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Brasil, a Conjuntura. Entrevista para o jornal mensal do PRCF

16.02.2016
 
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O governo da coalizão petista, nesses 12 anos, foi marcado por uma ação política que podemos qualificar em duas linhas: gerência do capitalismo, aprofundando os ganhos do capital financeiro e, por outro lado, uma tentativa agressiva de apassivar os movimentos populares e os trabalhadores.

Entrevista ao jornal mensal do PRCF, na França sobre a conjuntura política brasileira.

PRCF: Como você julga a evolução da situação no Brasil: a política governamental, a ofensiva das forças de direita, atitude dos EUA e as respostas populares?

Milton Pinheiro: O governo da coalizão petista, nesses 12 anos, foi marcado por uma ação política que podemos qualificar em duas linhas: gerência do capitalismo, aprofundando os ganhos do capital financeiro e, por outro lado, uma tentativa agressiva de apassivar os movimentos populares e os trabalhadores. Para além dessas duas características, podemos perceber que os governos Lula e Dilma fizeram uma inflexão à direita, colocando-se como gestor/mediador da crise do capital, retirando direitos sociais e trabalhistas de forma radical, cedeu de forma constrangedora ao papel da captura da política pelo poder econômico. 

Outra característica do governo burgo-petista foi tentar resolver os problemas sociais através da cooptação e do assistencialismo.

A situação política do Brasil está sendo marcada pela velocidade da conjuntura. As forças reacionárias, inclusive uma parte da base política do governo Dilma, tem se movimentado pelo impedimento da presidente. Contudo, os deslocamentos políticos que pareciam caminhar neste sentido sofreram reveses com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em colocar regras para o processo, o que terminou favorecendo o governo.

Existe no Brasil uma correlação de forças que deixa o jogo político num verdaeiro impasse: as forças políticas de direita, inclusive de caráter fascista, não consegue obter respaldo expressivo no parlamento, embora tenha tido grande repercussão em manifestações nas ruas pelo Brasil (porém, cada dia menor).

O PSDB, partido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do candidato derrotado, Aécio Neves, embora com grande capacidade de articulação das forças de direita no parlamento, não consegue maior presença nas manifestações de ruas pelo país.

Podemos dizer que, até o momento, a presidente Dilma tem tido o apoio dos EUA, através de alguns pronunciamentos de Barak Obama. No entanto, a sua política externa mantém uma certa autonomia diante da política externa dos EUA.

A correlação de forças não tem favorecido aos segmentos populares, trabalhadores e a esquerda comunista no Brasil. Contudo, existem resposta de setores não reformistas que têm ocupado as ruas, fábricas, escolas e universidades. Trata-se da militância do PCB, da central sindical CSP-Conlutas, de setores do PSOl e segmentos independentes que atuam no movimento operário e no campo. Embora ainda não seja um movimento massivo, trata-se de organizações que não foram cooptados pelo governo e que mantém sua autonomia política e de classe. 

PRCF: Qual é a intervenção do PCB para politizar a resistência e propor uma alternativa revolucionária?

Milton Pinheiro: O Partido Comunista Brasileiro - herdeiro das melhores tradições de lutas operárias, populares e culturais - a partir da sua reconstrução revolucionária, tem se organizado pela base dos movimentos populares e de trabalhadores, entre a juventude e o movimento de mulheres, no sentido de organizar uma resistência que se consolide enquanto espaços de poder popular, lutando pela perspectiva do socialismo.

Não acreditamos na plataforma reformista que organiza suas lutas tendo em vista o processo eleitoral. Apesar de considerarmos a participação no processo eleitoral importante, como momento de denúncia do capitalismo. As teses do PCB informam que o caráter da revolução brasileira é socialista. Portanto, nossas lutas táticas estão subordinadas a esta estratégia.

O PCB tem se batido pela formação de uma frente anticapitalista e antiimperialista como instrumentos de movimentação dos trabalhadores, na perspectiva do poder popular e da revolução socialista.

O Partido Comunista Brasileiro - herdeiro das melhores tradições de lutas operárias, populares e culturais - a partir da sua reconstrução revolucionária, tem se organizado pela base dos movimentos populares e de trabalhadores, entre a juventude e o movimento de mulheres, no sentido de organizar uma resistência que se consolide enquanto espaços de poder popular, lutando pela perspectiva do socialismo.

 

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Milton Pinheiro


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