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Ali Agca diz que ordem para matar o papa João Paulo II partiu do próprio Vaticano

15.11.2010
 

ANKARA/TURQUIA (PRAVDA RU) - O terrorista turco Mehmet Ali Agca, que em 13 de maio de 1981 atirou contra o papa João Paulo II, em Roma, na Itália, disse em declaração à televisão da Turquia que a ordem para matar o chefe supremo da Igreja Católica Apostólica Romana partiu do próprio Vaticano.

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Correspondente Internacional

Ali Agca foi posto em liberdade em 18 de janeiro deste ano, depois de passar 30 anos na prisão pela tentativa de assassinato do papa João Paulo II, em 1981, e pelo assassinato do jornalista turco Abdil Ipecki, em 1979.

"O Vaticano decidiu sobre o assassinato do papa. Eles planejaram e organizaram. A ordem de atirar no papa foi dada pelo secretário do Vaticano, cardeal Agostino Casaroli", informou o terrorista turco.

Logo após tentar matar o papa, Ali Agca disse que agiu sozinho. Essa nova declaração é mais uma das várias e contraditórias declarações que ele fez, desde 1983, quando foi perdoado por João Paulo II, ao visitá-lo na prisão.

Hoje, Ali Agca está com 52 anos, sofre de problemas mentais, segundo analistas. Logo após ser posto em liberdade, ele disse que é "o segundo Jesus Cristo" e que está "reescrevendo a Bíblia". Em meio a frases desconexas, ao ser libertado da prisão, Ali Agca disse: "Eu sou o Cristo eterno".

Anteriormente, Ali Agca disse que tinha conexão com um grupo palestino e depois culpou o serviço secreto da Bulgária pela tentativa de assassinato do papa João Paulo II.

Ao ser preso, em 1981, Ali Agca disse ser membro da Frente Popular para a Liberação da Palestina, mas a organização negou qualquer relação com ele.

Mais tarde, Ali Agca afirmou fazer parte de uma conspiração financiada pela Bulgária, com o apoio da KGB, para assassinar o Papa pelo seu apoio ao movimento polonês "Solidariedade". Essa outra afirmação de Ali Acga nunca foi confirmada.

Preso na Itália, inicialmente, Ali Ağca foi condenado à prisão perpétua pela tentativa de assassinato do papa João Paulo II, mas recebeu anistia do presidente Carlo Azeglio Ciampi em junho de 2000.

No seu retorno à Turquia, Ali Agca foi preso pelo assassinato do jornalista Abdi Ipecki, em 1979. Suspeita-se que Ali Agca era simpatizante da organização de extrema-direita, Lobos Cinzentos, que na década de 1970 combatia os esquerdistas, como era o caso de Abdi Ipecki.

João Paulo II foi atingido na mão esquerda, no abdómen, e no braço direito, mas as balas não chegaram a atingir órgãos vitais. O papa conversou com Ali Ağca na prisão de Rebibbia, em 1983, quando teria dito à mãe do turco: "Fique calma, pois já perdoei seu filho".

Segundo Yilmaz Abosoglu, um dos seus advogados, antes de ser libertado, Ali Agca foi examinado por psicólogos de um hospital militar, que o declararam mentalmente desequilibrado e isento do serviço militar. O relatório médico terá que ser aprovado pelo Ministério da Defesa.

A libertação de Ali Agca reacende o mistério em torno das causas que estiveram por trás da tentativa de homicídio de João Paulo II, nunca esclarecidas. A verdade é que após três investigações e os julgamentos de três búlgaros e quatro turcos, nunca foram provadas essas ligações.

Numa visita que realizou à Bulgária em 2002, João Paulo II disse não acreditar que aquele estado balcânico estivesse envolvido na tentativa de homicídio. Após o encontro que manteve com o turco, em 1983, na prisão, João Paulo II disse que Ali Agca tinha muita preparação militar e não acreditava que tenha agido sozinho.

No comunicado que emitiu, através dos seus advogados, Ali Agca afirmou que nas próximas semanas irá esclarecer todas as dúvidas sobre a tentativa de assassinar o papa João Paulo II, incluindo as relativas ao eventual envolvimento dos governos soviético e búlgaro.

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA RU no Brasil

 


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