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Indústria petrolífera beneficia ocupação do Saara Ocidental

15.03.2014
 
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Em dezembro de 2013, saarauis protestaram contra um acordo entre o Marrocos e a União Europeia para permitir a pesca a embarcações europeias nas águas do Saara Ocidental, ilegalmente ocupado pelo reino marroquino. (Reuters)


Diversos grupos estão denunciando os planos de uma empresa  do setor energético dos Estados Unidos para explorar campos de petróleo no território contestado do Saara Ocidental, ocupado pelo reino do Marrocos desde a década de 1970. Executivos marroquinos e estadunidenses estão reunidos para discutir o aprofundamento dos laços entre os dois países no setor privado, enquanto a ocupação ilegal do território saaraui continua sendo denunciada.


Em dezembro de 2013, saarauis protestaram contra um acordo entre o Marrocos e a União Europeia para permitir a pesca a embarcações europeias nas águas do Saara Ocidental, ilegalmente ocupado pelo reino marroquino.


Representantes do governo e do setor privado dos Estados Unidos e do Marrocos reúnem-se em Rabat, durante esta semana, para a segunda Conferência anual para o Desenvolvimento Comercial Marrocos-EUA. O governo marroquino diz esperar capitalizar o acordo de livre-comércio assinado com os Estados Unidos em 2006 e encorajar o investimento estadunidense no país, ao apresentá-lo como uma "porta para os mercados europeus, africanos e do Oriente Médio."
 
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A apresentação comercial das oportunidades  de negócio ficou a cargo de Jean Abi Nader, diretor-executivo do Centro Americano de Investimento e Comércio estabelecido pelo rei Mohammed VI; o governo tem enfatizado a exploração do petróleo em sua política energética e comercial.


Ainda em 1976, o conflito irrompeu entre o Marrocos e a Frente Frente Popular para a Libertação de Saguia al-Hamra e Rio de Oro (Polisario), após o fim da ocupação colonial da Espanha sobre o território. A Frente já havia sido criada em 1973, a fim de garantir a autodeterminação da região, mas o reino marroquino acabou por ocupá-lo ilegalmente.
Na contramão da luta saaraui pela libertação, corporações estadunidenses e europeias têm se apressado por aproveitar as concessões das possíveis reservas de petróleo, algumas potencialmente localizadas no território ocupado do Saara Ocidental.


Uma dessas corporações é a Kosmos Energy, baseada no Texas e que já começou a exploração de hidrocarbonetos em três blocos da bacia de Agadir. Mais controversamente, a Kosmos agora pretende iniciar a exploração na costa do Saara Ocidental, conhecida como Cap Boujdour, em outubro.


Exploração ilegal do território ocupado
Grupos de defesa da reivindicação saaraui como o Observatório dos Recursos do Saara Ocidental (Orso) contesta a legalidade dos negócios estrangeiros, como o da Kosmos, que trabalha com o governo marroquino para explorar recursos do território ilegalmente ocupado pelo reino.


Até hoje, a soberania do Marrocos sobre o Saara Ocidental não é reconhecida, e a região está na lista das Nações Unidas de "Territórios sem Autogoverno". Ainda assim, em 2002 o governo marroquino forneceu contratos para a exploração de petróleo no Saara Ocidental às companhias Kerr McGee, dos EUA, e à Total S.A., da França.


Em resposta, a Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um documento opinativo sobre a legalidade da extração no território, a chamada "Opinião de Corell", que reconhece o Marrocos como "potência administrativa" do Saara Ocidental, mas especifica que a exploração contrária à vontade dos saarauis violaria os princípios do direito internacional sobre as atividades minerais em "Territórios sem Autogoverno".


"O Marrocos não pretende respeitar o direito do povo à autodeterminação hoje, e a indústria petrolífera está se tornando um obstáculo na pressão contra o Marrocos para aceitar este direito," disse o diretor da Orso, Erik Hagen, à agência de notícias IPS.


Os saarauis, continua, "estão marginalizados neste projeto, abanando os braços e dizendo às companhias para pararem de [explorar] em nome do governo marroquino. [Elas] estão trabalhando com um governo ocupante."
 
Por Moara Crivelente, da Redação do Vermelho,
Com informações do portal All Africa
http://www.iranews.com.br/noticia/11884/industria-petrolifera-beneficia-ocupacao-do-saara-ocidental


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