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Medalha da Liberdade para Blair: Tão previsível como foi nojento

14.09.2010
 
Medalha da Liberdade para Blair: Tão previsível como foi nojento

No mundo de hoje, onde os preceitos do direito internacional podem ser arrastados em um ataque de pique, onde a Organização das Nações Unidas pode ser desprezado e desrespeitado à vontade e onde cada norma da diplomacia pode ser moldada e bajulada por capricho, não vem como nenhuma surpresa que dois criminosos de guerra poderiam apertar as mãos no palco na Filadélfia ontem, quando a Medalha da Liberdade foi entregue por Bill Clinton a Tony Blair.


Na verdade, é surpresa, sim - que a medalha não foi concedido ao ex-primeiro-ministro britânico por George W. Bush, o Ás de Espadas no pacote satânico de cartas. Os coniventes sorrisos e apertos de mão entre o ex-Presidente dos EUA Bill Clinton, a Presidente dos Centros Constitucionais Nacionais David Eisner e Tony Blair no palco da National Constitution Center, em Filadélfia, na segunda-feira quando a Medalha da Liberdade 2010 foi entregue a Tony Blair foram tão repugnantes como a atribuição do prêmio em si foi e é absurdamente previsível.


Que a pessoa responsável pelo bombardeamento ilegal da Sérvia e mestre por trás da criação da questão do Kosovo possa levantar-se em público e pretender representar nobres preceitos como liberdade e paz, diz tudo. Que a medalha possa ser atribuída a um do Quarteto do Mal (Bush, Blair, Aznar, da Espanha e José Barroso, de Portugal), que decidiu unilateralmente romper cada fibra do direito internacional, dando o aval a ir em frente com o ataque ilegal contra o Iraque, faz uma zombaria da medalha da Liberdade, transformando-a em um inútil pedaço de lata, lixo que deveria doravante ser jogado no esgoto mais fedorento e mais próximo.


A a tribuição da Medalha da Liberdade a Tony Blair também é um insulto aos ex-vencedores, como Nelson Mandela, Shimon Peres e Kofi Annan. No entanto, também já foi atribuída a Colin Powell, aquele que mentiu entre os dentes, na sede da ONU em Nova York, apresentando achados dos serviços de inteligência “maravilhosas”, que o Iraque de Saddam Hussein tinha armas de destruição maciça, que na verdade era nada mais nada menos do que umas poucas fotografias aéreas de leite em pó e um documento de internet uma década fora de prazo copiado e colado e tornado mais sexy pelos Serviços de Inteligência britânicos.


Nelson Mandela no momento manifestou sua indignação com o ataque ao Iraque, alegando que era "fundamentalmente errado". E f oi, como eu disse nesta coluna meses antes de ter sido lançado, pelo fato de que, sob todos os princípios e devido processo legal previsto na Carta da ONU, uma segunda resolução foi sempre necessária antes que qualquer ataque poderia ter sido lançado. Eles sabiam disso.


No entanto, foram em frente e criou-se um precedente perigoso, que não só tirou a vida de cerca de um milhão de pessoas, destruiu as infra-estruturas de um país inteiro para que os contratos de reconstrução pudessem ser repartidos entre compadres da Casa Branca, assim como os amigos de Cheney poderiam agarrar os artefatos dos museus do Iraque (uma lista foi, alegadamente, entregue ao seu gabinete antes da invasão), mas também alimentou a causa dos terroristas, que - com razão - não conseguem ver nenhuma diferença entre um civil iraquiano assassinado por algum torturador covarde em um uniforme norte-americano e um cidadão americano assassinado por algum imbecil demente com um desejo de se explodir depois de gritar Allahu Akhbar.


Nunca, desde Hitler, na história da humanidade foi tanto mal feito por tão poucos a tanta gente, nunca foi um cutelo de tamanha peso clivado entre as religiões e culturas cristã e islâmica. Se esta medalha tivesse sido atribuída a Tony Blair, há uma década, pelo seu trabalho na Irlanda, ninguém teria reclamado. Mas, novamente, ele já havia começado nas suas façanhas assassinas apoiando Bill e Hillary “Eu estive numa Zona de Guerra” Clinton nos Balcãs.


A Medalha da Liberdade não serve para mais nada, aparentemente, do que branquear os atos assassinos daqueles que foram suficientemente subservientes às necessidades de Washington.


Timothy Bancroft-Hinchey
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