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Novo mundo: a economia e a bioética

18.01.2012
 

Economista e palestrante Welinton dos Santos

Novo mundo: a economia e a bioética. 16269.jpegUm mundo em transformação, precisamos avaliar questões ousadas que vão alterar a cultura e a ética social. Como o filósofo Hans Jonas, afirmava, a ética pertencia ao aqui e agora, por sua vez nossa sociedade vive situações de incertezas e desconhece boa parte dos novos conhecimentos.

A aproximação da ciência não é vista de forma clara, nem mesmo entre estudiosos espalhados pelo mundo, ressalto a importância e mérito de muitas pesquisas e parabenizo ao trabalho árduo de tantos estudiosos pelo planeta, porém, observo com prudência a atitude de alguns cientistas que se preocupam apenas com o dinheiro em detrimento do conhecimento tão necessário para o desenvolvimento intelectual de nossa sociedade. O progresso é a construção de valores éticos como exemplo: a ética do meio ambiente, ética das tecnologias, bioética (que surgiu nos anos 70), ética das ciências, a neuroética (uma disciplina em construção), entre outras.

As fronteiras da vida e da morte, a mudança genética de alimentos, terapia gênica, células troncos, tecnologias reprodutivas, clonagem de seres, tudo isto e muito mais, mostram a complexidade da incerteza de nosso futuro.

O progresso não pode ser construído com interesses individuais, mas sim coletivos, como propõem a bioética, em um mundo que passa por mudanças políticas, demográficas,

culturais, epidemiológicas, econômicas e intelectuais.

O desenvolvimento econômico auxiliou de forma positiva a propagação do conhecimento, no processo de globalização da ciência, tornando disponível a informação em várias regiões do globo, porém, existem fatos em que prevalece o consumo ao da razão e isto tornou um círculo vicioso perigoso ao planeta, os interesses individuais, contrários aos direitos coletivos que podem provocar tensões planetárias em virtude das consequências dos problemas sociais e ambientais da atualidade.

As decisões prudentes devem contemplar a decisão individual com respeito ao coletivo, respeitando os princípios da solidariedade, da justiça, da equidade, nas reflexões da bioética. Várias doenças são negligenciadas, pelo resultado financeiro pouco atraente, colocando milhares de vidas a mercê da própria sorte, como é o caso da dengue, da febre amarela, malária e tantas outras pelo mundo. Estas doenças não estão na prioridade das pesquisas científicas. Os recursos existentes e as equipes orientadas exclusivamente para estas doenças básicas, não são o suficiente para a demanda crescente e repetida, da evolução destas patologias. Este é um exemplo prático na interface de tensão entre a saúde e a sociedade, apesar de grandes avanços na diminuição da incidência de doenças infectocontagiosas e das imunopreveníveis.

Os interesses econômicos devem respeitar a concepção de Kant (ele  compreende que toda pessoa deva ter dignidade, estando acima de quaisquer valores materiais), observada na Declaração Universal de Bioética e Direito Humanos da UNESCO, que observar em um de seus itens a promoção e respeito pela dignidade humana e proteção dos direitos humanos, assegurando o respeito pela vida dos seres humanos e pelas liberdades fundamentais, de forma consistente com a legislação internacional de direitos humanos.

Afinal: os interesses e o bem-estar do indivíduo devem ter prioridade sobre o interesse exclusivo da ciência ou da sociedade. O respeito para com os outros seres vivos deve ser interdependente com os humanos com responsabilidade de respeito à diversidade ética e ao multiculturalismo e compete à economia buscar consensos dialógicos e participativos como instrumento de crescimento da bioética econômica.


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