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Mundo

Impulso de hegemonia dos Estados Unidos no mundo

18.09.2008
 
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Enquanto isso, lá longe no império, desde que seja distante, o legado puritano instila cegueira quanto ao uso de bombas de fragmentação a partir da estratosfera e tortura oculta em lugares com nomes estrangeiros como Guantánamo e Abu Ghraib ... e enquanto isso nossos vizinhos do Haiti comem caca, literalmente?

 Nesse sentido a diferença entre americanismo e antiamericanismo é como os dois lados da mesma moeda. Os dois conceitos são o preto e o branco. O americanismo torna-se o lado de trás da Lua. Em italiano é comum o uso da palavra Americanata para definir uma ação ostentosa, negativa e com a qual não se pode contar; uma Americanata revela a nuança negativa do americanismo. Um mau filme estadunidense é sempre uma Americanata. 

A dura verdade é que o americanismo de muitos estadunidenses os quais, embainhados em sua falsa consciência, acreditam que são excepcionais e a inveja do mundo, é uma ilusão. Uma ilusão! Uma miragem no deserto. Para os de fora, há algo de infantil na fé cega deles em seu supostamente superior estilo de vida e sua falsa democracia, que por vezes até despertam um sentimento de comiseração e de piedade em outros povos, que tendem a considerá-los na melhor das hipóteses crianças malcomportadas e, não obstante, perigosas.

E eles continuam a cantar onde os problemas se derretem como gotas de limão....

Houve um tempo, depois da Segunda Guerra Mundial, em que os outros povos imitavam a maneira de falar, vestir, andar e pensar dos estadunidenses. Não mais! No passado, os estadunidenses eram bem-vindos em toda parte. Não mais! A aura do "sonho estadunidense" no passado fez do americanismo um culto. Agora, as outras pessoas não entendem por que não se sentem bem-vindas nos Estados Unidos; não compreendem a mania reinante de terrorismo; não conseguem entender as guerras.

Embora os estadunidenses sempre tenham sido mimados, os estrangeiros já estão notando que as antigas liberdades pessoais que no passado eram o fundamento do americanismo diminuíram. (Perdoem-me essas generalizações mas, por vezes, em assuntos da espécie levantamentos e pesquisas  e dados são inúteis.) Embora sem comparar gráficos e escalas de salários e aluguéis e aspectos econômicos da vida, os europeus percebem que seu próprio padrão de vida é superior. Possivelmente, por outro lado, ainda não se fazem idéia das dificuldades ou da extensão dos percalços que muitos estadunidenses enfrentam — desemprego e emprego precário, falta de serviços básicos de saúde, falta de habitação.

Para estrangeiros que chegam, dez impressões digitais e  revista corporal nos pontos de entrada dos Estados Unidos servem para acentuar a sensação de  "Estados-Unidos-fortaleza-contra-o-mundo" e para tornar exacerbado o ímpeto de globalização-imperialismo dos Estados Unidos. Os sentimentos antigamente positivos, de inveja, dos europeus em relação aos Estados Unidos desvaneceram-se no redemoinho e no vórtice do militarismo dos Estados Unidos. A realidade é que, exceto em casos pessoais, poucos europeus aspiram a viver nos Estados Unidos nos dias de hoje. Via de regra, apenas os muito pobres do mundo procuram imigrar para os Estados Unidos.

Antes do 11/9, tive ocasião de viver em New York City durante alguns anos, num edifício de apartamentos no Upper West Side onde a equipe de 16 homens de pessoal de serviço era toda formada de latino-americanos, vivendo frugalmente com baixa remunderação. Cada um deles confessou seu sonho de voltar "para casa" no México ou na República Dominicana ou no Peru logo que acumulasse economias suficientes para comprar uma casa ou abrir um negócio  lá..

Naquele microcosmo de imigrantes, o "sonho estadunidense" estava morto e enterrado.

Posto que a maioria das pessoas do mundo parece estar infectada com a doença, o antiamericanismo é um bom ponto de partida para o entendimento do americanismo. Primeiro, porém, há que perguntar por que o antiamericanismo contaminou o mundo. No passado, o governo dos Estados Unidos colocava a culpa na nefasta Esquerda Européia, na Esquerda Festiva e nos comunistas e também no fato de os europeus ficarem verdes de inveja diante do estilo de vida estadunidense.

Que a real Esquerda Européia de Sartre em diante sempre foi desconfiada em relação aos Estados Unidos é verdade, mas nunca como atualmente.

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