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Primeiro-ministro ucraniano diz não à OTAN

17.09.2006
 
Primeiro-ministro ucraniano diz não à OTAN

Na última quinta-feira, depois de uma reunião com oficiais da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar entre os Estados Unidos e quase todos os países europeus), o primeiro-ministro ucraniano, Viktor Yanukovitch, disse que seu país não tentará ingressar rapidamente a essa aliança, e que isso teria primeiro que ser aprovado por um plebiscito popular.

Isso equivale a dizer que a Ucrânia não entrará na OTAN, pois várias pesquisas de opinião mostram que a maioria da população desse país não deseja ingressar na aliança militar ocidental.

Por outro lado, o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, e os ministros do exterior e da defesa, criticaram Yanukovitch, dizendo que a entrada na OTAN é uma das prioridades máximas de seu país.

Para poder entender o conflito entre o primeiro-ministro e o presidente, é preciso recapitular os eventos de dezembro de 2004, quando o atual presidente “ganhou” as eleições graças a Washigton e Bruxelas. Os dois principais candidatos eram exatamente Yanukovitch e Yushchenko — o primeiro defendia uma posição intermédia da Ucrânia em relação à Rússia, aos EUA e à OTAN, mantendo boas relações com todas as partes, mas sem desejar entrar à OTAN, o que arruinaria as relações com a Rússia e causaria insatisfação à grande população russófona do país.

Já Yushchenko propunha que a Ucrânia deveria afastar-se por completo da Rússia, ingressar na OTAN, tentar entrar na União Européia, e apoiar incondicionalmente os EUA.

Yanukovitch aparentemente ia ganhar as eleições, mas antes que os votos terminassem de ser contados, uma revolta patrocinada pelos EUA, UE e George Soros (o bilionário do sistema financeiro que gosta de desestabilizar regimes na antiga URSS, dizendo estar assim estimulando a democracia) levou a um novo pleito que, curiosamente, dessa vez foi vencido por Yushchenko.

A nova administração, longe de levar ao fortalecimento da democracia e da livre iniciativa, foi marcada por disputas internas, escândalos de corrupção e uma tremenda desaceleração da economia: o crescimento do PIB passou de 8%, em 2004, a 3% neste ano. Yushchenko perdeu a maioria parlamentar nas eleições legislativas neste ano, e foi forçado a dar o cargo de primeiro-ministro a seu rival Yanukovitch, cujo partido agora tem a maioria das cadeiras no congresso.

Por isso temos o atual conflito: Yanukovitch, agora no poder, tenta levar a Ucrânia a ter uma posição moderada e manter boas relações com a Rússia, essenciais para o desenvolvimento econômico de seu país. E Yushchenko fará todo o possível para submeter a Ucrânia incondicionalmente a Washington e a Bruxelas, para provar assim que o dinheiro destes não foi desperdiçado.

Por enquanto, ainda é cedo para saber quem ganhará essa queda-de-braço entre os dois principais cargos governamentais da Ucrânia. Yanukovitch tem o apoio da maioria da população, principalmente do leste do país, a região mais populosa e industrializada. Yushchenko é cada vez mais impopular, mas sempre pode contar com os EUA, a UE e a OTAN.

Aproximar-se do ocidente às custas das relações com a Rússia, que é o que deseja Yushchenko, aprofundará a crise econômica da Ucrânia: pois a Rússia é o principal fornecedor de energia e matérias-primas da Ucrânia, e seu principal consumidor de produtos agrícolas e industriais. A União Européia e os Estados Unidos não tem nenhum interesse em desenvolver o setor industrial de alta tecnologia da Ucrânia (que poderia competir com suas próprias empresas), e se puderem vão sucatear o parque industrial ucraniano.

Se bem sucedidas, as medidas do presidente Yushchenko levarão à desindustrialização da Ucrânia, à estagnação da economia e do nível de vida, e talvez até a uma guerra civil com a comunidade russófona, muito grande e muito forte. Não é um futuro brilhante para um país que tem tudo para ser uma grande potência européia, com indústrias de alta tecnologia (nucleares, aeroespaciais), terras muito férteis e quase 50 milhões de pessoas com alto nível de educação.

Carlo MOIANA

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Buenos Aires


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