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Conspiração norte-americana contra a Bolívia!

18.04.2006
 
Conspiração norte-americana contra a Bolívia!

 A frente de forças sociais e políticas formada pelo agora no governo Movimento Para o Socialismo (MAS), quando estava na oposição, chamada Estado Maior do Povo, denunciou ontem a participação dos Estados Unidos numa estratégia de desgaste do seu governo e apelou à defesa da administração do presidente Evo Morales.

Segundo afirmou o Coordenador do EMP, Hugo Moldiz, em declarações à agência noticiosa cubana Prensa Latina, "a conspiração estará a cargo da embaixada norte-americana e da oligarquia de Santa Cruz", cidade situada na zona oriental da Bolívia, "juntamente com os partidos de direita", elementos que actuarão de forma "separada mas coordenada".

 A estratégia consistirá em desgastar e debilitar o governo de esquerda, porque não terão força para partir para uma confrontação aberta, e neste fito, exageram e tratam de agravar os problemas sociais e políticos, sustenta. Moldiz proferiu estas afirmações ao lançar um apelo do EMP, dirigido às organizações populares e aos lideres sindicais e políticos de esquerda para que defendam o governo do presidente Morales contra a acção do "neoliberalismo norte-americano e boliviano, que tenta enfraquecer" o processo de reformas encetado pelo novo governo de esquerda.

 Lamentou que dirigentes da Central Operária Boliviana (COB) e dos sindicatos dos professores e dos profissionais de saúde estejam a fazer o que considera ser uma leitura errada da situação e, ao exagerarem as suas legítimas reivindicações, sirvam os inimigos do povo. Defendeu que, nesse sentido, esses sectores, ao não identificarem como inimigo principal o neoliberalismo, estão a cometer os mesmo erros que propiciaram a queda do governo patriótico de Juan José Torres à mãos de um golpe fascista, em 1971, e o desgaste da administração democrática de Hernán Siles Zuazo, entre 1982 e 1985.

Moldiz anunciou que uma assembleia do EMP irá avaliar os primeiros três meses do governo e definir mecanismos de defesa da democracia e da unidade nacional em torno do presidente Morales. Adiantou que o EMP apelará à "persuasão, à luta ideológica, à batalha de ideias e à realização de movimentações sociais para fazer frente a uma conspiração que começou logo que o presidente Morales tomou posse", assegurou Moldiz.

A experiência negativa das décadas anteriores foi também referida pelo líder da Confederação Sindical Camponesa, Román Loayza, também dirigente do EMP, para apelar à Central Operária Boliviana que adira ao "movimento de defesa da democracia". Esse movimento, assegurou, deve garantir a concretização da Assembleia Constituinte - a ser eleita no próximo mês de Junho -, para refundar a Bolívia e estabelecer um "novo pacto social com igualdade e sem discriminação". A reactivação do EMP parece ser a resposta a uma agudização dos conflitos sociais, com protestos da COB e dos sindicatos de professores e de profissionais de saúde.

 Luís Carvalho

PRAVDA.Ru


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