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Com Dilma e para frente

11.03.2010
 
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Com Dilma e para frente

Por: Anna Malm

O tema central aqui é definido como a necessidade de se criar e manter uma união de forças. Isso é necessário para vencer uma trama interna e externa que se constitui em milhares de ramificações que tanto podem ser bem visíveis e distinguíveis como dissimuladas agindo para enfraquecer uma coesão nacional.

Para analisar alguns dos aspectos relevantes a essa questão segue-se quatro perguntas para tentar pôr um pouco de ordem na realidade caótica que nos rodeia. Essas quatro perguntas serão também os cabeçalhos de onde diversos aspectos do problema serão abordados de uma forma mais livre. Voltaremos no entanto ao tema central definido acima.

1. COMO PENSAM E TRABALHAM NOSSOS COMPETIDORES?

2. O QUE ESTÁ EM JÔGO?

3. DIVIDINDO E DOMINANDO?

4. POR UMA UNIÃO QUE RESULTE?

COMO PENSAM E TRABALHAM NOSSOS COMPETIDORES

Poderia se pensar que o que segue é tão óbvio que nem deveria ser assunto para discussão. Mas como o assunto foi mesmo discutido num fórum americano de considerável envergadura, com dois contestadores de peso e com um mediador ligado ao conhecido “Washington Post”, à não mais que poucos dias atrás, apresenta se aqui uma estruturação em forma de dois modelos abstratos elaborados com base no que foi pública e abertamente dito seguido de um resumo do conteúdo do debate. [1]

Primeiro a estruturação em forma dos dois modelos abstratos que sintetizam duas das mais básicas posições na política externa dos Estados Unidos, como apresentadas nesse debate, e que aqui apresentam se como MODELO A e MODEO B. Digo abstratos por não terem as concreções e detalhes de um caso real e específico. O caso real e específico que foi discutido foi o Irã, o que será um pouco mais adiante apresentado em resumo. Foi esse caso real que possibilitou a estruturação dos dois modelos abstratos para estudo da ação político-econômica dos Estados Unidos mencionados. Esses dois modelos poderão ser relevantes para estudar outras situações, países ou regiões.

MODELO A); A cultura local não nos agrada. Também nós não agradamos a eles. A má vontade é recíproca. Não nos querem lá e se lá formos podem até nos matar, mas lá há muitos dos recursos que precisamos. Que fazer? Infiltramos – Trabalhamos com os colaboradores domésticos, damos-lhes assistência [economia e militar] – Agitamos – Mudamos o governo – Fazemos negócios.

MODELO B); Aceitamos a realidade tal como é. Avaliamos nossos interesses econômicos ou político-estratégicos. Fazemos propostas econômico-estratégicas que sejam mutuamente atrativas. Negócio feito e nada de infiltrações assim como nada de envolvimentos em assuntos de caráter interno.

A seguir em resumo os pontos altos do que foi dito pelo ORADOR-A e pelo ORADOR-B no programa americano acima mencionado.

ORADOR-A: - O Irã quer mais é ver nos mortos. Antes de 1979 era ruim e agora é pior. Eles nos odeiam assim como odeiam a cultura ocidental além de terem um desprezo (estrutural) pelas mulheres. Permitindo-se que eles se tornem no poder dominante da região essas atitudes se ramificarão. Existe uma pressão para que falemos com eles. Nós estivemos falando com eles a trinta e um anos e isso levou a que? Nos matam. O Iraque, o Afeganistão, pode entender se que o Irã está atrás de tudo isso.

Eles nos odeiam e querem matar nos a todos. Não para um Irã Islâmico, mas um sim para um Irã livre. Nós devemos apoiar a oposição interna. Os “Verdes,” -(menção ao grupo da oposição que tomou o verde como símbolo- a seguir virão mais esclarecimentos à respeito das revoluções coloridas) - à vinte cinco anos lá estão mas o ocidente não lhes dá a devida ajuda, contato, ou assistência. Eles querem um Irã livre, a igualdade para as mulheres, assim como eleições livres. Lá tem uma maioria que está em oposição e essa maioria está zangada. Demonstrações e tropas. É realmente a própria natureza da República Islâmica [que é o problema]. Eles proibiram os “Verdes.” Eu os apoio e acho que nós devemos apoiá-los dando-lhes ajuda concreta.

ORADOR-B: - Porque deveríamos falar com o Irã? Eles precisam que sejamos acessíveis, que os abordemos. Além disso, é o fato deles terem uma posição de eixo central, tanto em termos de localização geopolítica como em termos de estrutura territorial e demográfica, juntando-se a isso os hydrocarbons (ou nas minhas palavras leigas, petróleo e gás).

Se olharmos para a história de uns vinte ou trinta anos atrás e analisarmos o que aconteceu no Iraque, veremos que uma das conseqüências foi à projeção regional do Irã. Agora o Irã é um poder regional genuíno. Nenhum dos nossos objetivos, sejam eles em relação a Israel, Afeganistão, Iraque ou Al-Quaeda serão resolvidos de maneira satisfatória sem a participação do Irã.

Façamos uma analogia entre a República Islâmica e a China dos anos 60-70. China estava emergindo e ainda não era o poder em que hoje se tornou. Os Estados Unidos tentaram isolá-la apoiando Taiwan, por exemplo, até que no período de Nixon-Kissinger foi reconhecido que isso não estava a favor dos interesses americanos. O mesmo é hoje em relação ao Irã. O que estamos fazendo é contra produtivo. Os nossos problemas não serão resolvidos se não reconhecermos o papel do Irã.

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