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A corrupção na exploração do petróleo africano

14.01.2011
 

Wladmir Coelho

A importância do continente africano para a indústria petrolífera
mundial apresenta-se em crescimento representando em 2010 10% da
produção mundial. Esta produção iguala-se a soma do Irã, Venezuela e
México existindo a expectativa de alcançar 15% do total mundial em
2020.   Naturalmente o petróleo africano conhecido não encontra-se
distribuído de modo equânime entre os 54 países do continente
concentrando-se no território de 16 nações das quais destacam-se
Angola, produzindo 2 milhões de barris ao dia, e Argélia com 1,9
bilhões de barris diários.


Dentre os países produtores a Líbia apresenta uma reserva formidável de 56 bilhões de barris (a maior da África) condição não relacionada diretamente à produção em função do bloqueio unilateral estadunidense iniciado em 1986 suspenso, simbolicamente, em 2008 com a visita da então Secretária de Estado Condolezza Rice ao Coronel Kadafi. Naquele mesmo ano Tony Blair anunciou a disposição inglesa de anistiar o antigo "Estado pária" culminando toda esta bondade com autorizações
para atuação no país da British Petroleum e Exxon Mobil dos EUA.


O incrível desta situação é verificar anúncios de descobertas
fantásticas de petróleo por estas empresas associados ao debate
competência das empresas privadas versus incapacidade das estatais ignorando-se a barreira levantada contra a Líbia impedida durante 22 anos de comprar os equipamentos necessários a manutenção e abertura de novos campos petrolíferos acrescido, este quadro, da asfixia econômica em função da limitação da comercialização do petróleo extraído.


       A experiência líbia serviu de lição aos grandes consumidores de petróleo preferindo estes, através da diplomacia corrupto-petrolífera, negociar diretamente com governos abertos aos investimentos
internacionais tarefa complexa segundo declaração de Stevie Laut, presidente da Canadian Natural  Resource, ao site The Globe and Mail: "Não é fácil  entrar nessa área [mercado petrolífero africano] você
precisa construir relações intensas com o governo".


       Esta fórmula ilustra perfeitamente o quadro exploratório da Guiné Equatorial cujo petróleo descoberto nos anos 60 somente foi explorado em 1991 através da estadunidense Móbil. O modelo de abertura aos oligopólios, estes dos EUA, incluía o repasse direto dos valores arrecadados para a conta do presidente Teodoro Obiang oitavo presidente mais rico do mundo segundo a revista Forbes.


       A simples apresentação dos números resultantes do marco regulatório implantado por Obiang provocariam euforia em qualquer neoliberal diante do crescimento fantástico da economia apresentando índices de 15% entre 2003 e 2008 experimentando um aumento do PIB de 126% a partir de 1991 e tudo isso graças a exploração privada do petróleo isso é competência. Entretanto, afirma um insuspeito e melancólico relatório do FMI, " Infelizmente essa riqueza não efetivou uma melhoria considerável nas condições de vida".


       A política de segurança energética dos Estados Unidos inclui a proteção deste modelo impar de competência do modelo privativista destinando para São Tomé e Príncipe uma base militar em condições de atuar diante de qualquer ameaça - inclusive - ao avançadíssimo regime do presidente Obiang.


       Os negócios do petróleo na África ainda reservam outras escandalosas relações entre o capital guerras, doenças, mortes. Voltaremos ao tema.

 


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