no Iraque, sejam o epitáfio político de George W. Bush, antes deste ser julgado por crimes de guerra. – algo que o TPI na Haia postulou recentemente como uma possibilidade. Paciência.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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